09 de julho de 2026
Regional

Festa do Divino tem mais de 150 anos

AURÉLIO ALONSO
| Tempo de leitura: 3 min

O professor de Geografia de São Manuel Geraldo Campos é um entusiasta dos geiseritos e até virou um "voluntário" da Prefeitura de Anhembi para divulgar as rochas formadas pela ação dos gêiseres há milhões de anos. As rochas atraem muitos pesquisadores por ser uma formação única no Brasil e também já contou no ano passado com a visita de estudantes das escolas Aitiara de Botucatu e Waldorf Rudolf Steiner de São Paulo que têm no currículo estudo de geologia.

As pedras são o único registro geológico no mundo de atividade hidromineral muito intensa no período Permiano, quando nem existia o homem na terra. A conservação das rochas é considerada excelente, mas principalmente pela grande quantidade de corpos de geiseritos expostos à superfície do terreno com cones com altura média de 1 metro. "Isso tem que ser preservado, faz parte da história do ser humano e da terra", afirma.

No Período Permiano a região onde estava Anhembi estava muito quente devido a ação vulcânica e todas as evidências geológicas apontam que o local estava invadido por um mar raso, parecido com o mar Cáspio, na Ásia Central. Campos explica que o pequeno monte de pedra em forma cônica que se avista ao longo do pasto são os locais da "fumarola" por onde saía o material que vinha do sub solo. 

Nas pesquisas encontraram sílica na composição dessas pedra, parecidos com cupinzeiro. Esse material pertence a grupo de minerais, cuja composição constitui quartzo entre outros. Esse componente é um material usado na forma de tijolo, revestimento de fornalha altamente refratário, que é também resistente a abrasão e a corrosão. "O geodo é o quartzo que se cristalizou durante os milhões de anos. Esses corpos estão em torno de 5 a 6 metros de profundidade. Os geiseritos encontrados foram exumados pela erosão de cerca de 100 milhões de anos. No sub solo deve ter muitos geiseritos enterrados", explica Machado.

O professor, que já acompanhou visitas de geólogos e pesquisadores, cita que se pensava que no local houvesse um vulcão, mas tudo indica que seria fundo de um mar raso.  A água há milhares de anos desceu por frissuras das rochas sob temperaturas altas, num esguicho, para a superfície. O mineral - a sílica material arenoso - foi sendo depositado e formou a estrutura. "A água quente possivelmente vinha do magma que existia abaixo do lenço profundo e fazia a pressão para a superfície. Na realidade era um canal que pelas frissuras trazia o material para a parte de cima do solo vindo de uma profundidade de cerca de 300, 400 metros para mais", explica.

Magma é massa mineral pastosa, em estado de fusão, situada a grande profundidade da superfície terrestre, cujos movimentos determinam os fenômenos vulcânicos e que, ao resfriar, cristaliza-se, dando origem às rochas ígneas.

A fonte de calor é a grande dúvida das pesquisas, não se sabe se foi atividade vulcânica. Existe a hipótese que pode ter sido o magma. Nessa época os continentes como América do Sul, Norte, África e os demais estavam todos interligados, isso chamava-se Pangéia.

O professor afirma que ao descobrirem a formação geológica despertou-se para preservação. "Sempre comento: ninguém pode proteger aquilo que não conhece. Os antigos das décadas dos anos 20 e 30 consideravam esses montes de pedra como cupinzeiros e desmanchavam para preparar a terra para plantio. E usaram esse material para cascalho nas estradas e perceberam que abaixo desses corpos continuavam no subsolo", declarou Machado, que descobriu pela internet os geiseritos há seis anos. As rochas estão nas coordenadas geográficas 22°45'36''S - 48º10'48"W.