09 de julho de 2026
Regional

Cidades usam de drone a 'brigada' no combate a mosquito da dengue

Aurélio Alonso
| Tempo de leitura: 13 min

Divulgação
Drone sendo preparada pela guarda-civil municipal de Botucatu 

A "guerra" ao mosquito Aedes aegypti não para. Diariamente, uma legião de servidores públicos percorre as casas e prédios comerciais e industriais para orientar a não deixar acumular água em recipiente, que pode servir de criadouro do mosquito que transmite várias arboviroses. Agora não é só o risco da dengue, o mesmo vetor (mosquito) pode transmitir a febre amarela, zika e chikungunya. Por enquanto, nas regiões de Bauru, Lins, Jaú e Botucatu só há a incidência de casos de dengue em número ainda controlado. Mas não dá para baixar a guarda. Botucatu, por exemplo, recorre ao uso de drone para sobrevoar locais de difícil acesso que pode servir de criadouros do mosquito.

A Secretaria Estadual da Saúde informa que, em todo o Estado, até a primeira quinzena de fevereiro, houve 1.358 casos da doença num levantamento que inclui 645 municípios.

"Os casos de dengue têm caído ano a ano em São Paulo como resultado de mobilização de agentes estaduais e municipais no combate ao Aedes aegypti, por meio de mutirões, além da colaboração da sociedade civil na eliminação de potenciais criadouros", esclarece a Secretaria.

Em 2017, foram confirmados 5.932 casos, o que representa 3,6% do total registrado em 2016, quando foram confirmados 162.497 casos no Estado; e apenas 0,8% do total de 2015, quando houve 678.031 casos confirmados de dengue, de acordo com a Secretaria de Saúde Estadual.

Realmente 2015 foi o ano que "estourou" o número de casos confirmados em todo o Estado e inclusive na região. Em Lins, por exemplo, a Secretaria de Saúde registrou 1.763, depois no ano seguinte decaiu para 68, apenas 4 em 2017 e até fevereiro deste ano 3 casos, conforme informação da secretária de Saúde de Lins, Claudia Regina Nunes. 

Outra cidade da região que sofreu com casos confirmados de dengue foi Jaú no ano de 2014, quando 4.346 pessoas contraíram a doença. O vírus circulante foi do tipo 1. Desde aquela época a prefeitura adotou uma série de medidas de combate aos criadouros e semanalmente faz mutirões para a retiradas de objetos inservíveis. Longe do grande número de casos de 2014, no ano seguinte houve redução para 212, depois 51 em 2016, apenas dois casos no ano passado e neste ano até a última semana foram registrados cinco casos (4 autóctones e um importado), conforme informação de Leila Aparecida Garcia Rossi, diretora da Vigilância Epidemiológica de Jaú.

Os pacientes que contraíram a doença em Jaú neste ano são moradores do Jardim Bela Vista, Jardim Pires II, Jardim Itamaraty e Bairro Santo Antonio. Nesses locais, equipes de saúde já realizaram ações de bloqueio e nebulização. Diante disso, a prefeitura fez mutirão em cinco bairros para recolher materiais que possam acumular água.

Em Botucatu, a Vigilância Ambiental de Saúde adota um sistema de "patrulhamento aéreo". Com auxílio da Guarda Civil Municipal (GCM) tem utilizado um drone para sobrevoar locais de difícil acesso. Há poucos dias, a prefeitura conseguiu pelas imagens verificar que em um terreno havia grande quantidade de pneus descartados. Antes o proprietário não permitia a visita dos agentes. Agora, a prefeitura vai tentar um mandado judicial para entrar no local para recolher o material que pode servir de criadouros de mosquito. Leia mais nas páginas 18 e 19

Botucatu usa drone na fiscalização

 
Guarda-civil prepara drone para fazer sobrevoo de prédio para verificar as condições do imóvel; e foto mostra vista do alto

A eliminação dos recipientes que possam empoçar água é a medida mais eficaz para evitar a proliferação do mosquito, mas nem todo proprietário de imóvel ou de terreno comercial colabora com as equipes de fiscalização para permitir a entrada nos imóveis para vistoriar. Em alguns casos, somente pela via aérea seria possível verificar se o local atende as exigências legais. A Vigilância Ambiental tem recorrido ao uso de drone para sobrevoar esse terrenos e já obteve sucesso ao conseguir localizar um depósito com grande quantidade de pneus.

