| Aceituno Jr. |
| Membros da atualidade e "velha guarda" da tradicional Portuguesinha; a partir da esquerda: Sidney Queiroz, João Ceramitaro, Daniel Rufino, Pedro Aparecido de Oliveira (Pé na Cova), Francisco Guerreiro (Kiko), José da Silva e Toninho Storti |
Um dos maiores fenômenos do futebol amador bauruense dos anos 60, a Portuguesinha, time de jovens que encaravam e encantavam os gramados do Campeonato Varzeano e que marcou época, está de volta. O time lusitano foi resgatado por entusiastas e ex-jogadores e retorna a competir já em 2018, pela Copa Semel (leia mais a seguir).
Dois ícones de uma geração que marcou a história do time, Maurinho Chuchu e Sarará, não escondem a emoção de resgatar um capítulo da história esportiva de Bauru. "A Portuguesa está ressurgindo e os organizadores e diretores da versão século 21 do time prometem honrar a nossa camisa", conta.
"GINGA NOS PÉS"
Ao JC, Maurinho revela aos mais jovens, que não viram a Portuguesinha jogar nos anos 60, que o time incomodava os adversários e jogava um futebol bonito, leve, sem violência e com muita ginga nos pés. "A Portuguesinha surgiu quando o time adulto da Portuguesa do futebol amador de Bauru, do Altos da Cidade, encerrou suas atividades entre 1959 e 1960. Para não deixar o time morrer, a categoria de base, jovens de 18, 19, 20 anos, passaram a disputar o Campeonato Varzeano, na época", recorda.
Maurinho conta ainda que o time ganhou notoriedade na imprensa pela técnica de fazer inveja aos mais experientes e por revelar jogadores a equipes profissionais, inclusive ao Noroeste. Ele destaca, também, que a Portuguesinha fez frente aos principais e mais vitoriosos times do amador, como o Fortaleza. "Naquela época, o futebol amador já era de muita força. Era difícil sair de campo sem estar com a canela 'riscada'", diz Maurinho. O ex-jogador recorda também, com carinho, do "pai de todos". "O nosso treinador Carlos Butti, o Nenê, foi como um pai para nós. Morreu muito cedo. Era um cara de poucos estudos, mas de bola, amigo, sabia muito", ressalta.
Apesar de ser o segundo time do coração de todos os torcedores do varzeano, a Portuguesinha ainda busca seu primeiro título expressivo. "Não ganhamos título na época. Além dos adversários, às vezes, 'enfrentávamos' também a arbitragem. Mas o futebol encantava e era manchete das rádios e destaque nos jornais", comenta Sarará.
A Portuguesinha foi desfeita em meados de 1970 e até retornou, em 1986, desta vez na Liga Bauruense de Futebol Amador, como Portuguesa e com jogadores mais experientes. Talvez nem tanto com o mesmo brilho de 20 anos antes, mas seguiu disputando o Amadorzão até 1994.
RENASCIMENTO
O atual presidente da entidade, Sidnei Queiroz, e o diretor de futebol, Daniel Rufino, que foi presidente da Lusa bauruense na década de 90, garantem que a nova Portuguesa, com certeza, fará um grande campeonato em 2018 e resgatará a sua tradição. "O time substitui a vaga e herda a sede do antigo Ajax Futebol Clube do Jardim Bela Vista, que foi extinto como time de futebol amador e sua razão social passa a ser Associação Portuguesa de Desportos de Bauru", frisa Sidnei Queiroz.
Rufino falou que o time tem base montada e que o próximo projeto será para resgatar crianças das ruas. "Vamos fazer uma série de amistosos para o técnico Pedro 'Pé na Cova' encaixar o time. O primeiro será dia 4 de fevereiro, contra o Atlético de Pederneiras, em Pederneiras", conta.
Depois, o próximo passo da diretoria é criar a escolinha para crianças de 7 a 13 anos, gratuita, no Bela Vista. Interessados em apoiar a Portuguesinha devem entrar em contato pelos telefones 99749-0196 ou 99619-4571. O time adulto fará estreia na Copa Semel em abril.