08 de julho de 2026
Geral

Uso excessivo de eletrônicos pode causar infelicidade


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Jovens não devem passar mais que 2 horas no celular

Agradar os filhos com smartphones, tablets e videogames pode, na verdade, contribuir para a infelicidade dos adolescentes, sugere estudo liderado por Jean Twenge, professora de Psicologia da Universidade Estadual de San Diego, na Califórnia. Os resultados publicados ontem na jornal científico "Emotions", da Associação Americana de Psicologia, mostram que jovens que passam muito tempo com os olhos vidrados nas telas de aparelhos eletrônicos são menos felizes que colegas que preferem outras atividades. Para ser feliz sem abrir mão do celular, é preciso colocar limites para o uso.

"A utilização de mídias sociais digitais não deve durar mais do que duas horas por dia. A chave para a felicidade é aumentar o tempo despendido com amigos e exercícios físicos", comentou Jean.

A cientista analisou dados da pesquisa longitudinal "Monitoring the future" ("Monitorando o futuro", em tradução livre), que entrevista anualmente cerca de 50 mil estudantes entre 12 e 17 anos de todos os estados americanos. Entre as questões, os adolescentes respondem quanto tempo passam em smartphones, tablets e computadores, em atividades com interações sociais e sobre a felicidade como um todo.

Os resultados mostram que, em geral, adolescentes que passam mais tempo na frente de telas são menos felizes que aqueles que investem mais atenção em outras atividades, como praticar esportes, ler jornais e revistas e se encontrar com amigos. Segundo a pesquisadora, existem duas leituras possíveis para a descoberta do estudo. A primeira, é de que os jovens buscam os dispositivos porque estão tristes. A outra é de que o uso, em excesso, provoca um aumento de tristeza nesses adolescestes.

Constatação histórica

Apesar de o estudo não apresentar as causas da tristeza nos adolescentes, a psicóloga Jean Twenge aposta na segunda tese. "Muitos outros estudos mostraram que o maior uso de redes sociais leva à tristeza, mas a tristeza não leva ao uso de redes sociais", ponderou a psicóloga.

Por outro lado, a abstinência total também não leva à felicidade. Os adolescentes mais felizes passam pouco menos de uma hora diária nas redes sociais, mas após uma hora de uso, aponta o estudo, a infelicidade aumenta de maneira consistente, acompanhando o aumento no uso de telas.

Olhando os dados históricos de grupos da mesma faixa etária desde a década de 1990, os pesquisadores descobriram que a proliferação de dispositivos eletrônicos com tela coincidiu com uma queda geral da felicidade entre os jovens americanos. Especificamente, os índices de satisfação com a vida, autoestima e felicidade despencaram após 2012. Foi nesse ano que o percentual de americanos com smartphones superou a marca de 50%, comprovando que os jovens passaram a ter mais acesso à tecnologia que coloca um mundo de possibilidades na palma da mão.

"A maior mudança na vida dos adolescentes entre 2012 e 2016 foi o aumento na quantidade de tempo gasto em redes sociais e o consequente declínio das atividades sociais e do sono", apontou Jean. "O advento do smartphones é a explicação mais plausível para a diminuição repentina no bem-estar psicológico dos adolescentes."

‘Dar exemplo é fundamental’

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Andrea Ramal: pais devem impor limites aos filhos

Autora do livro "Educação na Cibercultura", a educadora Andrea Ramal diz que pais devem impor limites e adotar postura positiva diante das redes para influenciar o bom uso das tecnologias pelos filhos.

"Não adianta os pais dizerem para a criança que ela não pode almoçar usando celular se eles mesmos fazem isso. Dar o exemplo é fundamental", diz.

A idade ideal para que a criança tenha seu próprio celular deve ser avaliada pelos pais. "Há vários pesquisadores que dizem que não se deve entregar um celular de forma autônoma para uma criança antes dos 12 anos, porque ela não estaria pronta para esse uso. É preciso refletir: meu filho tem a maturidade suficiente para ter um celular?", orienta.

Andrea afirma ainda que escolas devem ser mais rigorosas em relação ao uso excessivo de celulares em sala de aula. "Acho que as instituições têm pudor de tomar certas medidas, porque temem ser criticadas e acabam tendo perda na qualidade do ensino."

Ela acredita que é preciso usar a tecnologia em favor do aprendizado. "(Os professores) precisam encontrar formas criativas e didaticamente válidas para incorporar os dispositivos na aula e potencializar a aprendizagem."