08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Hipocrisia que mata!

Ivan Garcia Goffi
| Tempo de leitura: 2 min

Cada vez mais me decepciono com a espécie humana brasileira. O Rio de Janeiro, em especial, é um espetáculo de horrores há pelo menos duas décadas, um caldeirão onde o grosso caldo da corrupção, incompetência e pouco caso das autoridades e população gerou um dos metros quadrados mais violentos do planeta.

Agora, com a morte da tal Marielle, milhares estão pelas ruas bradando contra a Polícia Militar e, inacreditavelmente, contra o próprio Exército que, mais uma vez em nossa história, está sendo usado como aríete da lambança civil. Para piorar o cenário, a horda de artistas abobalhados, sempre muito comovidos pela dor de um representante qualquer de um grupo minoritário, seja ele qual for, pede justiça em altos brados.

A hipocrisia mata mais que balas. Onde estes exaltados estavam quando se divulgou que, no ano passado, foram 6.743 assassinatos só na cidade do Rio de Janeiro?! Por que os milhares de mortos anônimos, inclusive crianças brincando na sala de suas casas, não são homenageados?

Onde estavam os artistas quando não cobraram dos políticos, no âmbito municipal, estadual e federal, alteração na legislação penal, combate duro contra a violência, fim de regalias da bandidagem que transformam presídios em hotéis e tolerância zero contra qualquer tipo de infração (inclusive cometida por marginais violentos menores de idade)?

A hipocrisia mata mais que balas. A vereadora assassinada fazia a defesa contumaz dos conceitos de que "prisão não educa" e que só se combate a violência com educação, fora outras asneiras tão típicas de quem tem estrume ideológico dentro da cabeça.

Era crítica das forças policiais e nunca levantou a voz contra as milícias ou quadrilhas que dominavam os morros, mesmo porque, se o fizesse, teria sido incinerada no meio de pneus há muito tempo. Gente como ela desrespeita os milhões de brasileiros que, vivendo sem acesso à educação e meio à pobreza, simplesmente optam não ingressar no crime! Mas, estas pessoas de bem não são minoria; são maioria e, pelo jeito, lutar por eles não dá votos no Brasil hipócrita lançado ao mar pelo petismo.

A hipocrisia mata mais que balas e, enquanto não a assassinarmos de forma igualmente violenta, não sairemos do atoleiro da insegurança que ceifa 60.000 brasileiros anualmente, nenhum deles lembrado na prestimosa celebração de dor da vereadora. Ela tem que receber o mesmo tratamento dos outros assassinados naquela cidade, bem como, os que a mataram, o mesmo que se dá aos bandidos "vítimas da injustiça social".

Ou se ignora a todos, ou se pune a todos. Sem tratamento igualitário, essa balança nunca vai dar o peso certo da solução final que precisamos.