10 de julho de 2026
Economia & Negócios

Quando a residência vira sede da empresa


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Cansado de ver seu trabalho restrito à lógica comercial de grandes empresas, o designer de moda Marco Botelho, 60 anos, resolveu largar seu emprego formal, em 2013, para iniciar um negócio próprio na oficina que montou em sua casa, no Planalto Paulista, na Zona Sul de São Paulo.

"Acumulo todas as funções: crio, fabrico e vendo", afirma o empreendedor mineiro, que já foi funcionário de grandes marcas, como a Ellus. "Atualmente, trabalho de acordo com minhas convicções. Não faço moda, faço roupa de muita qualidade", diz o dono da Marco Botelho Alfaiataria.

A redução de custos e de deslocamento e a maior praticidade em se iniciar um projeto dentro da própria casa empolgam os novos empreendedores, muitos deles, diferentemente de Botelho, movidos pela crise ou pela necessidade de ter uma fonte de renda.

Entre aqueles que optam por montar o negócio em casa estão muitos dos 7,8 milhões de microempreendedores individuais (MEI) registrados até 20 de janeiro no Portal do Empreendedor. O número representa um crescimento de 66% em três anos, desde o começo da retração da economia, no início de 2015, quando havia 4,7 milhões de brasileiros enquadrados nessa categoria.

Para a consultora do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) Ariadne Mecate, a crise econômica impulsionou o registro de novos MEI's no País. Ela acredita que, com a alta do desemprego nos últimos anos, a tendência é que os brasileiros busquem soluções caseiras - como pequenos negócios - para obter renda.