Se esse material ficar armazenado de maneira incorreta pode servir para acúmulo de água e se transformar em "incubadeira" de mosquito Aedes aegypti. Valdinei Campanucci, supervisor de Serviços de Saúde Ambiental e Animal da Secretaria Municipal de Saúde de Botucatu, explicou que o drone só é usado quando os agentes não conseguem entrar em imóvel suspeito de acumular material inservível que pode servir de criadouro do mosquito.

Mas não basta só a verificação por meio de drone, depois disso tem que conseguir pela via judicial uma autorização para que a fiscalização da prefeitura consiga entrar no local com infestação para remover o foco de mosquito. "As imagens ajudam a servir de prova que o local precisa ser vistoriado", declarou Campanucci.

Até o momento a prefeitura aguarda a decisão judicial para fiscalizar o suposto depósito de pneus. O trâmite é demorado, mas o drone também serve para sobrevoos em imóveis abandonados para verificar se tem alguma caixa d' água, piscina ou algum tipo de reservatório com água parada que pode servir de criadouro das larvas do mosquito não está de acordo com as medidas de saneamento. A fiscalização é feita junto com a Guarda Civil Municipal (GCM), mas a campanha de conscientização e o constante trabalho de pedir à população para não acumular água é o melhor meio para combater a incidência de dengue.

Nem o fato de o município ter um clima com temperaturas mais baixas é fator inibidor para proliferação do mosquito. Nos últimos dias a prefeitura verificou que o índice de levantamento do número de locais com larvas do mosquito atingiu 6,5%. É um percentual, considerado alto, por isso tem se intensificado as equipes nos bairros. "Ainda o vaso de flor e calhas são os grandes 'vilões' e precisam estarem sempre limpos para não acumular água", diz o supervisor.

No ano passado, Botucatu registrou sete casos confirmados de dengue (dois importados e quatro autóctones). Em 2017, foram dois casos "importado" (pessoa que veio infectada de outro município) confirmados e quatro autóctone (contraído na cidade).

Lins usa 'brigadas' contra o mosquito

O município de Lins registrou em todo o ano passado quatro casos de dengue, mas já enfrentou uma incidência alta em 2015 quando houve 1.763 pessoas infectadas. A dengue tem um ciclo sazonal de dois a três anos quando "explodem" os números de casos. O Estado enfrentou a alta incidência entre os anos de 2014 e 2015.

No caso da dengue, a doença apresenta quatro tipos de sorotipos diferentes. Ao ser infectado por um tipo de vírus da dengue, a pessoa ficará sempre imunizada para esse determinado sorotipo, mas não imune aos outros tipos de vírus da doença, explica o epidemiologista Bernardino Alves Souto da Universidade de São Carlos (UFscar).

Diante disso, quando ocorre de picos de grande incidência de um sorotipo no ano seguinte cai, porque a população que teve a doença fica imune àquele sorotipo, mas se for contaminado por outro sorotipo a doença vem em quadro mais grave, podendo ser hemorrágica.

A secretária municipal de Saúde de Lins, Claudia Regina Nunes, conta que nos últimos anos o número de casos decaiu. Em 2016, foram 68, em 2017 houve 4 e neste ano em dois meses são 3 casos autóctones (adquirido no mesmo local).

As medidas de prevenção são 'brigadas' para vistoriar os locais que podem servir de infestação de mosquito. E também os problemas enfrentados é comum a demais cidades: ainda a população deixa água em vasos, ralos e locais que podem acumular água parada. Apesar de toda a campanha de orientação e da divulgação em rádio e jornais ainda os moradores insistem em manter dentro de suas casas potenciais criadouros de mosquito. "Estamos atentos e orientando as crianças nas escolas. Também criamos uma sala de situação com reuniões em empresas e imóveis públicos para orientar a não deixar criadouros do mosquito", declarou a secretária de Saúde.

