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| Leitura: Digas que livros leu e que livros guardas, e lhe direi quem tu és! |
Era grande amiga no doutorado, colecionava guardanapos de bares e restaurantes. Outros amigos guardam passagens por onde passam ou cartões de portas de hotéis! Tem maluco para colecionar talheres das companhias aéreas que voaram, porta-copos de bares, calcinhas ou cuecas de amantes e tem até os que guardam crachás de congressos e cursos!
Ao ver o apartamento à venda, eu disse: que parede boa para colocar os livros! As pessoas quase caíram de costa ao saberem que eu tinha biblioteca em casa: como assim, que legal, que massa! Tem que colocar na sala, impressiona, é impactante! Minha pequena biblioteca é renovada constantemente, pois não cabe tudo que adquiro e vou repassando muitos livros para outras pessoas! Se tivesse espaço, teria uma grande biblioteca.
Quando alguém quer obra esgotada, sugiro que fique de olho nos sebos. Na internet têm sebos em rede que permitem fazer um giro pelos melhores, muito embora bom é visitá-los pessoalmente, conhecer donos e vendedores, além de fazer amizade com seus ácaros e traças!
Se fizer isto periodicamente, vais achar o livro que procuras, pois sempre tem dono de livro que morre e a primeira coisa que a viúva faz é: - pelo amor de Deus, vamos tirar estes livros e tralhas daqui, ele nem deixava ninguém se aproximar e ligam para o sebo que recolhe as preciosidades, de forma contida para não levantar a lebre das preciosidades com enorme valor!
Livros têm magia. Livros lidos e sua biblioteca indica tudo da personalidade e cultura. Quando chego numa casa, ligo o GPS para localizar a biblioteca ou a estante onde estão os livros. Como um lince faminto e sedento, sutil e disfarçado, vejo as obras lidas: - pronto, já tenho o mapa mental, cultural e astral do morador! Se não encontro ...
LIVRO ELETRÔNICO
O livro eletrônico ou "e-book" não permite esta prática e deleite. Também é uma delícia os livros nas estantes virtuais na tela. É mágico acionar imagens em movimentos na leitura virtual. São sensações e experiências diferentes daquelas do livro no papel.
Os arquivos eletrônicos são guardados em formato ou linguagem que predomina naquele período. Depois de certo tempo, se deve atualizar e migrar o formato do arquivo, incluindo livros eletrônicos, pois ele não vai mais abrir depois nos computadores atualizados. As grandes bibliotecas do mundo estão redigitalizando ou regravando todos seus conteúdos registrados a partir dos anos 90, pois os arquivos estão em formatos que não existem mais ou estão com baixa qualidade!
Eu ainda tenho arquivos guardados em fitas, disquetes grandes, pequenos, CDs e DVDs apenas para registro histórico de como era alguns anos atrás. Nem tem mais aparelhos com entradas para ler estes arquivos! Desde cedo fui alertado e periodicamente salvo todos meus arquivos eletrônicos em formatos e aparelhos compatíveis com a época. Alguns amigos perderam arquivos com teses, livros, registros, fotos e outros. Ainda que a vida seja curta, é arriscado investir em bibliotecas com livros e arquivos eletrônicos sem que se tenha uma estratégia adequada de atualização de linguagem!
DELÍCIA
Toda semana visito uma livraria ou biblioteca por hábito e prazer: me sinto transitando por cérebros, experiências e vidas registradas em páginas e volumes. Parece que transito entre almas sábias que se expõem para outros usufruírem. É quase passear nos corredores do céu! Todo livro, por mais simples tem algo para te oferecer: é visão de mundo, é conhecimento obtido e experiência de alguém! Nas estantes tenho certeza que os livros se comunicam entre si e dizem: ele pensa que estamos aqui paralisados e riem!
Muitas pessoas perguntam: quando se deve escrever um livro? Quem pode escrever um livro? Quando estarei pronto para escrever um livro? Sempre respondo para se fazer a pergunta: - Tenho algo para passar ou apresentar de específico, diferente ou novo às pessoas, contribuindo com o seu crescimento, ainda que seja singelo? Se a resposta for sim, corra atrás e publique!
E lembre-se: escrever livro não é igual a ter filho! É exteriorizar sentimentos e conhecimentos, expondo e disponibilizando-se para os demais. Ter filhos é outra coisa, e se faz de forma diferente!
Alberto Consolaro é professor titular da USP - Bauru. Escreve todas as segundas-feiras no JC.