| Renan Casal |
| Jaqueline da Costa começou incentivada por uma amiga |
Cerca de 300 tocadores de taiko de diferentes lugares do Brasil, a maior parte adolescentes e jovens, se reuniram ontem, em Bauru, para participar de um workshop visando aperfeiçoar as técnicas dessa tradição milenar e se preparar para abertura oficial do XIII Kawasuji Fest neste domingo, no Anfiteatro Guilhermão da Unesp.
A cada ano, uma cidade é escolhida para sediar o festival de taiko (instrumentos japoneses). Nesta edição, o evento artístico, que está sendo organizado pelo Clube Cultural Nipo Brasileiro de Bauru, em parceria com a Prefeitura de Bauru, reúne 14 grupos de taiko e irá comemorar os 110 anos da Imigração Japonesa.
Além da troca de experiência com os senseis (mestres) Daiki Tsujimura, Enzo Shirosaki e Yugo Shirosaki, do Grupo Japan Marvelous Drummers, de Fukuoka, no Japão, o workshop ajudou a aquecer os tocadores de taiko para as apresentações de hoje.
Tsujimura, que se apresentou com seu grupo em mais de 20 países e recebeu vários prêmios importantes, conta que, para tocar taiko, basta ter vontade. "Eu acho muito maravilhoso ver as crianças, adolescentes e adultos brasileiros praticando", afirma.
As amigas Beatriz Haiashida Masuda, 15 anos, e Ana Paula Miki Takaesu, 14 anos, que fazem parte do grupo Kawasuji Seiryu Daiko, de Atibaia, praticam o taiko há cinco anos. As duas tocam instrumento de sopro feito de bambu chamado Fue, que se assemelha muito à flauta.
"A primeira vez que assisti o taiko foi no evento Undokai, em Atibaia. Hoje, ele faz parte da minha vida", conta Beatriz. "O grupo é como se fosse uma segunda família. Toda essa tradição, que vem de muito tempo, está sendo passada para a gente hoje", ressalta Ana Paula.
E quem pensa que o taiko é praticado só por japoneses e descendentes está enganado. Jaqueline Cardoso da Costa, 14 anos, conheceu a arte milenar por meio de uma amiga. Hoje, ela faz parte do grupo Shinkyo Daiko, de São Caetano do Sul. "Gosto muito da cultura japonesa", revela.
"Não é só japonês que faz não. Qualquer pessoa pode fazer". Além de concentração, ela ressalta que o taiko demanda muita dedicação. "E paciência porque não é sempre que você consegue acertar", declara.
Há dois anos, Márcia Wakai Catelan passou a se dedicar ao grupo de taiko Hatsumi Taiko, de São José do Rio Preto, para acompanhar as filhas Letícia e Marcelly Wakai Catelan Martins, de 12 e nove anos. "Comecei a tocar depois delas, como incentivo para elas continuarem", afirma. "É muito estimulante restabelecer nossa cultura".
SERVIÇO
Hoje, a programação teve início às 9h com a abertura oficial do evento e apresentações dos grupos no Anfiteatro Guilhermão/Campus da Unesp.
Os ingressos foram trocados durante a semana por um quilo de alimento não perecível, que será destinado ao Fundo Social de Solidariedade. Para quem for na hora, a troca também poderá ser feita, mas dependerá de disponibilidade de lugares. O show de encerramento acontece às 18h com apresentação do Grupo Japan Marvelous Drummers.