| Fotos: Malavolta Jr. |
| Escorpiões capturados por vizinha do Cemitério do Redentor; ao lado, baratas em fuga do local após aplicação de veneno |
O calor e a chuva aumentam os acidentes com escorpiões que, nesta época do ano, saem à procura de abrigos secos. O cemitério acaba sendo o lugar predileto para a nova morada. E, nesse caso, nem sempre é a última.
Inclusive, já há várias reclamações de moradores que residem próximos às necrópoles em Bauru. Diante de um cenário que se repete a cada ano, a Emdurb estuda novos meios de combate.
Um deles é usar pintinhos como forma natural de eliminar o temido e perigoso animal de oito patas com veneno em sua cauda.
Sendo a galinha o principal predador de animais peçonhentos, a empresa municipal pensa em colocar o plano em prática pelo menos durante essa "temporada de escorpiões". Mas, para tanto, esbarra em uma resolução estadual que proíbe a criação da ave em área urbana.
"A gente entende que a iniciativa não configura criação. Estamos vendo com o setor jurídico para viabilizar a ação, que seria colocar cerca de seis pintinhos em cada cemitério, pelo período de 10 a 15 dias", destaca o diretor de manutenção e modais da Emdurb, Daniel Chan.
Ele explica que a galinha, por viver em área rural, geralmente está habituada a uma alimentação mais específica.
Portanto, estima-se maior eficácia ao usar pintinhos no combate a infestação de escorpiões, que já estão atormentando a população.
'LOTADO'
A dona de casa Andreia Delarmelindo mora em frente ao Cemitério do Redentor, onde os animais peçonhentos estão por toda a parte. Ontem, inclusive, ela capturou vários escorpiões que haviam invadido o seu imóvel. "O muro do cemitério estava lotado", conta.
Ela também reclama de descarte irregular de entulhos no entorno do cemitério, fator propício para juntar insetos, o que atrai os escorpiões.
"O maior medo é em relação às consequências. Alguém pode morrer se for picado. Precisamos de uma solução urgente", critica.
A pessoa picada por um escorpião deve ser encaminhada o quanto antes para o serviço de saúde. É sugerido que o animal envolvido também seja levado, para facilitar o diagnóstico. Por ser neurotóxico, o veneno age no sistema nervoso periférico da vítima e pode levar até à morte.
"Crianças e idosos são os mais sujeitos a riscos fatais com a picada do animal. O adulto, geralmente, não precisa do soro", explica a chefe de seção de Controle de Zoonoses da Divisão de Vigilância Ambiental do município, Valéria Medina Camprigher.
QUASE 200
Somente em 2017, a prefeitura registrou 199 ocorrências de pessoas atendidas em unidades de saúde vítimas de escorpião.
Mais conhecido como escorpião amarelo, o Tityus Serrulatus é o campeão de chamados na cidade e o mais venenoso das espécies existentes no Brasil. "Ele tem uma particularidade: a fêmea consegue se reproduzir sozinha", frisa Valéria.
O escorpião de alimenta de baratas e aranhas, podendo sobreviver sem alimentação por até um ano. As altas temperaturas do verão e período de chuvas ajudam na proliferação de insetos dentro de casa, afirma o biólogo da Unesp Bauru Roberto Marono.
"Eles não gostam de ambientes frios e a água da chuva entra nos abrigos desses animais, que acabam saindo".
Por isso, é importante vedar frestas, vãos, buracos e ralos, usar telas de proteção e manter o quintal sempre limpo e com a grama aparada. Também é importante não acumular restos de materiais de construção, que podem servir como abrigo para os escorpiões.
APELO
Em nota, a prefeitura faz um apelo à população para o descarte irresponsável de resíduos residenciais, muitas vezes depositados no entorno do cemitério. “É um dos grandes colaboradores para o aumento da população de escorpiões”, alerta.
Plano: ter equipe especializada e fazer coleta na base do ‘um a um’
Diretor de manutenção e modais da Emburb, Daniel Chan afirma que tem trabalhado com todos os dispositivos existentes para minimizar a concentração de escorpiões nas regiões em que existem cemitérios de responsabilidade do município, realizando trimestralmente dedetizações preventivas para controle de pragas.
Equipes realizaram dedetização na segunda quinzena de janeiro, provocando a saída dos animais de seus esconderijos. Nessa segunda-feira (29), novo procedimento foi feito no Cemitério do Redentor e os muros da necrópole ficaram tomados por baratas, principal alimento dos escorpiões.
A Secretaria da Saúde disse, em nota, que irá realizar uma capacitação aos funcionários dos cemitérios da cidade no mês que vem, com o objetivo de orientá-los sobre os riscos e a importância da manutenção e vedação dos túmulos.
Daniel disse que a Emdurb estuda criar uma equipe especializada na manutenção dos cemitérios. Hoje, há cinco funcionários para cada uma das cinco unidades municipais. A ideia é reduzir para três a quantidade de servidores e montar o grupo extra com o restante.
"Desta forma, essa equipe poderá fazer a coleta de escorpiões, um a um. A ação já é realizada com frequência por alunos de biologia da Unesp. Inclusive, pretendemos antecipar esta atividade, agora com auxilio de funcionários da Emdurb", finaliza.