| Douglas Reis |
| Casal de malabaristas exibe número circense no cruzamento da Araújo Leite com a avenida Rodrigues Alves: amor pela arte |
O sinal fecha e alguns carros se aglomeram na rua Araújo Leite, cruzamento com a avenida Rodrigues Alves, em Bauru. Na faixa de pedestres, um casal simpático exibe um número de malabares mesclando técnicas circenses com encenação teatral. A plateia, acomodada nos assentos de seus veículos, parece esquecer, por alguns segundos, a rotina e o trânsito pesado comum da região central da cidade: arte cumprindo o papel de entreter e encantar.
É justamente esse o objetivo dos artistas de rua Jacson Douglas Oliveira, 28, e de sua namorada, a argentina Yasmim Nayla Berenstein Unfer, 27. Quem passou por essa região nas últimas semanas deve ter se deparado com o talento dos malabaristas, que, há três anos, viajam pelo Brasil e por países vizinhos para divulgar o trabalho que fazem ao maior número de pessoas possível. Ainda na semana passada, inclusive, eles iniciaram uma nova aventura com destino à Bolívia.
"A gente vai na base da carona", revela Jacson, contando que o plano era chegar na Bolívia dentro de poucos dias após a partida de Bauru.
Os dois se conheceram em uma convenção de circo, em Barbacena (MG), há dois anos. Na época, ambos já tinham experiência artística tanto nos palcos quanto nas ruas. "No meu caso, foi amor à primeira vista. Seis meses depois, nos encontramos novamente e começamos a nossa história juntos", conta Jacson, que deixou a cidade mineira de Ubá, onde ainda moram seus pais e o filho de 6 anos, para se aventurar mundo afora.
Yasmim nasceu em Buenos Aires, capital da Argentina, onde ainda vivem seus pais e irmãos. Ela está há três anos em terras brasileiras. "Sempre adorei o Brasil e, por isso, revolvi me mudar pra cá. Fiz curso de dança, de expressão corporal, mas a maior universidade para arte é a estrada", banca.
Jacson compartilha da mesma opinião. Tanto que os dois já percorreram praticamente o País todo, além de outros países, como Paraguai, Peru e Chile.
VÁRIAS CULTURAS
De esquina em esquina, o casal vai conhecendo várias culturas. O perfil do público muda bastante, diz Jacson. "A rua é o palco mais eclético que existe", define.
São nas ruas, também, que os artistas se deparam com preconceito. "Muitos têm mania de julgar pelo que vê. Quando veem alguém na rua, independente do que esteja fazendo, essa pessoa é rotulada como alguém que não trabalha", desabafa Jacson.
"Fazemos arte nas ruas porque não aceitamos isso. A transformação do expectador, entretanto, é mágica. Conseguir tirar a pessoa da sua zona de conforto para vivenciar um pouco dessa arte é muito gratificante", completa.
Yasmim diz que o valor recebido nas esquinas é suficiente para sobreviver. " A gente dorme em repúblicas e almoça em restaurantes populares, onde a refeição custa R$ 1,00".
PROJETO
Ela conta que o casal pensa em formatar um projeto itinerante, para expandir o trabalho. "Levar a arte para as escolas e casas culturais, ensinando teatro, dança e malabares", detalha Yasmim.
Enquanto isso, os artistas pensam em desbravar novos caminhos. "A próxima meta é chegar aos países da Europa", projeta Jacson.