10 de julho de 2026
Geral

Famílias trocam favelas por áreas usadas em ocupações

Marcus Liborio
| Tempo de leitura: 3 min

Samantha Ciuffa
Luana, Lucas e a mãe, Elisabeth Urbano, agora estão em assentamento
Malavolta Jr
Sinei Rodrigues, da Defesa Civil de Bauru

A Prefeitura de Bauru, por meio da Defesa Civil, realiza um mapeamento de pessoas em situação de vulnerabilidade vivendo tanto em ocupações quanto nas chamadas favelas. Um estudo identificou que algumas famílias têm migrado das comunidades para áreas de acampamento.

O levantamento começou a ser feito em dezembro de 2017, com objetivo de traçar o perfil social dos familiares para, futuramente, subsidiar benefícios através de um plano de habitação que o município pretende colocar em prática ainda neste ano.

Até o momento, o poder público identificou 15 famílias que deixaram favelas para viver em áreas ocupadas por movimentos sociais, que reivindicam moradia na cidade.

"Elas alegam que há liderança nas ocupações, que impõe regras. Por isso, entendem que nestes locais há melhores condições para viver, além de se sentirem mais seguras", explica o coordenador da Defesa Civil, Sidnei Rodrigues.

Ele destaca que este cenário é novo na cidade, tendo em vista que as ocupações de grupos que lutam por habitação são recentes em Bauru.

"O primeiro se instalou aqui há pouco mais de dois anos. Então, presumimos que deva ter mais gente trocando as comunidades por acampamentos. Entretanto, só vamos confirmar esse dado após finalizar o levantamento. Esperamos concluí-lo até o final deste ano", projeta.

OUTRO CASO

Há outras famílias que tinham sido contempladas pelo programa federal Minha Casa Minha Vida (MCMV), mas que retornaram para barracos improvisados. Neste caso, contudo, a maioria diz não ter se adaptado ao local. 

"Um exemplo são os catadores de recicláveis. Eles dizem que, nos apartamentos, não conseguiam guardar o material recolhido ou que os imóveis ficavam longe das cooperativas".

SURGIMENTO 

Há, ainda, outros fatores envolvendo áreas com barracos. A Defesa Civil identificou duas novas comunidades na cidade: uma que havia sido extinta e agora foi retomada, e outra recém-criada. Ambas foram estruturadas por conta da crise financeira.

A primeira é conhecida como "Favela do Piquete", no Fortunato Rocha Lima, onde já estão instaladas 35 famílias. "A grande maioria retornou em razão do desemprego. A situação econômica do País contribuiu bastante para essa realidade", diz o coordenador.

A outra, batizada por Rodrigues como "Favela do Canarinho", foi instalada recentemente, também nas imediações do Fortunado - marginal da rodovia Bauru-Marília. "Essa é nova em Bauru. Lá, até o momento, vivem 54 famílias", enumera, ressaltando que a comunidade terá de ser transferida para outro local, já que a área em questão é destinada para atividade industrial. 

'FILTRO' 

A Defesa Civil está criando um sistema para realizar um levantamento das comunidades por meio de georreferenciamento. "Assim como o mapeamento, ajuda a filtrar quem realmente precisa ser beneficiado por programas voltados à habitação. E auxilia a ver rotatividade das famílias".

Justificativa

Elisabeth de Fátima Urbano, 43 anos, viveu por muitos anos na comunidade 9 de Julho, no Parque Jaraguá. Há cerca de dois anos, entretanto, decidiu migrar com o casal de filhos Luana, 17, e Lucas, 8, para o assentamento Estrela de Davi, no Distrito Industrial 4. Ela, que atualmente está desempregada, conta que se mudou em busca de uma vida melhor.

"A outra casa era cheia de gente. Moravam três famílias juntas. Eu sempre quis muito o meu cantinho. Aqui temos qualidade de vida. Tenho mais liberdade e segurança", frisa Elisabeth, confirmando que diversas famílias que hoje residem no acampamento vieram das chamadas favelas.

Plano de Habitação quer capacitar famílias de baixa renda

A visita de equipes da Defesa Civil aos assentamentos e comunidades em Bauru tem como objetivo cadastrar as famílias e realizar estudo do perfil de cada uma delas, denominado "Selagem". Esse é o primeiro passo da prefeitura para viabilizar o Plano de Habitação.

Segundo Sidnei Rodrigues, a intenção é subsidiar, futuramente, programas para beneficiar pessoas que vivem em situação de vulnerabilidade social. Para tanto, o poder público pretende fechar o diagnóstico ainda neste ano, para oferecer escolaridade e capacitação profissional, conforme a demanda. "O ideal é que a gente consiga melhorar a condição dessas pessoas".

Rodrigues destaca ainda que a ideia é transformar a medida em um projeto de lei, com recurso anual destinado exclusivamente para colocar o plano em prática e poder mantê-lo ao longo dos anos no município.