| Fotos: Parque Clube de Pirajuí |
| Próteses foram confeccionadas com resina odontológica pelo protético Marcelo Calister Jorge; a veterinária Wilma Pinatti (acima) cuidou do pato e, agora, segue na torcida para que ele possa recuperar suas funções com o material |
"Lá vem o pato, pata aqui, pata acolá". A famosa música infantil de Vinícius de Moraes ganhou um novo sentido em Pirajuí (58 quilômetros de Bauru). Após ter as duas patinhas decepadas, um pato-mandarim (aix galericulata) ganhou duas próteses feitas de resina odontológica para tentar recomeçar sua vida.
O fato ocorreu no Clube de Campo - espaço de lazer do Parque Clube de Pirajuí. Segundo informações, o patinho Mandarin, chamado assim justamente por conta de sua espécie, estava na lagoa quando foi atacado por peixes ou ariranhas.
Após avaliação, a veterinária Wilma Pinatti foi acionada e conseguiu conter as lesões. "Depois de fazer os curativos, conversamos com um protético para tentar encontrar uma maneira de fazer com que ele voltasse a andar e nadar", conta.
O protético chamado foi Marcelo Calister Jorge. "Foi muito inusitado. Assim que eles me falaram, eu fui na clínica e desenhei as nadadeiras. Usei resina odontológica para confeccioná-las. Em 40 minutinhos, estava tudo pronto", conta o profissional
O material foi adaptado clinicamente pela veterinária e colocado no patinho. Os primeiros testes serão feitos no início desta semana. "Agora, ele está no período de adaptação. Estamos analisando como vai ser esse momento. Ele ainda está sendo mantido em um local reservado, acolchoado e tomando antibióticos. Mas, o que podemos adiantar é que o pato aparentemente está bem", complementa a veterinária Wilma.
INÉDITO
Com 34 anos de profissão, ela revela que o fato é inédito em sua carreira. "A gente sempre tenta ajudar como pode. Certa vez, fizemos um casco de tartaruga de durepoxi e deu muito certo. Ela ficou muito bem. Mas, com um pato e dessa forma, foi a primeira vez. Esperamos que dê tudo certo. Ele é muito fofinho", destaca.
O mesmo sentimento de ineditismo ficou com Marcelo. "Em 22 anos de profissão como protético, eu nunca havia feito algo assim. Estamos na torcida", finaliza.
O fato é que a mobilização e criatividade dos profissionais e demais envolvidos deram nova esperança para que o patinho Mandarin possa ir e vir, assim como cantam os versos da música do início desta reportagem. "A diretoria do Parque Clube parabeniza a doutora Wilma e o Marcelo por esse brilhante trabalho realizado com muita dedicação e competência, e convida à todos os associados para conferirem o belo resultado obtido com o patinho Mandarin", finaliza o clube, em nota postada nas redes sociais.