| Samantha Ciuffa |
| Reunião foi na semana passada no MPF com representantes da Saúde no município e no Estado |
O elevado número de mulheres que não comparecem aos exames de mamografia agendados pela rede pública de saúde ou sequer procuram o serviço levou o Ministério Público Federal (MPF) a convocar uma reunião para tentar solucionar o problema. Agora, o Departamento Regional de Saúde (DRS-6) do governo do Estado terá quatro meses para apresentar um novo plano de ação com o objetivo de incentivar ou mesmo facilitar o acesso aos exames.
Desde 2014, o MPF investiga o assunto em inquérito instaurado a partir de representação feita pelo grupo Amigas do Peito. Na reunião realizada na semana passada com representantes da Saúde em âmbito municipal e estadual, o procurador Pedro Antônio de Oliveira Machado destacou que, apesar de sobrarem vagas, o índice de rastreamento de câncer de mama para a faixa etária indicada, de 50 e 69 anos, continua baixo, revelando um contrassenso que precisa ser sanado.
"É preocupante, porque alguma coisa está impedindo estas mulheres de ter acesso a estas vagas. Pode ser por falta de informação, dificuldade para o agendamento ou mesmo para comparecer no serviço na data agendada. E este é um problema que precisa ser solucionado pelos gestores de saúde", argumenta, acrescentando que a prevenção, além de poupar vidas, é bem menos onerosa para os cofres públicos do que o tratamento da doença.
Na reunião, a Famesp, que administra o Hospital Estadual e a Maternidade Santa Isabel - serviços credenciados pelo SUS para realizar mamografias em Bauru -, informou que precisou reduzir o volume de vagas mensais ofertadas devido à baixa adesão. Representantes do DRS-6 alegaram, ainda, que a baixa adesão e a taxa elevada de absenteísmo, ou seja, do não comparecimento das pacientes nos exames agendados, é resultado da busca ativa deficiente realizada pelo município por meio do Programa de Saúde da Família.
RECONSTRUÇÃO
A prefeitura informou que investigará as causas do problema e, ao JC, acrescentou que irá ampliar o número de solicitações de mamografia ao público recomendado.
Segundo o protocolo estabelecido pelo SUS, o acesso gratuito ao exame, quando a mulher não possui histórico de câncer na família ou alterações na mama, é garantido apenas para a faixa entre 50 e 69 anos.
Uma lei federal de 2008, contudo, determina que todas as mulheres acima de 40 anos têm direito a fazer a mamografia pelo SUS. Considerando também os casos fora da faixa de rastreamento preconizada pela União, existem, segundo a prefeitura, 1.353 mulheres aguardando na fila de espera por mamografia em Bauru.
Outro problema é que o HE conta, hoje, apenas com um cirurgião plástico habilitado para reconstruções de mama, havendo necessidade de contratar mais um para atender a demanda reprimida na cidade.
Ao MPF, o Estado alegou dificuldade em encontrar médicos dispostos a assumir a função, mas ressaltou que irá avalia a possibilidade de remanejar, ao menos temporariamente, parte das pacientes com indicação de cirurgia para Jaú e Botucatu.