08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

A deusa sagrada

Profª. dra. Terezinha Santarosa Zanlochi
| Tempo de leitura: 2 min

A História da atitude da humanidade com a mulher tem origens milenares. Entre os Sumérios e outros povos de seu tempo, havia uma prática de iniciação da menina moça na sua transformação em Mulher. Isto envolvia a sexualidade é obvio.

Eles possuíam uma deusa, uma mulher sagrada, linda nos padrões deles, muito respeitada, venerada mesmo, que vivia no templo responsável por este ritual de passagem. Quando mocinhas, as garotas deveriam dirigir-se ao templo, onde eram recebidas pela deusa e ficavam a espera de um enviado divino, um homem, claro.

Ele escolhia sua preferida e a deusa os iniciava na pratica da sexualidade. Ela os colocava em ambientes com cheiros agradáveis de plantas, em meios aos enfeites de flores silvestres perfumadas, aos sons de melodias de sua cultura e alimentados com frutas e uma bebida inebriante misturada a mel. O ritual iniciava-se com uma dança, onde o casal se aproximava e tocavam seus corpos com delicadeza.

Ao final, a mocinha agora Mulher, saia do templo honrada e preparada para formar uma família com seu futuro pretendente.

No filme "Coração Valente", está presente esta prática, muito distorcida em função da evolução dos tempos, quando a pretendida do herói deveria passar sua primeira noite com o rei. Portanto, uma iniciação totalmente desprovida daquele ritual sagrado, que hoje chamaríamos de romântico, promovido pela deusa.

A criação do patriarcado, sistema substituto das comunidades matricêntricas, trouxe consigo a perda da reverência em relação à deusa sagrada e sua função primordial. Milênios depois, a atitude era de domínio e constrangimento. E assim a espontaneidade sensual da mulher ficou bloqueada.

Lentamente, ela passou a cultuar deuses feitos por homens, a praticar valores ditados pelos homens e a viver atitudes dos homens que justificavam a subordinação da mulher. O conceito de Mulher enquanto "um ser próprio de si mesmo", passa a se definir em termos de sua relação com os homens.

Nancy Qualls-Corbett, psicóloga yunguiana, disse que a mulher "definia sua castidade pelo eco dos critérios masculinos, racionais e físicos, como prescreviam as leis dos homens, enquanto negavam a castidade de sua alma. Embora isso fosse contrário à sua essência feminina interior, a mulher via a si mesma como inferior, papel que ela aceitou até bem recentemente".

Time is it! O tempo acabou! É um grito de guerra que marca quando e como a mulher assumiu-se.

Agora ela precisa redescobrir o significado da deusa sagrada em seu interior, para que o aspecto dinâmico, mas suave e cheio de ternura de sua sensualidade possa agir na formação e motivação de sua feminilidade. Encher-se de dignidade, cobrir-se de honra pela coragem com que enfrenta suas adversidades e abraça suas lutas diárias, repletas de inseguranças e violências.

Há um feminino no homem nunca negado pela Psicologia e outras ciências, que se desabrocha na meia idade e permite que o homem seja completo como ser humano, amigo, companheiro e amante! Que bom será quando a parte masculina da humanidade chegar à sua meia idade! Aí sim poderemos dizer: Time is it!