11 de julho de 2026
Regional

Instrutora e examinador são presos por cobrar propina

Lilian Grasiela
| Tempo de leitura: 2 min

Instrutora de auto-escola e examinador foram presos em flagrante pela Polícia Civil nesta terça-feira (27), em Itatinga (120 quilômetros de Bauru), acusados de cobrar propina de candidatos reprovados em exames práticos para que eles conseguissem aprovação. Cinco pessoas confirmaram o pagamento de valores entre R$ 100,00 e R$ 150,00 aos investigados, que, ontem, por decisão da Justiça, ganharam o direito de responder pelo crime de corrupção passiva em liberdade após pagar fiança de cerca de R$ 4 mil.

O fato ocorreu durante a realização de prova prática na cidade para interessados em obter a primeira Carteira Nacional de Habilitação (CNH) ou mudar de categoria e só chegou ao conhecimento da polícia porque um dos candidatos reprovados que recebeu o pedido de propina decidiu denunciar o esquema.

Segundo o delegado Antenor de Jesus Zeque, o candidato contou que, logo após o exame para mudança de categoria, foi chamado pelo examinador e recebeu a notícia da reprovação. "Na sequência, ele foi abordado pela funcionária da autoescola e ela falou que, se ele lhe desse R$ 150,00, seria aprovado", diz.

De acordo com o delegado, o homem foi até a casa dele, fotografou a numeração de série das cédulas e, após fazer o pagamento à funcionária da autoescola, procurou a delegacia. "Os policiais civis foram até o local dos exames e detiveram tanto a funcionária da autoescola quanto o examinador do Detran", revela.

MAIS CASOS

Zeque explica que, além de entregar à polícia o dinheiro que havia acabado de receber, cuja numeração de série coincidia com a da fotografia apresentada pelo candidato, a instrutora confessou que outros quatro candidatos também haviam concordado com o pagamento de propina em troca da aprovação nos exames.

"Duas mulheres pagaram R$ 100,00 pela primeira habilitação antecipadamente e dois homens pagaram no dia de ontem (anteontem) R$ 150,00 pela mudança de categoria. Todos eles foram identificados, trazidos para a delegacia e, realmente, confirmaram o pagamento à funcionária da autoescola", declara.

O delegado ressalta que, no caso do examinador, a participação no crime ficou comprovada por meio de relatos dos candidatos e documentos. "Em todas as fichas próprias para os exames, eles aparecem como aprovados após o pagamento. E essa ficha é preenchida pelo examinador quando termina o exame", cita.

AFASTADOS

Em nota, o Departamento Estadual de Trânsito (Detran) informou que os dois servidores foram afastados preventivamente de forma imediata e responderão a procedimento administrativo, podendo ser descredenciados ao final. "Como garante a Constituição, eles têm direito a defesa", pontua.