Ela observa que a situação está sob controle, mas a equipe não para, principalmente na vistoria de imóveis fechados nos períodos que chove muito e depois a temperatura aumenta. O vírus é muito favorecido por essa mistura de tempo úmido e quente, porque é nesse período que as fêmeas do mosquito encontram mais água parada para fazer a desova, com isso, o número de mosquitos aumenta e os registros das doenças transmitidas por ele também. Para evitar doenças como a dengue é necessário higiene e limpeza. "Nós tempos muitos imóveis fechados, mas fizemos uma reunião com proprietários de imobiliária passando orientações de como têm que fazer para essas casas que estão fechadas não possam se transformar em criadouros de mosquito. Quando há denúncia de morador de que nesse local tem muito pernilongo enviamos a equipe de agentes e solicitamos á imobiliária as chaves para entrar no imóvel", declarou a secretária.

Lençóis: índice baixo de infestação

A eliminação dos recipientes que possam empoçar água é a medida mais eficaz para evitar a proliferação do mosquito, mas nem todo proprietário de imóvel ou de terreno comercial colabora com as equipes de fiscalização para permitir a entrada nos imóveis para vistoriar. Em alguns casos, somente pela via aérea seria possível verificar se o local atende as exigências legais. A Vigilância Ambiental tem recorrido ao uso de drone para sobrevoar esse terrenos e já obteve sucesso ao conseguir localizar um depósito com grande quantidade de pneus.

Se esse material ficar armazenado de maneira incorreta pode servir para acúmulo de água e se transformar em "incubadouro" de mosquito Aedes aegypti. Valdinei Campanucci, supervisor de Serviços de Saúde Ambiental e Animal da Secretaria Municipal de Saúde de Botucatu, explicou que o drone só é usado quando os agentes não conseguem entrar em imóvel suspeito de acumular material inservível que pode servir de criadouro do mosquito.

Mas não basta só a verificação por meio de drone, depois disso tem que conseguir pela via judicial uma autorização para que a fiscalização da prefeitura consiga entrar no local com infestação para remover o foco de mosquito. "As imagens ajudam a servir de prova que o local precisa ser vistoriado", declarou Campanucci.

Até o momento a prefeitura aguarda a decisão judicial para fiscalizar o suposto depósito de pneus. O trâmite é demorado, mas o drone também serve para sobrevoos em imóveis abandonados para verificar se tem alguma caixa d' água, piscina ou algum tipo de reservatório com água parada que pode servir de criadouro das larvas do mosquito e não está de acordo com as medidas de saneamento. A fiscalização é feita junto com a Guarda Civil Municipal (GCM), mas a campanha de conscientização e o constante trabalho de pedir à população para não acumular água é o melhor meio para combater a incidência de dengue.

Nem o fato de o município ter um clima com temperaturas mais altas é fator inibidor para proliferação do mosquito. Nos últimos dias a prefeitura verificou que o índice de levantamento do número de locais com larvas do mosquito atingiu 6,5%. É um percentual, considerado alto, por isso tem se intensificado as equipes nos bairros. "Ainda o vaso de flor e calhas são os grandes 'vilões' e precisam estarem sempre limpos para não acumularem água", diz o supervisor.

No ano passado, Botucatu registrou sete casos confirmados de dengue (dois importados e quatro autóctones). Em 2017, foram dois casos "importado" (pessoa que veio infectada de outro município) confirmados e quatro autóctone (contraído na cidade).

Diagnóstico nem sempre é simples

O mosquito Aedes aegypti é o vetor para a transmissão de mais de uma doença. Por isso o conceito é mais amplo e chamado de arboviroses que já estão instaladas no meio urbano no Brasil. Além da dengue, há a febre amarela, zika e chikungunya. E o combate ao principal transmissor da doença, na rede de saúde se depara com outra dificuldade: o diagnóstico nem sempre é tão simples e fácil.

O JC teve acesso a informações do pesquisador e docente do Departamento de Medicina (DMed) distribuída pela assessoria de imprensa da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) Bernardino Alves Souto que explica que, no caso da dengue, a doença apresenta quatro sorotipos diferentes. Os sintomas iniciais também são febre, dores de cabeça, nos olhos e dor muscular é mais intensa. O tratamento inicial é para conter os sintomas. O quadro pode agravar e progredir para a dengue hemorrágica, quando os episódios de sangramento podem ser severos e a doença passa potencialmente fatal.

