09 de julho de 2026
Bairros

Superpopulação felina preocupa

Marcus Liborio
| Tempo de leitura: 4 min

Fotos: Malavolta Jr.
Reportagem flagrou vários gatos perambulando no Jardim Samburá, região do Jardim Contorno

Quem nunca se deparou com um gato errante pela cidade? Comum no cotidiano dos bauruenses, a superpopulação de felinos representa um desafio aos munícipes e ao poder público. Somente em 2017, a prefeitura contabilizou 82 queixas de moradores cobrando soluções para o excesso de felinos em Bauru.  

Os órgãos de saúde informam que seguem com as campanhas educativas. Destacam, ainda, o esforço para intensificar o número de castrações de animais em 2018. No ano passado, inclusive, o Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) registrou recorde de castração em relação aos índices dos últimos nove anos.

O problema, entretanto, parece estar longe de ser solucionado. Nesta semana, o JC recebeu reclamações de quantidade excessiva de gatos em várias regiões do município. Ontem, inclusive, a reportagem constatou tal cenário em uma área do Jardim Samburá, região do Jardim Contorno.

O local concentra vários felinos, que perambulam pelas ruas diariamente, revirando lixeiras em busca de alimentos. Segundo o aposentado Francisco de Oliveira Santiago, 69, parte dos moradores coloca vasilhas com ração e água para tratá-los "Dependendo do horário, chego a ver de dez a 12 gatos por aqui", revela.

Um leitor, que preferiu não se identificar, relata situação semelhante no Parque União. Ele diz ter procurado ajuda com várias pessoas, sem sucesso.

O QUE FAZER?

A Secretaria Municipal de Saúde informa que está previsto em lei o "Animal Comunitário", em que o Departamento de Vigilância Ambiental executa diversas ações, como fiscalização após denúncia de maus-tratos ou falta de higiene, castração através de cadastro enviado pelo Comupda e identificação e orientação sobre guarda responsável aos tutores.

Diretor da Divisão de Vigilância Ambiental do município, o veterinário Luiz Ricardo Cortez orienta que, ao se deparar com quantidade excessiva de gatos em vias públicas, o CCZ deve ser informado. "A partir de então, a gente trabalha para identificar algum responsável", diz.

Ele confirma que é comum, entre a população, o hábito de manter vasilhas com comida e água para alimentar os gatos de rua. "Não se pode deixar o bicho morrer de fome. Isso é fato. Mas, sempre há alguém que pode se responsabilizar pelos cuidados com a saúde do animal, que inclui, inclusive, a castração. A gente promove campanhas educativas sobre a guarda responsável, com objetivo de tentar resolver o impasse". 

POLÍTICAS PÚBLICAS? 

Não é novidade que Bauru não tem políticas públicas eficientes de castração animal. Cortez reconhece que a quantidade de castrações oferecidas pela prefeitura não contempla a demanda.

"A população animal está aumentando na cidade. Há uma preocupação dos órgãos de saúde em relação a essa situação e, por isso, estamos procurando caminhos para minimizar o problema". 

Em 2009, o município castrou 92 animais, sendo três cães e 89 gatos. O número cresceu ano a ano e, em 2017, bateu recorde ao efetuar 411 procedimentos: 133 em cães e 278 em gatos. "Teve aumento de recurso e esperamos receber valor maior também neste ano", finaliza Cortez. 

MAIS R$ 20 MIL

A Semma também desenvolve um programa de castração animal, em parceria com duas clínicas veterinárias que venceram licitação para prestar o serviço em Bauru. Titular da pasta, Mayra Fernandes disse que o investimento deve aumentar de R$ 70 mil para R$ 95 mil neste ano. "O aumento foi solicitado pelo Comupda. Na verdade, é uma transferência do montante destinado para gastos com materiais, que acaba sendo subutilizado, para as castrações", explica. No ano passado, pela Semma, foram realizados 309 procedimentos.

Outra aposta é o Castramóvel. Conforme o JC noticiou, viabilizado através de emenda parlamentar do deputado Ricardo Izar Jr. (PP) no valor de R$ 120 mil e com esforços dos vereadores da mesma legenda Fábio Manfrinato e Markinho Souza, o projeto deve chegar a Bauru neste ano.

Ampliar conscientização 

Presidente da Comissão de Defesa e Proteção Animal da OAB e do Comupda, Thaís Viotto destaca que é preciso promover ações para ampliar a conscientização da castração também aos donos de animais com condições financeiras de arcar com o procedimento.

"Tem muita gente que é relutante, não conhece os benefícios ou tem um pouco de preconceito em relação à castração dos machos. Há, ainda, quem acredita no tabu de que a fêmea tem que dar uma cria, mas é justamente o contrário. Se a fêmea for castrada antes do primeiro cio, a prevenção de câncer de mama e de útero é mais eficaz", exemplifica.