| Malavolta Jr. |
| Tenente Sérgio de Souza aponta os fatores que explicam a maior letalidade aos finais de semana |
O fim do expediente hoje dá a largada para mais um final de semana. Sinônimo de relaxamento, mas também de alerta. É justamente entre e sexta e domingo que ocorrem a maioria dos acidentes fatais no perímetro urbano de Bauru. Cenário já notado empiricamente por muitos e, agora, confirmado por dados da Emdurb.
Embora haja ações constantes das autoridades, o percentual manteve o mesmo patamar nos últimos quatro anos, período em que o número de mortes no trânsito registrou mais da metade do total somente nos dias de descanso e lazer para grande parte das pessoas.
Em 2017, foram contabilizados 22 acidentes fatais na cidade. Deste total, 13 aconteceram no final de semana. No ano anterior, o índice também foi alto: das 28 mortes no trânsito, 15 ocorreram entre sexta e domingo, o que representa 53% do total (veja mais no quadro ao lado).
Comandante do Pelotão de Trânsito em Bauru, o tenente José Sérgio de Souza avalia que a maior parte do acidentes fatais ocorre no final de semana porque esses dias são tradicionais para a realização de atividades de lazer.
"Principalmente na sexta e no sábado, as pessoas costumam frequentar barzinhos, festas ou churrascos em chácaras e depois dirigir sob o efeito de álcool. Não são todas as mortes no trânsito provocadas por motoristas embriagados, mas a maioria delas", aponta.
Final de semana também é sinônimo de mais leveza e tranquilidade, já que boa parte da população só volta para o trabalho na segunda-feira. "Alguns ficam mais distraídos ao volante e isso também pode resultar em acidentes".
Outras circunstâncias também são apontadas como causas de acidentes fatais, como imprudências que vão desde trafegar em alta velocidade até dirigir manuseando celular. "São fatores que nos preocupam bastante", pontua.
FISCALIZAÇÕES
As fiscalizações estão cada vez mais intensas. Essa é uma das apostas das autoridades para reduzir o índice de acidentes aos finais de semana. "Tanto que, no ano passado, tivemos uma pequena redução no número de mortes no trânsito entre sexta e domingo", frisa Souza.
Segundo o tenente, o volume de blitz deve aumentar ainda mais, uma vez que as leis estão mais rígidas e serão ainda mais pesadas para quem provoca acidentes com vítimas fatais, graves ou gravíssimas a partir de março de 2018 (leia mais abaixo).
"A PM trabalha com base em estatísticas, em conjunto com a Emdurb, para traçar as ações de prevenção. Portanto, se as mortes no trânsito ocorrem mais aos finais de semana, vamos intensificar as fiscalizações com a intenção de reduzir esses índices e salvar vidas", finaliza.
LEI SECA
O Jornal da Cidade noticiou em dezembro que, a partir de março, as punições serão mais rígidas para o motorista que cometer homicídio culposo (sem intenção) ou lesão de natureza grave ou gravíssima sob efeito de álcool ou substâncias entorpecentes. A pena prevista para casos que resultem em mortes será de cinco a oito anos de reclusão e, portanto, inafiançável. Hoje, a pena varia de dois a quatro anos. Já para ocorrências que com lesões como consequências, a pena passa do mínimo de um ano para dois a cinco anos.