O especialista na área de epidemiologia explica por meio da assessoria de imprensa da UFSCar que a pessoa ao ser infectada por um tipo de vírus da dengue passa a ficar imunizada para esse determinado sorotipo, mas ela não fica imune aos outros tipos da doença.

Souto destaca que a avaliação de um médico é fundamental para o atendimento do paciente e em casos de dúvidas o infectado deve ser tratado como se estivesse com a dengue, já que a doença apresenta complicações agudas graves, podendo matar nos primeiros quinze dias dos sintomas. "Se um caso de dengue for tratado como zika ou chikungunya, oportunizamos a ocorrência de complicações mortais. O contrário não causa nenhum dano", explica o docente da UFScar. O índice de mortalidade da dengue é bastante inferior da febre amarela e chega a 2% em epidemias de repetição.

Nos casos de dengue, chikungunya e zika, os resultados, às vezes, se confundem e é preciso acompanhar a evolução do paciente ou dos próprios exames que devem ser repetidos ou feitos por técnicas diferentes, aponta o professor.

Ele afirma que os exames para o diagnóstico estão disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS) brasileiro, mas que é preciso descentralizar o processo para que os resultados cheguem mais rápido. "Os exames costumam ser encaminhados para alguns laboratórios mais centrais do SUS e isso atrasa muito até que o resultado esteja disponível para o médico. É necessário descentralizar essas ações, principalmente nas cidades de interior das regiões mais afetadas", defende. "Apesar disso, os exames específicos não são essenciais para o tratamento, de modo que o resultado acaba sendo mais importante para fins de vigilância epidemiológica do que para o cuidado com os doentes. Vale lembrar que a vigilância epidemiológica é tão importante quanto o tratamento dos infectados", reforça o professor.

O docente destaca ainda que o combate ao Aedes aegypti é ineficaz no Brasil desde que a dengue retornou ao País há mais de 40 anos. "A falta de políticas públicas responsáveis em relação à educação, à convivência social e ao meio ambiente é evidente e não será compensada por meio de tecnologias focais, biomédicas ou industriais", explicou o pesquisador da UFScar.

Souto destaca que a prevenção dessas doenças deve ser o combate ao mosquito transmissor, adotando cuidados ambientais e evitar o empoçamento de água.

Marília tem chikungunya

Não só a dengue preocupa. O Aedes aegypti também pode transmitir outras arboviroses, como a chikungunya. Em Marília (100 quilômetros de Bauru), a Secretaria Municipal da Saúde confirmou na última segunda-feira o primeiro caso autóctone de febre chikungunya na cidade. O morador, de 65 anos de idade, reside na Vila Altaneira, zona leste, e começou a sentir os sintomas no início de dezembro de 2017, porém só procurou por atendimento médico no mês de janeiro, quando foram realizadas notificações para várias doenças, sendo que a única positiva foi para a febre chikungunya.

A secretaria alerta também que as medidas de controle por parte da população precisam ser mais efetivas e constantes, procurando eliminar todos os criadouros dos mosquitos Aedes aegypti e Aedes albopictus, transmissores da febre chikungunya.

Já na primeira semana de março será realizado mais um grande mutirão de limpeza em toda a cidade, atendendo determinação do prefeito Daniel Alonso em fazer duas grandes operações anuais neste sentido, como já ocorreu em 2017. Em janeiro deste ano foram registrados apenas seis casos de dengue em Marília.

A febre chikungunya é uma doença transmitida pelos mosquitos Aedes aegypti e Aedes albopictus. No Brasil, a circulação do vírus foi identificada pela primeira vez em 2014.  

"A chikungunya pode deixar sequelas incapacitantes e, mesmo na fase aguda, deixar a pessoa quase inválida até que melhore. Além disso, pessoas portadoras de doenças crônicas podem ter complicações graves e até fatais, se infectadas por qualquer arbovirose", esclarece o epidemiologista Alves Souto por meio da assessoria de imprensa da UFScar. De acordo com o docente, a experiência mundial com a doença, mostra que a chikungunya dificilmente aparece, pela primeira vez, como uma epidemia de grandes proporções. A doença surge de forma esporádica por alguns anos em alguma população até causar uma epidemia maior.