| Samantha Ciuffa |
| Mulheres diferentes em busca de igualdade; na foto (ao centro e batucando), a jovem Bruna Garcia |
Negras, brancas, de cabelos longos, curtos ou carecas. Com idades, histórias e estilos de vida diferentes, mas objetivos em comum, uma multidão de mulheres ocupou a região central de Bauru ontem para cobrar respeito aos direitos conquistados, o fim da violência e mais políticas públicas, sobretudo nas áreas da saúde e segurança.
A Marcha das Mulheres saiu da Praça Rui Barbosa, desceu a avenida Rodrigues Alves até a Praça Machado de Mello e retornou pelo Calçadão até o ponto de partida, onde acompanhou a apresentação do Batuque das Marias, do grupo feminino de rap Ouro D'Mina e de edição especial do Sarau do Viaduto.
Em meio ao grupo, a presença de gerações tão diferentes chamou a atenção. Bruna Garcia, 21 anos, artista de rua e integrante do movimento Resiste Mulher, e a bisavó dela, Neuza Peral, 86 anos, se uniram para mostrar que a luta das mulheres por igualdade é histórica. "O homem foi sempre mandão. A mulher ficava em casa, não trabalhava fora, comia o que tinha e se acomodava. Agora não. A mulher não quer se acomodar. E elas estão certas. Nós somos mais", diz Neuza. "Mas falta muita coragem ainda, que muitas não têm".
"Mesmo com o tanto de retrocesso com a retirada de direitos que a gente está sofrendo nesse momento atual, eu acho que a causa das mulheres, pela existência constante de diferentes necessidades, acaba sendo uma luta que não se desarticula", avalia Bruna.
Para Denise Silva Marques, 37 anos, do acampamento Nova Canaã, um dos focos da luta deve ser a violência doméstica. Integrante do Movimento Social de Luta dos Trabalhadores (MSLT), ela participou da marcha ao lado de outras 20 mulheres do movimento. "Tem mulher que apanha e não fala, esconde. É importante estar aqui e falar para outras mulheres, para que elas tenham coragem de denunciar, de não aceitar".
HOMENAGEM
Durante a marcha, as mulheres prestaram uma homenagem a Marielle Franco, vereadora carioca do PSOL assassinada no último dia 14 junto com o motorista Anderson Gomes. "Mataram a carne dela, mas os ideais, a força e o coração dela estão pulsando dentro da gente", diz Kátia Valérya dos Santos Souza, uma das organizadoras do evento.
Além da mobilização pelo fim da violência, ela ressalta que as mulheres não podem deixar que direitos trabalhistas sejam retirados. "Tem uma proposta de reforma previdenciária que quer igualar o tempo de contribuição de homens e mulheres", denuncia.
Kátia também defende mais investimentos na saúde da mulher e lembra que, no dia 7 de abril, o Resiste Mulher irá realizar seminário sobre saúde da mulher. Outra reivindicação é o funcionamento da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) em período integral. "A gente vai acompanhar e ocupar os espaços políticos dessa cidade, praças, ruas e dizer para as pessoas que a mulher exige oportunidade", anuncia. "O mês de março não é um mês para a gente ganhar parabéns, bombom e nem flor. É um mês de luta. Uma luta consciente, pacífica e empoderada".