Dizer que no Brasil tudo começa após o Carnaval é muito egoísmo da nossa parte, ou até mesmo rejeitar a história! Explico: na verdade, até o século 54 A.C. no Ocidente o calendário era apenas de 10 meses. Foi Júlio César quem instituiu essa mudança. Eis o porquê de dezembro não ser o mês 10, novembro não ser o mês 9 e assim por diante.
Falemos um pouco sobre o "Novo" (com todo respeito e sem qualquer hipótese de trocadilho ao Partido Novo, devidamente registrado no TSE). Me refiro ao novo que surge mais uma vez entrando em cena buscando uma cara nova sem propostas ou projetos novos neste ano eleitoral!
Boa parte dos nossos eleitores acredita que o "Projeto Novo" virá em outra forma ou, usando o termo da moda, um outside misto de celebridade com pureza, fazendo um discurso antipolítica, mas sem nenhuma experiência ou projeto concreto, alicerces de qualquer mudança ou inovação!
O "novo" sempre esteve na moda no cenário da política nacional, teremos jovens com discursos puros mesmo quando são velhas raposas, e ao mesmo tempo teremos múmias tentando pousar de hit do verão!
No Brasil, a expressão "Novo" foi usada em muitas situações dentro da política. Façamos um exercício de memória. Batizaram a nossa República de "Nova República", qual de nós não leu sobre o "Estado Novo" da era Vargas, nossa economia também "inovou" com o "Cruzeiro Novo", que foi de 1967 a 1970 e a moeda corrente do Governo Collor (que também era novo) conhecida por "Cruzado Novo". Que na verdade todas as situações buscavam um milagre econômico que naufragou diante de um projeto fraco e sem sustentação.
Enfim, neste ano de eleição (se não fosse Júlio César, estaria começando agora), teremos mais uma vez o velho discurso da busca pelo "Novo", e esse novo, certamente chegará na sua mão, na sua casa ou no seu celular de forma digital ou no velho e bom papel, mas certamente chegará!
Façamos o exercício de saber separar o mais velho discurso sobre ser novo, daquele que realmente busca caminhos e soluções que de fato levem nosso Estado e Nação para a transformação e desenvolvimento que necessitamos, com ética, moral, trabalho e experiência! Credibilidade na construção e condução dessa estrutura chamada Brasil.
Portanto, todo dia é um recomeço, é um novo dia, saibamos fazer dele o melhor! O novo em um País tão desigual quanto ao nosso são valores de ética, responsabilidade social e gestão pública!
O cuidado e zelo com o que é público e o mais important. Que o esse espírito seja renovado sempre, mas jamais sem ser pautado por esses princípios de conduta!
Escrevi esse artigo com uma música do Roupa Nova na cabeça... "A vida tem sons que pra gente ouvir// Precisa aprender a começar de novo// É como tocar no mesmo violão// E nele compor uma nova canção".
Obs: Reitero meu respeito ao Partido Novo e reafirmo que não houve nenhum trocadilho ao referido partido.
O autor é jornalista.