10 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Ciência x Pseudociência (ou Ciência versus Pseudociência)

Jorge Alberto C. B . Soares
| Tempo de leitura: 3 min

(Resposta ao professor Gilberto Sidney Vieira)

Em sua réplica "Esclarecimento a Jorge A. Soares" (Tribuna do Leitor 25/03/2018), o professor Gilberto Sidney Vieira traz mais relatos, minuciosamente documentados, sobre avistamento de UFOs. Bem, ninguém contesta que centenas de milhares de pessoas passaram a ver UFOs nos céus a partir de 24/06/1947 quando o piloto Kenneth Arnold avistou nove objetos voadores não identificados sobre o Monte Rainier, nos EUA.

UFO, a sigla em inglês de "Unidentified Flying Object" é o que o nome diz: um objeto voador não identificado. Mas "não identificado" é isso mesmo - algo que não conseguimos identificar com segurança - não tem nada a ver com naves extraterrestres, alienígenas e muito menos com conspiração de governantes para acobertar o domínio da Terra por seres interestelares.

Quando alguém vê algo estranho, diferente, nos céus e não acha uma explicação razoável, devia parar por aí e dizer honestamente: "não sei o que eu vi"! Agora dizer que o que viu foi uma nave extraterrestre é um enorme salto de lógica - é a diferença entre ciência e pseudociência. O fato de que o grande público acredita em UFOs e ETs não confere veracidade a essas crenças. Para o cidadão comum o melhor a fazer é selecionar suas fontes de informação escolhendo aquelas que tem confiabilidade e aceitação no mundo científico, tomando muito cuidado porque o campo editorial está "minado": cheio de tabloides, revistas científicas fajutas, livros, sites e canais de TV sensacionalistas.

A revista Scientific American, que tem em seu painel de consultores 2 ganhadores do Prêmio Nobel de Física, publicou em novembro de 2016 uma série de 5 artigos intitulada "5 Coisas Que Sabemos Ser Verdade ", entre eles o artigo de Seth Shostak intitulado "Não Há Provas Convincentes de Visitas Extraterrestres" onde conclui que não há evidências cientificamente validadas de que extraterrestres tenham estado aqui, recentemente ou no passado distante. Seth Shostak é astrônomo senior no SETI Institute, uma organização sem fins lucrativos que estuda a natureza da vida extraterrestre, com todas as credenciais e um acervo de fatos observados para justificar suas afirmações.

Em outubro de 2017 astrônomos confirmaram e caracterizaram o primeiro objeto 'visitante' de nosso Sistema Solar vindo de outra estrela. Inicialmente designado A/2017 U1, o asteroide agora apelidado "Oumuamua" é diferente de todos os objetos do tipo que já foram vistos em nossa vizinhança cósmica, com seu formato lembrando um charuto de cerca de 400 metros de comprimento, 40 metros de diâmetro e uma cor avermelhada. Atraído pela gravidade do Sol, o asteroide fez uma curva fechada de retorno, passando sob a órbita da Terra no dia 14 de outubro de 2017 e se afastando para a altura da órbita de Marte, devendo passar pela órbita de Júpiter em maio de 2018 e pela de Saturno em janeiro de 2019 a caminho de sua saída do Sistema Solar. O interessante é que nesse meio tempo os radiotelescópios do SETI em Hat Creek (California) e Green Bank (West Virginia) passaram vários dias apontados para o Oumuamua mas não conseguiram captar nenhuma transmissão vinda dele.

Sim - há muita gente séria fazendo investigação científica de UFOs e vida extraterrestre! Vamos acreditar neles - Ciência - ou no folclore apregoado pelos Ufólogos - Pseudociência?