09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

A manipulação da classe dominante

Henrique Matthiesen - Bacharel em Direito - Jornalista
| Tempo de leitura: 2 min

O processo de formação da classe dominante no Brasil obedece aos ditames do açoite, da violência e, muitas vezes, do golpe de Estado. A história pretérita é vasta neste sentido, afinal, a luta de classes instalada no Brasil desde seu descobrimento tornou a dominação pela força em regra, não em exceção. Todavia, com o desenvolvimento de novas formas de dominação, nossa classe dominante encontrou, no monopólio midiático, um grande aliado à manutenção de seus privilégios.

Foi constatado que, com o embaraço do uso da força, a forma mais eficaz de controle é o impedimento de que seus opostos pensem, afinal, o exercício da reflexão é arma mortal e inconveniente aos dominadores.

Outro apetrecho utilizado pela classe dominante, em conluio com o monopólio midiático, é a distração, que contribui incisivamente com a irreflexão dos grandes temas que atingem a classe dominada. Isto se configura com "dramas" criados como, por exemplo, o dedinho quebrado de um jogador da seleção brasileira, o paredão do BBB ou com as futilidades de novelas. Enquanto direitos trabalhistas são retirados, aposentadorias são cassadas, o erário é vilipendiado por salteadores de plantão.

A dispersão e o consumismo também são apetrechos empregados pelo monopólio midiático em conjuração com a classe dominante. O culto ao individualismo associado ao consumismo irresponsável é fator primordial para a manutenção do cabresto das classes dominadas.

No entanto, um dos mais deletérios e ruinosos banjos empregados pelo monopólio midiático e a classe dominante é o estímulo à mediocridade e à ignorância. A educação doutrinária de aceitação da ordem social que temos omite a educação desonesta e alienante, que encarcera o espírito libertário.

A doutrina da futilidade, do vulgar, do inculto nos remete ao senso comum idiotizado de que a contestação e a negação da ordem social são subversivas, venenosas à sociedade, e levam à marginalização dos que ousam discordar desta catequese.

É proibido não ser fútil. É proibido não ser vulgar. É proibido pensar, contestar, indignar-se.

Uma sociedade enraizada na resignação conveniente é o paraíso daqueles que secularmente se utilizam da ordem social anestesiada para se locupletar e viver de privilégios.

Caso tudo isso não funcione, eles dão golpe e partem para a violência.