11 de julho de 2026
Geral

Aprovações do CTI viram caso de Justiça pela primeira vez

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

Samantha Ciuffa
Segundo Edson Alberto de Antonio, esta foi a primeira vez em que o problema ocorreu no CTI

As aulas do Colégio Técnico Industrial (CTI) começam hoje em meio a uma polêmica. Pela primeira vez na história da instituição, vinculada à Faculdade de Engenharia de Bauru (FEB) da Universidade Estadual Paulista (Unesp), as aprovações do processo seletivo realizado anualmente foram parar na Justiça. 

Oriundos de escolas particulares, quatro alunos receberam acréscimo de 15% na nota da prova de conhecimentos gerais, bônus garantido, contudo, apenas aos estudantes que cursaram ao menos do 6º ao 9º ano do Ensino Fundamental na rede pública. Segundo o diretor do CTI, o professor Edson Alberto de Antonio, isso aconteceu porque os quatro candidatos - cujos nomes o JC não teve acesso - declararam, no preenchimento do formulário de inscrição online do vestibulinho, ter direito à vantagem.

E, como o sistema da Fundação Vunesp, responsável pelo exame, não possui uma lista com todas as instituições de ensino do País, o campo para informar o nome da escola de origem dos estudantes era livre. "O sistema aceita qualquer nome. Mas, no formulário, neste item específico sobre o bônus, estava claro o que era esta vantagem e para quem ela era destinada. E a pessoa deveria informar se tinha direito de um modo simples: respondendo sim ou não. Não havia margem para interpretação diferente", pondera.

O diretor explica que o edital do processo seletivo era explícito ao destacar que o candidato, caso não conseguisse, no momento na matrícula, comprovar as informações prestadas, seria desclassificado. E assim procedeu o CTI.

Um dos eliminados, porém, ingressou com uma ação na Justiça e obteve liminar favorável, sob o argumento de que, mesmo com a retirada do bônus de 15%, ele teria sido aprovado.

Com o precedente aberto, os demais fizeram o mesmo e também conseguiram confirmar a matrícula. Segundo Antonio, o CTI irá recorrer da decisão.

"Isso nunca tinha acontecido e criou um precedente complicado para os próximos processos seletivos. Possivelmente, as regras terão de ser revistas. Senão, corremos o risco de o bônus, criado para promover uma concorrência mais justa, perder seu efeito", acrescenta.

PREJUÍZO

O diretor salienta que a instituição irá acatar a decisão da Justiça, mas ressalta o prejuízo sofrido pelos candidatos que cumpriram todos os requisitos exigidos pelo edital e que deixaram de ingressar no CTI em razão da liminar.

"Quem ficou na lista de espera pode ser alguém que realmente precise da vaga para ter a oportunidade de estudar em um bom colégio e aumentar suas chances de cursar uma boa faculdade. Pelas regras do edital, esta pessoa estaria matriculada no CTI hoje. Assim, se ela também reclamar na Justiça, podemos ter até mesmo o cancelamento do vestibulinho", detalha.

De acordo com Antonio, atualmente, cerca de 60% dos estudantes do CTI são oriundos de escolas privadas. Além da crise, que estimulou muitas famílias de melhor renda a buscar formas de economizar, ele acredita que o fenômeno esteja relacionado ao avanço das políticas de cotas para acesso ao ensino superior.

"As cotas nas universidades do Estado de São Paulo estão atingindo 50% do total de vagas e boa parte é destinada aos alunos egressos do Ensino Médio público. E a qualidade do ensino do CTI é reconhecida. É claro que todos têm o direito de concorrer às vagas do nosso vestibulinho, mas os candidatos precisam agir com ética e princípios", completa.