09 de julho de 2026
Geral

Entrevista da Semana: Gilmar Regitano de Barros

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 6 min

Um comunicador esportista e vice-versa

Bruno Freitas
Gil narra sua trajetória que concilia comunicação e esporte
Fotos: Arquivo Pessoal
Ele tem um programa diário na Super Estação, em Pederneiras
Gil também faz a função de comunicador do Bauru Basket

Ele cresceu vendo o irmão, Gilberto Barros - o Leão -, com o gravador ('tijolão') em mãos, desde a Alta Paulista. Também sempre praticou esportes e se formou em Educação física. Assim, sua trajetória de vida o levou à aproximação das duas paixões. Há alguns anos, o comunicador, radialista, jornalista e amante do basquete Gil Barros concilia a função de comunicador do Bauru Basket com um programa diário na Super Estação, em Pederneiras.

Gilmar Regitano de Barros conta seus passos, suas escolhas. Ele não esconde a vontade de alçar voo na Capital Paulista, mas, nesta fase, revela a opção por ficar por aqui, próximo da família. Pai de Gabriel, 17 anos, e irmão de Gilberto e Gilson, o caçula filho de Amaysa Regitano de Barros e Gilberto de Barros, conversou com o JC. Confira:      

Jornal da Cidade: Como foi sua iniciação no esporte, levando em conta você ter 1,95 metro de altura?

Gil Barros: Sempre pratiquei esporte, desde moço em Flórida Paulista. Desde a infância, joguei em todas as modalidades praticamente. Minha estatura e composição corporal vêm de família, do pai e da mãe, inclusive. Meus irmãos Gilberto e Gilson são grandes e o esporte me desenvolveu ainda mais porque eu sempre pratiquei. E, quando eu vim a Bauru, foi por causa do Luso e para jogar basquete, pela minha estatura e composição física. O basquete certamente deu ganhos nisso ao praticar. 

JC: Se o esporte, por um lado, o conduziu para um caminho, acompanhar o irmão Gilberto Barros na comunicação o levou a outra vocação?

Gil Barros: Com certeza essas duas situações estão presentes de forma marcante em minha vida. A paixão pelo esporte me levou a praticar e me formar junto ao esporte. E acompanhar o irmão comunicador no rádio e na televisão me inspirou muito. Inspirou tanto que me tornei também comunicador. O Gilberto, pra mim, sempre foi referência. A gente sempre acompanhava. Ele é o mais velho e isso gera influência. Ele é minha referência do ponto de vista de comunicação. E isso se tornou tão marcante em minha vida nesta fase atual que associa-se ao Gil também ao esporte e comunicação juntos, tanto que trabalho em rádio e também faço locução nos jogos do basquete profissional do Bauru Basket, onde sou locutor.

JC: Você se formou em Educação Física. A escola que você teve levou a sério essa prática de atividade física? 

Gil Barros: Acho fundamental o uso da Educação Física para os estudantes. E, hoje, essa prática está voltada só para ações competitivas. Mas a formação, a base, deveria ser perseguida pelo ciclo escolar. Eu fui professor de Educação Física para meu filho na escola. Mas, lá no Interior, na Alta Paulista, na minha infância, tínhamos Educação Física normal com atividades em várias modalidades. E o colégio ainda desenvolvia as turmas de treinamento, porque a escola disputava vários torneios em diversas modalidades. Ter a educação física lúdica e, na fase certa, incluir a atividade competitiva. Assim é que garantimos o desenvolvimento da criança e a criação de atletas para várias modalidades. O problema é que Educação Física está sendo usada mais como espaço, para cumprir o ciclo de atividades, o horário. E isso precisa ser recuperado.  

JC: Como você migrou do esporte para a comunicação?

