A matéria intitulada "Selva urbana revolta a população", que foi publicada no JC de 13/01/2018 e aborda o problema dos terrenos com mato alto na cidade, é um ótimo incentivo para algumas reflexões mais profundas sobre o comportamento reativo (passivo) do poder público municipal, o qual se repete por todo o país, nos mais diferentes níveis administrativos e políticos. O pior é que esse comportamento acaba se tornando um péssimo exemplo para a população que, em muitos casos, equivocadamente passa a achar que o mesmo é "normal". O comportamento "reativo" ocorre quando o agente fica passivo e só age efetivamente quando é forçado a isso, ou seja, ele apenas reage. Já no comportamento "proativo", o agente apresenta um comportamento com iniciativa própria, onde ele se antecipa e age espontaneamente em relação à prevenção e solução de problemas.
Na matéria citada, a prefeitura informa que faz a verificação das reclamações protocoladas e então aciona a fiscalização. Esse comportamento é tipicamente reativo, onde o poder público fica "deitado em berço esplêndido" esperando que a população ou a imprensa façam as denuncias para que ele então atue. Em um comportamento proativo, a fiscalização preventiva é assumida como uma obrigação do poder público, independentemente de reclamações ou não. Obviamente que essas fiscalizações devem ser claramente eficazes em termos de quantidade e de resultados, e não apenas figurativas. Ainda na matéria do JC, o proprietário do terreno com mato alto recebe uma notificação oficial da prefeitura e tem o prazo de 15 dias para efetuar a limpeza. Ou seja, neste caso, o poder público está incentivando uma cultura reativa (passiva) na população, onde o proprietário do terreno fica "deitado em berço esplêndido" esperando que a prefeitura o lembre de suas obrigações. Se ninguém o lembrar, então nada acontece e ele economiza o custo da limpeza. Essa postura favorece claramente os grandes especuladores imobiliários da cidade, em detrimento da saúde e segurança da população em geral. Aliás, sob o ponto de vista moral, os proprietários de terrenos, sejam eles grandes especuladores ou apenas pequenos investidores, têm a obrigação de vistoriá-los periodicamente, independentemente de serem lembrados ou não pela prefeitura e, assim, a multa sem aviso prévio é moralmente cabível.
Curiosamente, diante desta hipótese sempre aprecem pessoas argumentando que a notificação antes da multa é um importante instrumento democrático e educativo. Na verdade, este argumento defende exclusivamente os interesses dos grandes especuladores imobiliários e de seus "parceiros", pois nenhum instrumento é democrático ou educativo quando coloca diretamente em risco a saúde e a segurança da população. Diante dos fatos, ficam algumas perguntas: Por que essas normas municipais ainda não foram modernizadas? Qual é a posição dos agentes políticos (vereadores)? Será que a modernização destas normas realmente exige tantos estudos que justifiquem a sua morosidade?
Enquanto isso, sem que o poder público assuma uma postura efetivamente proativa e com resultados concretos, a população é que arca com as consequências. Obviamente que isso tudo também nos remete a um questionamento pessoal: Será que cada um de nós está sendo efetivamente proativo em relação aos problemas públicos e cobranças políticas?