08 de julho de 2026
Geral

Moradores resistem em desocupar área

Thiago Navarro
| Tempo de leitura: 4 min

Thiago Navarro
Moradores migraram de uma área para outra no Distrito IV, mas reintegração segue passível

Com reintegração de posse marcada para acontecer a partir da próxima quarta-feira, dia 28 de fevereiro, os moradores do assentamento Estrela de Davi, no Distrito Industrial IV, afirmam que não pretendem deixar o local. A reintegração foi pedida pela Prefeitura de Bauru, pois a área, ao lado da Quinta da Bela Olinda, na região do Mary Dota, já tem destinação para uso industrial, com algumas empresas instaladas e outras com concessão de área em andamento.

O coordenador municipal de Defesa Civil, Sidnei Rodrigues, diz que a prefeitura está tentando evitar que a reintegração seja necessária, levando os moradores que se enquadram nos critérios socioeconômicos para outro assentamento, o Nova Canaã, que fica perto da Unesp e está dentro de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) assinado entre a prefeitura e o Movimento Social de Luta dos Trabalhadores (MSLT) com o Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP), conforme o JC antecipou no dia 26 de janeiro.

A área onde fica o Nova Canaã foi alugada pelo município, que vai pagar cerca de R$ 25 mil mensais, por três anos, e que já conta com 700 famílias, que vieram dos assentamentos Morada do Sol, Morada da Lua e Morada das Estrelas - que estavam no Jardim Mary e Jardim Marabá - e ainda do Baurulândia. Apenas famílias com renda de até meio salário mínimo por pessoa podem ficar nesse local.

SEM BANDEIRA

No caso do Estrela de Davi, eram cerca de 340 famílias, mas muitas já deixaram o local, frisa Rodrigues. Os moradores afirmam que restam 150, atualmente. Parte está dentro dos critérios para ir ao Nova Canaã, e apenas 12 seguiram para lá, pois há resistências por diversos motivos. Um dos fatores é que vários membros deixaram o MSLT, e declaram que, a partir do dia 28, o Estrela de Davi não estará vinculado a nenhuma bandeira.

A moradora Sarah de Jesus Ferreira Guimarães é quem tem sido o contato dos assentados com o governo. "A bandeira permanece até o dia 28. Nos reunimos e decidimos lutar só o povo, a comunidade. Essa data é quando tem o prazo da reintegração, e vamos lutar, porque não tem condição de ir para o Nova Canaã. Lá, não tem estrutura, até mesmo a água está complicada, falta transporte coletivo. Todos aqui estão por livre e espontânea vontade, quem quiser pode ir para o Nova Canaã", frisa. "E não queremos nada de graça. Os moradores querem pagar IPTU, água, ter acesso aos serviços básicos", justifica.

Ela critica, ainda, que o grupo encontra pouco respaldo da prefeitura. "Aqui, todos são de Bauru. A ocupação cresceu por conta do desemprego, da crise", pontua. Os moradores também citam que, no Estrela de Davi, passa coleta de lixo e há transporte público perto, além de as crianças estarem matriculadas em escolas da região e a maioria cadastrada na Unidade Básica de Saúde (UBS) do Mary Dota.

A reportagem tentou contato, ontem à noite, com o líder do MSLT em Bauru, Márcio Oliveira, mas não obteve retorno até o fechamento desta edição.

MUDANÇA

Outra medida tomada pelos moradores foi deixar parte do Distrito Industrial IV e se concentrar em um espaço menor do lote, no setor mais próximo ao acesso para a Bela Olinda. Na visão dos assentados, isso ajudaria a evitar a reintegração, o que é negado pela prefeitura.

"Eles continuam no Distrito Industrial IV, apenas mudaram de uma parte para outra, mas onde eles estão indo é do Distrito, inclusive, ocupando uma área verde e pode sofrer a reintegração. Suspendemos uma vez o processo de reintegração, no ano passado, mas, agora, não pode adiar de novo. A gente não quer chegar a esse ponto, porque, quando há reintegração, eles só podem retirar os pertences e móveis... o resto é demolido. Antes da reintegração, é possível desocupar aproveitando os materiais, para usar em outro lugar", detalha Rodrigues.

Segundo ele, independentemente de estarem fora do MSLT, os moradores podem ir para o Nova Canaã, pois quem alugou o terreno foi a prefeitura, desde que estejam dentro dos critérios de vulnerabilidade.

Estrutura no Nova Canaã

Em relação à estrutura do Nova Canaã, na região da Unesp, para onde a prefeitura pretende levar os moradores do Estrela de Davi, o coordenador da Defesa Civil, Sidnei Rodrigues, reconhece que será necessário melhorar. "O TAC prevê que a ligação de água seja feita em um ano, mas vamos ter que antecipar. Já falamos com o DAE para instalar um hidrômetro único, com as ligações individuais, e os moradores rateando a conta. Deve ser feito logo. A Emdurb também já está definindo as linhas do transporte coletivo que terão o percurso ampliado até lá, a coleta de lixo, e a Secretaria de Obras vai melhorar o acesso das ruas", relata.

Além dos assentamentos que agora estão concentrados no Nova Canaã e da situação do Estrela de Davi, Rodrigues menciona que há um assentamento menor, de outro grupo, chamado Terra Prometida, perto do Núcleo Bauru 16, e o Morada Nova e os Cristais, ambos perto do Núcleo Octávio Rasi, que são do MSLT e estão em área da União, podendo ter solução com o Incra nos próximos meses.