Para além de ser o mais rico do planeta em recursos naturais, somos os únicos neste mundinho que possuem três coisinhas que mais ninguém tem... jabuticaba, pororoca e réu condenado confirmado pela lei a pena de prisão mas solto, um 'quase-futuro-preso-mas-que-se-vê-livre'!
Umas gentes sentenciadas e condenadas em um exaustivo e lento processo legal com a mais ampla defesa para que depois um outro tribunal revisional analise tudo novamente com o fito de anular ou corrigir possíveis erros cometidos no primeiro julgamento e tome mais defesa e mais recursos. Aliás, recursos que não faltaram no primeiro julgamento, seja à defesa ou à Promotoria!
Mas eu prefiro nossa Justiça assim mesmo, lenta, repleta de lambuzas a defesa e de vida dura a quem acusa... Justiça rápida é forca e o risco do enforcado ser inocente é enorme.
Mas também me ensinaram nos bancos da ITE que se as leis de afogadilho paridas para responderem ao clamor popular diante de crimes infamantes são oportunistas e acabam por gerar o descrédito na Justiça pela ineficiência de sua aplicação a longo prazo, igualmente são desleais ao espírito das leis que através de jeitinhos travestidos de 'interpretações' se criem, com ares de justiça, entraves mil para que um alguém finalmente sentenciado as penas de prisão delas escape mais um pouco... Em casos assim não deixa de ser uma disfarçada lei de exceção talhada e costurada ao feitio do réu quase sempre, importante e famoso.
É o caso de Lula (em breve o será) nos altos tribunais.
Estes 'alfaiates' da Justiça que de tudo fazem para que os amigos não enverguem o uniforme de preso comum, deste modo ladino passam uma perigosa mensagem ao povo ao costurarem um traje bonitinho na forma jurídica, mas ordinário em sua essência... Qual mensagem? A de que nem todos somos tão iguais assim perante a lei!
Ao tecerem a roupinha moldada a conveniência do compadre acabam por costurar um verdadeiro 'terninho da impunidade'. Eis o meu aviso... as famosas "costureiras" do STF e do STJ já ensaiam uma nova coleção, toda ela 'prêt-à-porter' para livrar Lula da cadeia e permitirem que ele concorra à eleição presidencial.
A História ensina que não raramente, diante de coisas assim, cansado da impunidade, o povo acaba por rasgar a roupa de todo mundo, incluindo a toga dos juízes.