08 de julho de 2026
Geral

Semáforos de Bauru agora contam com garçons

Ana Beatriz Garcia
| Tempo de leitura: 2 min

Fotos: Ana Beatriz Garcia
Na tarde quente dessa segunda (5), Luciano Henriques aproveitou para comprar uma água do garçom João de Paula
Gravata, camisa e calça sociais: para vender água no cruzamento da rua Treze de Maio com a avenida Rodrigues Alves, João fica ‘na estica’
João de Paula recebe ajuda de Maicon Domingos de Souza na reposição do estoque de garrafinhas

"Com licença senhor, aceita uma água?". Questionamento comum em restaurantes pode, agora, ser ouvido ao parar o carro em alguns semáforos de Bauru. Vestidos com gravata, camisa e calça sociais, com garrafinhas de água em um balde de gelo em punho e munidos de gentileza e simpatia, os garçons do semáforo começaram a atender em Bauru.

Embora a prática de comercializar itens no sinaleiro já seja bastante conhecida - não só em Bauru, mas em várias cidades - o projeto, dessa forma, é uma novidade. Há duas semanas, quem passa pelo cruzamento da rua Treze de Maio com a avenida Rodrigues Alves ou na esquina da rua Aparecida com a avenida Nações Unidas já pôde perceber a movimentação.

"Achei diferente, nunca tinha visto. É muito bom contar com isso aqui", disse o vigilante Luciano Henriques, de 42 anos, enquanto comprava uma garrafinha de água no semáforo da Treze de Maio com a Rodrigues, quando a temperatura na cidade atingia os 33 graus, na tarde de ontem.

A ideia é gerida por Maicon Domingos de Souza, de 23 anos, que é maître há 3 anos e por seu cunhado (criador do projeto), que é gerente no estabelecimento onde ele trabalha. "Nosso intuito é ajudar quem está precisando de uma renda extra de uma forma diferenciada para a cidade", comenta Maicon explicando, ainda, que cada garçom pode receber de R$ 25 a R$ 70 por dia de trabalho. "Além disso, recebem auxílio-alimentação e transporte", diz.

OPORTUNIDADE

João de Paula, de 48 anos, era motorista em Maringá (PR) e estava a procura de emprego em Bauru. Por ter parentesco com Maicon, o caminho ficou um pouco mais fácil. "Ele me chamou para trabalhar com isso e eu logo aceitei a oportunidade. Estou gostando de ser garçom no semáforo porque as pessoas acham diferente e estão elogiando bastante o meu serviço", comenta.

Com uma bandeja e um balde com duas ou três garrafinhas, João espera o semáforo fechar para começar suas vendas. Ajeita a gravata - por enquanto, emprestada de Maicon - e vai de carro em carro dizendo: "Com licença senhor(a), aceita uma água?". O intuito é vender as 45 garrafinhas que são disponibilizadas todos os dias. "Quando necessário, eu faço a reposição. Depois de vender 25 unidades, o garçom ainda pode tirar R$ 1,00 a cada água vendida", explica Maicon.

Cada garrafinha é vendida a R$ 3,00, as opções são de água com e sem gás. Mas, em breve, o serviço contará mais opções e ampliação. "Ainda queremos oferecer suco e guloseimas. O nosso objetivo futuro é colocar um garçom em cada cruzamento da Rodrigues. Também pensamos em uniformizá-los para melhorar a identificação", conclui o maître.