| Douglas Reis e Quioshi Goto/JC Imagens |
| Delegado Ricardo Martines fala sobre as medidas preventivas |
| Major Fabiano Serpa destaca as ações policiais intensivas |
Se a virada do ano ainda não emplacou grandes novidades positivas em vários segmentos, um índice foge desse cenário e merece destaque. De acordo com levantamento do JC junto a autoridades, Bauru passou 98 dias sem nenhum registro de homicídio. A boa notícia até então - que o jornal gostaria de divulgar sempre - foi interrompida na tarde de ontem, após um jovem de 19 anos ser morto a tiros na região do bairro Quinta da Bela Olinda (leia mais abaixo).
Antes do caso deste sábado, a última ocorrência de assassinato havia sido registrada no dia 17 de novembro do ano passado. Na ocasião, um jovem de 20 anos foi achado com um tiro no peito às margens da rodovia Bauru-Marília, na região do Parque Val de Palmas.
Depois disso, dezembro não teve nenhum registro sequer e nem mesmo janeiro, segundo os dados oficiais mais recentes divulgados nesta sexta-feira pela Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP).
Para se ter uma ideia do que isso representa, um janeiro sem qualquer homicídio não ocorre há, pelo menos, 17 anos. As estatísticas criminais começaram a ser divulgadas pela SSP somente em 2002 e, desde então, isso nunca havia ocorrido. A fins de comparação, em janeiro de 2014, a cidade registrou oito assassinatos, maior número da série para o mês.
As polícias Militar e Civil atribuem o bom resultado desse longo período recente sem mortes ao esforço conjunto para identificar e prender criminosos envolvidos em ocorrências violentas, como acerto de contas, e ao aumento de apreensões de armas de fogo.
Comandante do 4.º Batalhão de Polícia Militar do Interior (4.º BPM-I) , o major Fabiano de Almeida Serpa elenca três categorias principais de homicídio: passional, que geralmente ocorre em ambientes familiares; casos envolvendo brigas entre bandidos, principalmente em razão de dívidas de drogas; e episódios em que a vítima é assassinada em decorrência de um roubo, por exemplo, o chamado latrocínio (roubo seguido de morte).
"No caso de crimes passionais, sendo a maioria praticada com uso de arma branca, é mais difícil de prevenir, pois foge do nosso controle. Já em relação às outras duas categorias, é possível desenvolver ações de combate. Existe um trabalho conjunto entre PM e Polícia Civil nessa questão, que envolve identificar os criminosos logo após o cometimento de um roubo, por exemplo, e a prevenção através da apreensão de armas de fogo", frisa.
Serpa pontua que o número de homicídios, bem como de outras ações criminosas, vem caindo desde o segundo semestre de 2017, resultado de ações intensivas das polícias de Bauru. "A gente projeta uma tendência de uma queda ainda maior para os próximos meses. Isso traz uma expectativa positiva de segurança para a população. Apesar da crise e do desemprego, que influenciam nos crimes, temos conseguido controlar os índices", finaliza.
'COMEMORAR'
Delegado seccional de Bauru, Ricardo Martines destaca que o bom índice dos últimos dias, frente a uma população flutuante em Bauru de 400 mil pessoas, mostra que o esforço voltado à segurança pública está sendo eficaz. "É fruto do trabalho que fizemos, tanto da Polícia Civil quando da PM. Temos que comemorar", exalta Martines, ponderando que as ações preventivas seguem independentemente do resultado ser positivo ou negativo.
Ele reforça que a Polícia Civil tem conseguido identificar e prender acusados de homicídios praticados por rixas entre grupos criminosos, o que colabora para que não ocorram novos casos. "Ao prendê-los, a gente evita o revide, ou seja, o acerto de contas. Também aumentou a quantidade de armas de fogo tiradas de circulação em Bauru", explica o delegado, ressaltando que também enxerga que a queda do índice de homicídio vem seguindo uma tendência.
MAIS PACÍFICA
Bauru foi classificada como a segunda cidade mais pacífica do País entre os municípios com mais de 300 mil habitantes em estudo divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) no ano passado, conforme o JC divulgou.
Dias de esperança...
Ligado a causas humanitárias e campanhas de solidariedade há cerca de 50 anos, o tesoureiro do Centro Espírita Amor e Caridade (Ceac) - entidade mantenedora do Albergue Noturno de Bauru -, Uriel de Almeida destaca que o longo período sem mortes indica esperança de dias melhores. "É uma luz no fim do túnel".
"Por mais que afirmem que o Brasil está perdido, eu vejo diferente. Esses escândalos de corrupção que estão, finalmente, mexendo no lixo. Isso serve de exemplo por mostrar que não há tanta impunidade assim. Esse aspecto acaba influenciando, de certa forma, na queda de violência", complementa Uriel.
Ele pondera, entretanto, que é preciso evoluir mais, como no que diz respeito ao fortalecimento das famílias. "Desestruturação familiar é uma ameaça para a sociedade. Reverter essa realidade é uma tarefa das entidades religiosas, que precisam acompanhar mais as famílias e oferecer toda a assistência possível".
E mais...
Caíram os casos de furtos e roubos em Bauru, conforme dados divulgados pela SSP-SP. O primeiro teve 401 registros em janeiro de 2017 e 370 no mesmo período deste ano. A quantidade de assaltos foi de 88 no ano passado e 83 no primeiro mês de 2018. Por outro lado, os casos de estupros saltaram de 6 em janeiro de 2017 para 10 no mês passado.
Jovem de 19 anos é assassinado
| Tisa Moraes |
| Polícia Militar esteve no local do crime neste sábado |
Um jovem de 19 anos anos foi morto a tiros, na tarde de ontem, no Jardim Ivone, região do bairro Quinta da Bela Olinda. Gabriel Ferreira Serrano da Silva apresentava duas perfurações, no abdômen e na parte de trás da cabeça, provocadas por arma de fogo.
O crime ocorreu na rua Licurgo Vieira, quadra 5. Segundo a Polícia Militar, a Polícia Científica estimou que o crime foi por volta das 15h. O corpo, contudo, só foi encontrado às 16h37.
Na bermuda do rapaz, foi localizada uma porção de maconha. Segundo a PM, ele era conhecido dos meios policiais e tinha antecedentes criminais. "A vítima tinha passagens pela polícia por tráfico. Isso reforça a tese de que a maioria dos homicídios tem relação com a criminalidade. Tirando casos passionais, Bauru tem raros registros de pessoas sem envolvimento com o crime que são mortas. Este caso de hoje (ontem) reforça isso", destaca o major Serpa.
A equipe da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) esteve presente e a Polícia Civil apura a ocorrência. Até o momento, o autor não foi identificado.