Da querida amiga de infância da inesquecível cidade de Agudos, minha ex- professora e colega da USC, atualmente batalhadora colega aposentada, doutora Maria da Glória de Rosa.
Ilustre também escritora, queira aceitar os meus mais efusivos cumprimentos por sua matéria publicada recentemente no JC e que, tenho certeza, tem a aprovação de uma miríade de leitores deste conceituadíssimo diário de notícias. O meu estado de ânimo assemelha-se ao seu e, creia-me, não somos somente nós dois e os referidos leitores que pensamos e vemos as milhares de páginas viradas deste nosso País como retratos em sépia, opacamente, pois tomando-se agora em dimensão nacional, são milhões que, se antes otimistas, atualmente são desiludidos, para não se dizer revoltados, no bom sentido.
Ao longo de um tempo que não me é muito longo, pensei que com a remoção de uma catarata teria uma visão melhor ou mais nítida das páginas viradas do nosso querido Brasil. Porém e infelizmente, ela, assim como a sua, continua opaca, sem discernimento de detalhes, tanto do passado, no presente e quanto a perspectivas para o futuro. O que sabemos do passado é através de quadros históricos pintados em sépia e quanto ao presente e futuro é desejo e esperança de todos os cidadãos que amam este País que estas vivências sejam gravadas em cores mais vivas, que traduzam uma outra e nova realidade e comuniquem otimismo.
Enfim, o que é sépia? É uma cor que não é cor. Um marasmo de tons que nos impede de discernir a cor predominante, igual ao mesmo marasmo em que nossos antepassados viveram, que nos cerca e esperando que os nossos descendentes, futuras gerações, não vivam. Marasmo, é como patinar sem sair do lugar. E se conseguir sair um pouquinho do lugar, não tem rumo definido, cambaleia.
Este é o retrato explícito do quadro como vivemos em nosso País, em todos os setores ou níveis da sociedade, educação, saúde, segurança pública, economia e em especial na política, onde não predominam os interesses da sociedade e pátria, mas sim pessoais. É o quadro do "eu"; só eu; quero ser, quero chegar lá. Este "quero ser", infelizmente, não se refere ao crescimento ético-moral e espiritual, mas sim a cargos políticos e posições na sociedade.
Pergunto: somente agora ocorre esta obsessão político-pessoal? Não, infelizmente sempre houve, dentro do mesmo marasmo a que me refiro. O que importa é o "eu", não você ou nós, o Brasil. Brasil? Ele vem depois, deixe pra lá. Educação, saúde, segurança, cultura, ascensão social, "tenho tentado ajudar mas é difícil pois no Brasil tudo é difícil". Tudo é difícil, sim, até que concordo. Menos o enriquecimento através da corrupção, da desonestidade. Assim pensam e vivem encobertos milhares de homens públicos.
Corrupção e incompetência sempre existiram, mas não em intensidade tão virulenta como atualmente, conforme fatos que têm vindo à tona quase que diariamente graças à operação Lava-Jato, que também querem esvaziar. Se antes, prisão por corrupção era uma notícia bombástica, hoje tornou-se corriqueira, repetitiva, "arroz com feijão", até chata. Questiono-me: será que a operação da segunda vista com catarata dar-me-á uma visão mais nítida e otimista sobre a página atual?
Concluo que não. Para encerrar e filosofando, a grosso modo, eu ainda pergunto, não a mim mesmo, porque já sei a resposta, mas a você, leitor amigo: o que será que passa na cabeça desses políticos e homens públicos corruptos, ladrões - a maioria já com idades avançadas e com tanta ganância, obsessão pelo dinheiro. Será que eles pensam que vão levar consigo os milhões e bilhões roubados quando partirem deste mundo? E o muito que poderiam ter feito a si e aos seus semelhantes? Eu, destas alturas dos 87, e muitos outros poderemos antecipar a resposta se eles assim o pretenderem.