10 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Eleições em meio à crise política

Roque José Ferreira - Presidente do PSOL- Bauru
| Tempo de leitura: 4 min

A crise política é profunda. O governo Temer bate recordes de impopularidade, instituições e políticos desmoralizados, divisões na classe dominante. Uma nova ministra do trabalho, Cristiane Brasil, é nomeada pelo governo Temer, só que com o detalhe de ela estar condenada em dois processos na Justiça do trabalho. O Judiciário tenta atenuar os efeitos vergonhosos dessa nomeação e impede sua posse, dando cobertura ao governo já afundado na lama.

O conjunto da situação política marcará as eleições deste ano. A crise se expressa na dificuldade da burguesia em definir o seu candidato. Alckmin é o nome mais cotado, mas não decola nas pesquisas. Henrique Meirelles, nome de agrado do mercado, sofre por ter sua imagem ligada ao governo Temer. Este impasse deixa a porta ainda aberta para um candidato que apareça como o "novo", a exemplo de João Doria, que havia descartado a candidatura após a queda de sua popularidade como prefeito de São Paulo, ou do apresentador Luciano Huck, apesar de suas declarações negando ser candidato em 2018.

Bolsonaro, que não é o candidato preferido da burguesia, aparece como uma expressão distorcida e reacionária do rechaço ao sistema político. Um fenômeno similar ao de Trump nos EUA. E como Trump, Bolsonaro é um candidato burguês, que deseja manter o sistema capitalista e a exploração sobre a classe trabalhadora, e assim deve ser desmascarado pelos revolucionários marxistas.

Lula continua à frente nas pesquisas e a tendência é que estes indicadores aumentem após a farsa judicial que o condenou a 12 anos de prisão sem provas, mas isso não significa o retorno da confiança da classe operária no PT, e sim uma resposta contra a direita e, em determinadas parcelas, uma comparação pragmática entre o momento atual e os dois governos de Lula, quando, na realidade, a crise econômica não havia atingido em cheio o Brasil, o que permitia um fôlego para ilusões no reformismo. A realidade é que Lula e PT seguem com a velha política de conciliação de classes, abrindo os braços para os que antes chamavam de "golpistas". Um eventual novo governo petista será a continuidade do servilismo à classe dominante.

A burguesia decidiu encerrar definitivamente a etapa da conciliação de classes. Por isso a condenação de Lula no dia 24/01/2018, sem nenhuma prova concreta, só baseada em convicções já era esperada. Pretende ela mesma assumir a dianteira e aplicar as medidas necessárias para salvar o sistema. Por isso, descartam Lula e o PT, e isso não começou agora. A fase mais aguda dos ataques começar com a ação penal 470 passou pelo golpe institucional contra Dilma, e continua com a condenação de Lula.

A Lava Jato, como a Esquerda Marxista vem explicando já há algum tempo, pretende realizar uma "faxina geral" que aparente uma renovação do sistema político, buscando salvar as instituições do descrédito e da ira popular. Essa operação tem claros objetivos políticos e econômicos burgueses e imperialistas. Posicionamo-nos desde o princípio contra a Lava Jato e seus ataques às liberdades democráticas, com shows midiáticos, abusos, acusações e condenações sem provas, abrindo caminho para o aprofundamento da criminalização dos movimentos sociais e um papel bonapartista do judiciário.

Devemos repudiar as condenações políticas da Lava Jato, como também repudiar e denunciar a farsa da condenação de Lula sem provas. Devemos sim neste cenário, defender seu direito de ser candidato. Isso não implica concordância com as políticas de Lula e do PT de conciliação de classe com a burguesia e o capital, e as alianças com partidos de direita que fez com que adotassem os métodos corruptos de governo da burguesia que os levaram à atual situação, e que o PT nasceu condenando.

A situação hoje desmonta de vez o mito da igualdade entre todos no tal "estado democrático de direito" que uma grande parte da esquerda defende. O estado existente hoje e todas suas instituições, é o estado do capital controlado pela burguesia, que quando vê seus interesses em perigo, se utiliza de todas suas instituições e dos métodos mais abomináveis sem nenhum escrúpulo como dizia Ricupero, para fazer valer seus interesses.

As eleições são um terreno deformado onde também se expressa a luta de classes. A esquerda Marxista tem muito claro que o PSOL pode jogar um papel importante nessa conjuntura, mas precisa se afastar do reformismo que provocou a falência política do PT e se ligar à luta da classe operária. Estamos desde 2017 combatendo para que o PSOL lance o seu candidato com base em um programa de classe e socialista. Por isso apoiamos desde o início e estamos em campanha pela pré-candidatura do companheiro Nildo Ouriques à presidência da República pelo PSOL, que estará em Bauru neste dia 2 de fevereiro, às 19 horas, na sede da Apeoesp, Rua Gerson França 9-23 - Bauru, para debater com a população sobre o tema: "A luta em defesa dos direitos da classe trabalhadora e pela revolução brasileira".

O debate é aberto a toda população.