10 de julho de 2026
Economia & Negócios

Cresce em 20% número de MEIs que trabalham com alimentação em Bauru

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 4 min

Aceituno Jr.
Aline, que é MEI na área de alimentação, ensina: “É preciso ter muito conhecimento, criatividade e descobrir seu diferencial”
Malavolta Jr.
Tamara Nascimento, Ariel Barca e Aline Fogolin, da Sedecon, falam sobre a expansão do setor

O ramo de alimentação tem atraído um número cada vez maior de pessoas para os negócios em Bauru. Hoje, já são 3.286 Microempreendedores Individuais (MEIs) que ganham a vida vendendo produtos alimentícios na cidade, número 20% maior que o acumulado até janeiro do ano passado, de 2.724 moradores.

O fechamento de vagas de trabalho com carteira assinada nos últimos anos e a confiança de que, mesmo com a crise, o segmento de alimentação continuará sendo um investimento seguro são algumas justificativas para explicar o fenômeno. Segundo a titular da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico (Sedecon), Aline Fogolin, outro fator que estimula ao empreendedorismo de produtos alimentícios é o conhecimento, em maior ou menor escala, que quase todo mundo tem em culinária.

"Normalmente, o empreendedor é alguém que já sabe fazer algo na cozinha, no seu ambiente doméstico, e decide começar a vender este produto", observa.

Diretora de Divisão de Fomento ao Empreendedorismo e Assuntos do Trabalho da Sedecon, Tamara Nascimento acrescenta, contudo, que a capacitação profissional, seja em busca de conhecimentos sobre gestão ou para a melhoria da qualidade da mercadoria oferecida, é fundamental para que o negócio tenha sucesso no longo prazo. "Com algum conhecimento na área, é um investimento seguro, porque é uma atividade que sempre tem demanda. Mesmo na crise, as pessoas não deixam de comer", frisa. É uma realidade que a gastrônoma Aline Furlanetto, 37 anos, aprendeu a explorar bem.

Dona de um restaurante com capacidade para 15 pessoas no Bela Vista, ela também atende encomendas para eventos e está sempre inovando o cardápio para agradar o paladar da clientela. "E trabalhamos muito com produtos da época. Além de garantir variedade, isso também nos ajuda a reduzir custos".

DIFERENCIAL

A profissão de fotojornalista, que deixou de ser seu ganha-pão há dois anos, também a ajuda na produção de imagens mais elaboradas para os seus pratos, e, assim, a divulgar seu trabalho. "Estava fazendo curso de gastronomia quando resolvi deixar o emprego na área de fotojornalismo. Não é um processo simples. É preciso ter muito conhecimento e criatividade. Se você descobre qual é o seu diferencial e trabalha com produtos de qualidade, fica mais fácil fidelizar clientes", ensina.

Atualmente, Bauru contabiliza cerca de 23 mil MEIs e o setor de beleza e estética ainda é o que concentra mais empreendedores. Porém, dos mais de 3 mil que trabalham com alimentação, destacam-se, atualmente, os segmentos de padaria e confeitaria e comércio de laticínios e frios, bem como o de doces, como balas e bombons.

Devido à produção de todas estas guloseimas, Aline Fogolin revela que há registro, na cidade, de aumento até mesmo nas vendas de alguns produtos comercializados por estabelecimentos atacadistas, como é o caso, por exemplo, de barras de chocolate, potes grandes de doce de leite e embalagens. "Não temos números exatos, mas estes fornecedores que vendem em quantidade maior relatam este crescimento provocado pela demanda dos MEIs", completa.

Como proceder

Uma das principais dúvidas dos MEIs que querem empreender no ramo da alimentação refere-se à necessidade de autorização formal da Vigilância Sanitária Municipal para iniciar a atividade. Porém, Ariel Barca, agente de administração da Sedecon, esclarece que este documento não é necessário, mesmo para quem comercializa seus produtos em ponto fixo - normalmente o endereço residencial.

Neste caso, contudo, é preciso obter o alvará de funcionamento da prefeitura para regularizar o negócio. Apesar da dispensa de vistoria prévia da Vigilância, o MEI é sempre orientado a procurar o órgão para obter orientações sobre regras de higiene e saúde, já que, se irregularidades forem constatadas em eventual fiscalização, o empreendedor poderá ser autuado.

Para a obtenção da licença de funcionamento, o interessado que pretende atuar em ponto fixo deve apresentar certificação do MEI, CPF, RG, Título de Eleitor, Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros, IPTU do imóvel e algumas informações solicitadas pelo Sistema Integrado de Licenciamento (SIL), como a metragem do espaço a ser utilizado como área comercial. "Na Casa do Empreendedor da Sedecon, o candidato a MEI consegue obter o CNPJ e já receber todas as informações sobre como proceder", completa Barca.

A Casa do Empreendedor fica na rua Virgílio Malta, 17-06. Telefone: (14) 3227-7819. E-mail: saladoempreendedor@bauru.sp.gov.br.