11 de julho de 2026
Bairros

Defesa Civil interdita casas por problemas em muros de arrimo

Cinthia Milanez
| Tempo de leitura: 3 min

Fotos: Defesa Civil/Divulgação
Na rua Manoel Rodrigues Maduro, Bauru 16, Defesa Civil interditou imóvel por conta do problema
No Jd. Carolina, 12 casas foram interditadas; na foto, imóvel invadido por água na rua Olavo Moura

A base de qualquer construção é o muro de arrimo. Mas nem sempre tal estrutura recebe a atenção devida na hora da construção. Entre 2017 e 2018, a Defesa Civil, em Bauru, interditou cerca de 25 imóveis por conta desse problema.

Assistente do órgão, Paulo Juarez Rodrigues afirma que, normalmente, os muros são mal construídos, mal projetados ou foram feitos há vários anos, quando a topografia do terreno era diferente - com o tempo, para construir uma residência mais moderna, tira-se a terra e o muro de arrimo do vizinho fica exposto, fato que faz com que trinque ou até mesmo desmorone.

Embora o município já tenha histórico de colapso de muros de arrimo, Paulo percebeu essa tendência desde o ano passado, quando começou a atuar na Defesa Civil. "Na rua Olavo Moura, no Jardim Carolina, chegamos a interditar 12 casas, porque a água entrou pela Benedito Ribeiro dos Santos, derrubou o muro de arrimo e inundou todos os imóveis da parte inferior da via", exemplifica.

No Jardim Carolina, o problema foi pontual. De maneira geral, a Defesa Civil interdita locais onde há aclive ou declive. "O Jardim Bela Vista e o Nova Esperança, por exemplo, têm muitos muros de arrimo comprometidos", revela.

Segundo o assistente, o primeiro passo de uma construção é fazer o muro de arrimo, com o propósito de evitar que a casa a ser levantada e a dos vizinhos sofra qualquer dano. "Só que é muito comum construir as residências para, só depois, fazer o muro. Há, ainda, quem opte por economizar e a estrutura não é feita com a resistência necessária".

PASSO A PASSO

Quando os moradores denunciam, a Defesa Civil vai até o local, avalia e, se houver risco iminente de colapso, isola a área - às vezes, tira a família da casa. "O proprietário do imóvel que está causando problemas e daquele que está sendo prejudicado são comunicados. Se não tiver acordo, o prejudicado deve procurar a Justiça", informa.

Há situações em que os moradores têm condições de se abrigar na casa de parentes e amigos ou, até mesmo, alugar outro imóvel. Agora, quando não possuem condições para tanto, são encaminhados à Secretaria Municipal do Bem-Estar Social (Sebes), que avalia a possibilidade de incluí-los no aluguel social.

Ainda segundo Paulo, 50% das casas interditadas tiveram a sua construção financiada pela Caixa Econômica Federal. "Quando entrega o imóvel, está tudo perfeito. Depois de seis meses ou um ano, os problemas começam a aparecer, principalmente, no muro de arrimo. Mesmo que o banco não tenha feito a construção, também é responsável", pontua.

Normalmente, a Defesa Civil envia um relatório ao morador do imóvel causador dos problemas, que apresenta a queixa junto ao banco. Se, na avaliação da Caixa, a construtora, de fato, ocasionou os danos, determinará a realização dos reparos necessários. Caso contrário, deve-se recorrer à Justiça.

Para evitar essa dor de cabeça, Paulo aconselha a contratação de um profissional qualificado - no caso, um engenheiro estrutural - para fazer o projeto. "Senão, o barato acaba saindo caro", comenta.

A Caixa Econômica Federal informou, por meio da assessoria de comunicação, que o imóvel objeto de financiamento imobiliário passa por avaliação técnica para verificar o valor de mercado e condições de habitabilidade. "Conforme exigência do Sistema Financeiro Habitacional (SFH), todas as operações contam com a contratação obrigatória de seguro de Danos Físicos do Imóvel (DFI), que pode ser acionado em caso de sinistro previsto na cobertura do plano".

A Caixa rebateu ainda que a disponibilização de recursos para a operação de financiamento não torna o agente financeiro responsável pela integridade do imóvel. "Toda construção deve ter um responsável técnico, projeto aprovado pela prefeitura, alvará de construção, além de vistoria da prefeitura para emissão do Habite-se".

SERVIÇO

Para denunciar problemas estruturais nos imóveis, basta entrar em contato com a Defesa Civil, através do e-mail defesacivil@bauru.sp.gov.br, do telefone (14) 3235-1169 ou do WhatsApp (14) 99108-1200.