09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

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Juliana Barquilha
| Tempo de leitura: 2 min

Nestes dias de greve do servidor municipal, me deparei com diversas mães criticando a greve, mas principalmente as merendeiras, por deixarem as crianças sem comida durante o período de aula. Pois bem, são para estas pessoas que direciono minhas palavras.

Sabiam que as merendeiras trabalham 8 horas diárias, na maior parte do tempo em pé, muitas em cozinhas sem janelas, sem ventilação, sem fósforo, sem detergente, sem uniforme, sem avental, sem faca, sem picador, algumas atá sem panelas, sem direito a periculosidade nem a insalubridade? Não sabiam?

Sabiam que muitas fazem rodízio de escola em escola para não deixar as crianças sem comida (até porque as vezes é a única refeição saudável que fazem no dia), porque não tem merendeira suficiente no departamento para cobrir as licenças médicas (e também não pode contratar)?

Será que sabem que é a única categoria que não pode tirar licença-prêmio quando bem entender, porque é obrigado tirar na época de férias dos alunos, e nem com os professores é assim?

Sabiam que muita merendeira sofre assédio moral de diretora que acha que a merendeira tem que cozinhar para ela como se fosse sua chef particular? Sabiam que por anos a fio a merendeira sofreu calada, e só os psicólogos conheciam suas lágrimas de dor e tristeza?

Sabiam que algumas merendeiras ficam restritas ao trabalho por causa de esforço repetitivo, bursite, tendinite, tudo causado por trabalhar anos sozinhas em escolas estaduais preparando em média 500 refeições por dia e outras morrem de infarto, câncer e todo tipo de doenças emocionais, e poucas chegam a se aposentar com saúde suficiente para desfrutar de sua aposentadoria?

O senhor prefeito sabia! Contamos a ele na época da eleição. Fomos iludidas com propostas de valorização... aff, que raiva de mim! Mesmo assim, trabalhamos sorrindo, somos amigas, temos nosso grupo, nos reunimos e agora descobrimos que merendeira também tem voz!

Sou merendeira, filha de merendeira, neta de merendeira, amo ver aqueles sorrisos banguelos dizendo: "Tia, seu papá tá delícia".

Por favor, queridos bauruenses, não nos critiquem, nos apoiem.