10 de julho de 2026
Política

Servidores conhecerão nova proposta da prefeitura à tarde, diz secretário

Tisa Moraes, Bruno Freitas e Thiago Navarro
| Tempo de leitura: 5 min

Fotos: Bruno Freitas
Servidores municipais, sendo a maioria da Educação, percorreram trechos da avenida Duque de Caxias, até a rua Rio Branco, e depois seguiram até a sede da prefeitura, na Praça das Cerejeiras

Secretário diz apresentar nova proposta a servidores à tarde
O secretário de Administração, Davi Françoso, deve apresentar uma nova proposta aos servidores públicos municipais em greve, por volta de 15h30 desta sexta-feira (23), na sala de reuniões da prefeitura, segundo informou à reportagem. Como nos dias anteriores, os trabalhadores fizeram passeata pelas ruas da cidade e protesto em frente ao Palácio das Cerejeiras, no quarto dia de paralisação. Hoje, mais de mil assinaram lista de presença no Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Bauru e Região (Sinserm).

PROTESTO CRIATIVO

Ao longo dos quatro dias de greve e manifestações, servidores criaram uma forma criativa de chamar a atenção da prefeitura. Eles gravaram inúmeras paródias humorísticas, sendo utilizadas para cobrar direitos. Uma destas músicas utiliza uma imitação da voz do apresentador do SBT Silvio Santos, no ritmo ‘Despacito’ (veja vídeo abaixo)

NOVA PROPOSTA

Ontem, o prefeito informou que entregará hoje uma nova proposta ao sindicato, embora não tenha revelado os termos da oferta. Adiantou que espera compreensão dos servidores, ressaltando que, somados os reajustes do ano passado e o concedido na negociação da ultima terça-feira, o valor do vale-compra já foi reajustado em 23% durante seu governo.

O Secretário de Administração, David Françoso, disse que a pasta trabalhou toda a manhã para encontrar novos números e finalizar uma contraproposta. Acrescentou ainda que a administração municipal convocará coletiva de imprensa, prevista para as 15h30. Sinserm e uma comitiva de representantes dos servidores também foram convidados. Após receber o documento, o sindicato levará para um nova assembleia, prevista para 7h de segunda-feira, onde irão votar se aceitam ou farão a manutenção da grave.

Ao longo das negociações que culminaram na greve e durante a própria paralisação, a prefeitura tem alegado ser incapaz de garantir todas as reivindicações da categoria em razão das restrições impostas pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). Isso porque, atualmente, o índice de despesas com pessoal está em 52,53% da Receita Corrente Líquida (RCL), já acima do permitido como limite prudencial, de 51,3%, e se aproximando do limite legal de 54%.

NEGOCIAÇÕES

A última oferta anunciada pelo governo, na terça-feira, havia sido de reajuste do salário em 2,84%, dividido em duas vezes - uma em março e a outra em novembro, abono (antigo vale-refeição) indo de R$ 350,00 para R$ 360,00, e reajuste de 10% no vale-compra, que passaria dos atuais R$ 410,00 para R$ 451,00.

Anteontem, a contraproposta apresentada pelo Sinserm foi de reajuste salarial imediato de 3% e mais 3% em 1 de novembro; vale-compra de R$ 451,00; abono de R$ 420,00; incorporação da vantagem pessoal de R$ 80,00 concedida em 2017 no vencimento básico de cada servidor; pagamento da licença-prêmio a todos os servidores que tenham direito; não reajuste no percentual de contribuição previdenciária paga à Funprev e manutenção do plano de saúde nos moldes atuais.

ADESÃO

Ainda ontem, quando a paralisação alcançou a adesão de 1.222 trabalhadores, havia a expectativa de que a prefeitura apresentasse nova proposta, o que acabou não se concretizando. Assim que a nova oferta chegar, será votada em assembleia.

Ontem, além do reforço de mais 81 funcionários, a greve ganhou ontem o apoio de um grande número de estudantes do Ensino Médio da Escola Estadual Christino Cabral, muitos deles acompanhados pelos pais, que protestaram em frente à sede do Executivo contra a ausência de refeições na unidade durante a paralisação. Conforme o JC divulgou, devido à ausência de merendeiras em número suficiente, os alunos da rede municipal e estadual estão recebendo só a chamada "merenda seca", como frutas e barras de cereais.

ALUNOS PROTESTARAM NESTA QUINTA

Wellington Rodrigues da Silva, 16 anos, foi porta-voz dos estudantes ao microfone. "Nossa indignação é muito grande. Temos vários colegas nossos que até passaram mal por não comer. São pessoas que não têm condições de levar comida de casa. Estamos aqui por eles. Estamos apoiando também as merendeiras, não podemos deixá-las de lado".

Também em consequência da greve, a Escola Municipal de Educação Infantil Integral (Emeii) Maria Helena Picolato Amantini continuou ontem de portas fechadas. Já as demais escolas municipais de Educação Infantil (Emeis) e de Ensino Fundamental (Emef) seguem com atendimento parcial.

Bruno Freitas
Servidores em frente à prefeitura, nesta sexta-feira (23)

Só na Educação, foram ontem 210 servidores mobilizados. Já na Saúde, 884 e, segundo a pasta, três das nove viaturas do Samu seguem paradas, o que tem aumentado o tempo transcorrido entre a ativação do serviço e a chegada da equipe de atendimento móvel ao paciente. As Unidades de Assistência Farmacêutica (UAFs) continuam sem entregar medicamentos à população e há prejuízo, ainda, para o atendimento odontológico e das unidades básicas de saúde, pela insuficiência de profissionais de enfermagem e na recepção. Ontem, também não foi realizado o transporte de seis pacientes com agendamento.

MEDIAÇÃO DA OAB

Ontem, a Subseção Bauru da OAB informou que, caso a greve não termine até segunda, ajudará na conciliação do impasse. Para tanto, fará uma reunião em que tanto a prefeitura quanto os representantes dos servidores serão convidados.

O trabalho será feito pela Comissão de Direito Eleitoral e de Fiscalização das Atividades do Poder Público e pela Comissão de Conciliação, Mediação e Arbitragem. O jurídico do Sinserm vai avaliar.

EMDURB REALIZA ACORDO

A Emdurb informou, ontem, que firmou acordo com os servidores da empresa pública sobre o reajuste salarial e dos benefícios. Em três dias de greve, apenas seis funcionários haviam aderido à mobilização e as negociações com uma comissão de empregados vinham sendo conduzidas separadamente.

Com o acordo definido ontem, os trabalhadores receberão 10% de aumento no vale-compra, que passará de R$ 410,00 para R$ 451,00, com garantia de manutenção do plano de saúde nos moldes atuais. Também foi concedido abono de R$ 81,00 a partir de abril, que será incorporado ao salário em fevereiro de 2019.

O cálculo deste valor foi realizado com base na inflação de 2018, de 2,84%. O índice foi aplicado sobre a folha de pagamento e o valor foi divido pelo número de servidores. Desta forma, independentemente do salário, todos os funcionários da Emdurb receberão a quantia extra de R$ 81,00.

Advogado do Sinserm, José Francisco Martins afirma que a negociação coletiva sem a presença do sindicato é inconstitucional e que, por isso, a entidade recorrerá ao Ministério Público do Trabalho (MPT). "Não reconhecemos a legitimidade desta comissão de trabalhadores e a validade jurídica deste acordo. Ao se negar a negociar com o Sinserm, a Emdurb incorreu em prática antissindical", analisa.