10 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Almoço de família: separe uma cadeira para o smartphone

Paulo Akiyama é formado em economia e em direito
| Tempo de leitura: 3 min

Em 1963, por meio do decreto 52.748, 8 de dezembro foi instituído como sendo o Dia da Família. Afinal, o que podemos considerar família e por que tanta importância foi dada a esta instituição que mereceu um decreto lei determinando uma data para ser comemorada?

Família é um grupo de pessoas interligadas por parentesco e que, supostamente, se amam, se respeitam, se ajudam mutuamente, convivem em paz e harmonia. Constituída a partir de um casal que se uniu por laços de amor, procriaram, e desta procriação, outros se uniram e deram origem à formação deste núcleo.

Mas, infelizmente, essa composição vem sofrendo com as inúmeras demandas e responsabilidades do dia a dia. Os momentos em grupos ficaram cada vez mais distantes da imagem de que tínhamos no passado. Além disso, as inúmeras crises que se originam umas das outras afetam diretamente a entidade familiar, e a prova disto é o aumento na dissolução de casamentos, disputas judiciais de guarda dos filhos e patrimônio familiar.

A total falta de respeito àquele grupo que deveria estar unido para poderem, juntos, enfrentarem as dificuldades, está se dissipando ou não mais existe. As reuniões de finais de semana com os filhos, noras, genros, netos e até bisnetos em torno de uma enorme mesa nos finais de semana, na casa da matriarca ou patriarca, para juntos degustarem um almoço cercado de histórias, conversas, risadas, ou seja, uma enorme confraternização, a cada dia que passa torna-se mais um folclore a ser estudado.

Hoje em dia, quando ocorre uma reunião da família, mesmo que parcial, é comum que boa parte dos participantes estejam com a atenção voltada aos seus smartphones, nas redes sociais, estando a todo momento olhando seus smartphones para verificarem se há uma mensagem nova, um post novo.

Há pouco diálogo entre todos, encerrando-se o almoço rapidamente, pois cada um possui ainda compromissos, deixando a imagem de que aquela reunião ocorreu por obrigação de todos, mas não por vontade de conviverem entre si, trocarem suas energias amorosas e fraternais.

Vale perguntar: o que é família para você?

Aquele patriarca e aquela matriarca, hoje com seus 70 anos, acostumados ao passado, quando se reuniam na casa de seus pais, irmãos ou parentes próximos, que passavam horas sentados na mesa de refeição conversando, sorrindo, trocando suas energias positivas com os seus parentes, hoje assistem, quando eventualmente ocorre uma reunião, cada um sentado em um canto com seus telefones, pessoas agitadas para seguirem com seus compromissos (mesmo que não tenham, imaginam ter), pessoas que não possuem mais aquela vontade de permanecerem na mesa de refeição conversando entre eles. Permanecem desligados daquele momento real que estão convivendo um com os outros.

Aqui vai um apelo: que tal no próximo almoço em família todos, ao ingressarem no local do almoço, depositarem seus smartphones em uma caixa destinada a isto e somente retirarem no momento de ir embora? Que tal experimentarem uma experiência (que não o é) de se reunirem em volta de uma mesa de refeição sem estarem providas dos celulares e experimentarem a sensação de conversarem ao vivo e em cores com os seus parentes e amigos?

Todos irão sentir um estado de abstinência, mas que será suprido por uma sensação especial: convívio familiar e amor. Certamente seus avós ou tios vão sentir que estão recebendo atenção, que aqueles ali sentados são seres humanos e não robôs usando tecnologia. Vamos todos experimentar ser uma família, vamos todos sentir o prazer de conviver com seres humanos, e não com aparelhos "devices" eletrônicos. Quem sabe, com esta experiência possamos voltar ao princípio básico de família e, através disto, termos uma visão diferente da vida.