11 de julho de 2026
Articulistas

Parcerias estratégicas e fusão

Alessandra Sacomani e Sidney Aguiar
| Tempo de leitura: 2 min

As parcerias estratégicas estão substituindo as fusões no campo de união de empresas privadas e, sendo amplamente discutidas pelos órgãos de controles financeiros do Brasil para garantir as estabilidades do controle acionário e manutenção das culturas corporativas. As parcerias estratégicas têm sido feitas em todas as áreas profissionais, pessoais e empresariais como uma importante ferramenta de consolidação de carreiras profissionais e empreendimentos produtivos.

As tendências de parcerias estratégicas surgiram nos Estados Unidos e logo os grandes grupos europeus aderiram ao sistema de composição estratégica de marcas e produtos com o objetivo de maximizar os lucros dividindo as despesas proporcionalmente de acordo com a fatia de participação societária dos controladores. Diferentemente da fusão corporativa onde o maior acionista submerge a cultura corporativa do sócio minoritário, nas parcerias estratégicas conservam-se as culturas corporativas das empresas envolvidas, tendo como foco a maximização da produção e dos lucros e a divisão das despesas de operação.

Depois da gigante europeia dos jatos comerciais Airbus fechar uma parceria estratégica com a canadense Bombardier e, a outra também gigante da aviação comercial americana Boeing propor uma parceria estratégica com a brasileira Embraer, as parcerias estratégicas estão ganhando outros setores como o promissor e emergente mercado brasileiro da Celulose e Papel e, o de derivados de proteína animal. Segundo alguns dados de 2017, o Brasil ocupa a posição de sexto maior produtor mundial de celulose, atrás da Coreia do Sul, Alemanha, Japão, Estados Unidos e China. Mas uma estratégia muito inteligente de redimensionamento desse ranking está movimentando importantes peças do tabuleiro do setor de celulose para projetar o Brasil no mínimo duas posições à frente.

Esse movimento estratégico no mercado de papel prevê múltiplas parcerias estratégicas entre as principais produtoras com o objetivo de aumentar a capacidade de produção de madeira e papel nos próximos anos. Umas dessas movimentações está relacionada à forte região de Lençóis Paulista, conhecida de eixo caipira do agronegócio por sua abundância de terras férteis e ciclos de chuvas regulares. Essa região têm chamado a atenção da segunda maior produtora brasileira de celulose para investimentos bilionários em aquisições de terras para o cultivo de madeira comercial e consequentemente para a instalação de mais uma planta de extração de celulose. A expectativa de haver uma parceria estratégica entre ela e a sexta do ranking das maiores produtoras individuais de celulose do Brasil pode dar à rica Lençóis Paulista o título de capital nacional do papel, uma vez que poderá ter quatro grandes unidades produtoras de papel em operação no município em pouco tempo.

Caso isso efetivamente ocorra, a região de Bauru terá um desenvolvimento muito além dos últimos vinte anos, uma vez que dentro da visão de parcerias estratégicas, todos os municípios do entorno sairão ganhando com o novo empreendimento de celulose.

Alessandra Sacomani é economista, coach e trainer. Sidney Aguiar é professor universitário, especialista em sustentabilidade e Direito Ambiental e colaborador do JC.