| Douglas Reis |
| Aos 80 anos, Élio Martins preserva a tradição da dança catira |
"Catira fez parte de toda a minha história. É a minha vida. Só vou parar quando eu morrer". É assim que Élio Martins - que completa 80 anos nesta quarta-feira (7) - define a dança do folclore nacional que também pode ser chamada de cateretê.
Trata-se de uma arte em movimento marcada pela batida dos pés e das mãos dos dançarinos. A coreografia, na maioria das vezes, é executada por homens (boiadeiros e lavradores). A apresentação pode ser formada por seis a dez componentes e mais uma dupla de violeiros, que tocam e cantam a moda.
Para Élio, morador há 50 anos do Parque Vista Alegre, a dança que conheceu ainda pequeno se resume em uma palavra: paixão. "Desde criança, quando eu morava no sítio, meu pai fazia festas juninas e eu via os catireiros que vinham de todas as partes para dançar nas festas. Aquilo me encantava", lembra.
Élio ainda conta que aprendeu a dançar com o pai e com esses catireiros que visitavam sua casa e que fez questão de não deixar a tradição se perder. "Não tive filho homem, tenho só uma filha. Mas ensinei a dança para o meu neto, Silvio Luiz. Ele se tornou um catireiro dos bons. Aprendeu com 10 anos e agora, aos 23 anos, dá aula de catira, dança e toca uma viola que dá gosto", conta orgulhoso.
VITALIDADE
Completando oito décadas, vitalidade e alegria são elementos que não faltam na vida do bauruense. "São 80 primaveras com muita força. Há nove anos, perdi minha companheira, vivo só eu e Deus. Mas sigo com alegria, até quando Deus deixar", conta.
E, mesmo sem a frequência de antigamente, a dança está presente até hoje, na rotina de Élio, que ainda recebe catireiros em sua casa e também participa do Clube Caçula de Catira, formado em 1958 e comandado por Toninho Domingues.
"Eu fico no 'banco de reservas', quando falta alguém eu entro no lugar, mas eu ainda danço e vai ser assim até eu partir", conclui.
SERVIÇO
Mais informações sobre o grupo Caçula de Catira podem ser obtidas diretamente com Toninho Domingues pelo telefone (14) 9 9794-1152 e pelo e-mail catirabauru@hotmail.com
| Reprodução |
| Obra “Catira”, da artista carioca Helena Coelho: dança é conhecida em várias partes do Brasil |