Gil Barros: A prática do esporte tem seu ciclo natural. E, ao atingir certa idade, eu vi aparecer a oportunidade de incluir o gosto pela comunicação com a aproximação com o esporte. Eu já atuava em categorias de base, mas muito mais em clube, sobretudo o Luso em Bauru. E acompanhei muito a vida de formação de atleta. Fui professor, técnico, de muitos atletas que, hoje, despontam pelo País no basquete, como o Demétrius Ferracciú, atual técnico do Bauru Basket, e muitos outros. Mas eu também trabalhava na prefeitura e, por convênio, era cedido ao Luso. E isso é um desgaste de jornada. Eu viajava praticamente todos os finais de semana em competições pelo Interior. E, no meu período, a gente era clube e não empresa. E eu abri mão em ser professor, dar aula, para me empenhar na comunicação. Fiz uma escolha. Eu já vinha recebendo orientação do meu irmão para que fizesse algo em comunicação. Em determinado momento, eu optei em somar comunicação. E abrir mão de viagens e treinos em nome da família também me levou para esta escolha atual.         

JC: Ir para um grande Centro, como São Paulo, não surgiu nessa encruzilhada?

Gil Barros: Se eu falar que não tenho muita vontade de ir para o grande centro é mentira. E tenho essa oportunidade, meu irmão me cobra muito isso. Mas eu sou muito família, tenho um filho de 17 anos, eu vivo grudado, perto da minha família aqui no Interior. Tenho uma mãe em certa idade que mora pertinho de minha casa. Meu pai faleceu há quatro anos e minha mãe quis morar sozinha. Mas, estou pertinho dela. Escolhi estar perto da família. De novo, uma escolha. Hoje, não tenho coragem de deixar minha mãe e meu filho. Pode ser que mude. Tudo muda. Mas meu irmão me cobra quase todo dia para ir para São Paulo. 

Arquivo Pessoal
Em pé (da esquerda para direita): Gilmar, o filho Gabriel, namorada Paola e a mãe Amaysa; sentados (da esquerda para direita): a cunhada Mara, o irmão Gilson, o sobrinho Neto, a cunhada Lâmia, o irmão Gilberto e o sobrinho Henrique (no detalhe, na parede, o pai Gilberto)

JC: E que tal a experiência de ter um programa de rádio em Pederneiras, uma cidade de 40 mil habitantes, estar perto das pessoas? 

Gil Barros: A gente sente que é muito querido nas ruas. As pessoas te reconhecem pela voz do rádio. É muito gostoso esse relacionamento. O retorno de amigos, de ouvintes que me conheceram através do rádio. Isso dá uma energia fantástica de tentar melhorar todo dia. O anonimato do rádio se perde muito na cidade menor, porque, na padaria, alguém te reconhece e associa pela voz. É muito bom sentir isso. Eu falo nos programas que tenho a minha opinião. E digo que as pessoas não precisam concordar comigo, mas que elas tenham suas próprias opiniões. E o rádio desta fase tecnológica transformou tudo. Eu fico a tarde toda em WhatsApp. Mas me preocupa que as pessoas deixem de se relacionar para ficar muito tempo no celular. A tecnologia precisa saber ser utilizada. 

JC: Você usa algum bordão no rádio? Aliás, como é o seu programa?

Gil Barros: Não é fácil mexer com a emoção e o comportamento das pessoas todo dia. Para muitos, o contato com o comunicador é um desabafo. Eu toco todos os ritmos de música no programa. Às vezes, eu choro; às vezes, eu conto uma piada; às vezes, faço uma mensagem de incentivo. Mas é maravilhoso e uma energia muito forte. Tenho bordão sim e falo todo dia no ar, opa! "Gil Barros, no seu rádio, na sua Internet e no seu coração!"  

JC: Para finalizar, qual seu sonho?

Gil Barros: Eu sonho um dia de cada vez, sem pressa para as coisas. E sempre digo no ar, no rádio: "Vai dar tudo certo. Acredite!".        

Perfil

Nome: Gilmar Regitano de Barros

Idade: 49 anos

Filho: Gabriel (17 anos)

Paixão: o rádio e o basquete

Amor: família

Lema: 'Viver um dia de cada vez'

Irmãos: Gilberto e Gilson Barros

Pais: Amaysa Regitano de Barros e Gilberto de Barros

Trabalho: locução do basquete e rádio em Pederneiras (88 FM)

Bordão: "Gil Barros, no seu rádio, na sua Internet e no seu coração!"