O prazer de interpretar
| Samantha Ciuffa |
| Fotos: Arquivo Pessoal |
| Acima, na peça “Menino Minguado”, em Bauru, nos anos 80; abaixo, no filme “Primavera”, com Ruth de Souza |
| Malavolta Jr. |
| Reminiscências: aos 18 anos, em matéria do JC; ao lado, com quase 2 anos |
| Pose na festa de abertura da novela “Orgulho e Paixão” |
Emmilio Moreira descobriu em Bauru, ainda na adolescência, a vocação de ator. Hoje, aos 48 anos, já participou de mais de 20 peças de teatro. Filmes foram outros 20 (entre longas e curtas). Participações cênicas na televisão, entre séries e novelas, já contabilizam também uma dezena. Um currículo de fazer inveja, não só pela quantidade, mas pela qualidade. Já foi ganhador de prêmios. Sem deixar de lado o amor por Bauru, sempre que pode, Emmilio está na cidade, onde seus pais residem.
Jornal da Cidade - Você se considera bauruense?
Emmilio Moreira - Sim, apesar de ter nascido em Mirante do Paranapanema. Por causa do trabalho do meu pai, na Cesp, a gente viajava muito. Quando pequeno, morei em Jales, Nhandeara, enfim, até nos estabelecermos aqui... Foi aqui mesmo que criei raízes.
JC - Você tem boas lembranças da cidade?
Emmilio - Só boas lembranças. Imagine, foi aqui que passei minha adolescência, que encontrei meu rumo na vida, a minha grande formação começa aqui de forma que, de minha parte, não dá para não gostar desta cidade. E foi aqui também que aflorou meu gosto pelas artes. O amor pelo teatro. Na época, era o governo Tuga (Angerami - primeira gestão) e havia uma efervescência. O grupo Raíces de América vinha aqui, deixou ótimas recordações. Havia grupos de teatro. A gente disputava festivais, encenava em locais abertos. Paralelamente, eu fazia parte de um grupo que se reunia na casa do Jurandyr Bueno Filho (arquiteto e político). A gente pedia para ele viabilizar um teatro na cidade. Era muito importante que a cidade tivesse um teatro e gente batalhava por isso. Veja, eu cheguei a ser professor de teatro em uma oficina de atores na prefeitura. Trabalhei nisso por cinco anos. Também dirigi grupos da Terceira Idade. Foi assim que comecei a produção de peças locais com grandes nomes do teatro, por exemplo, Fernanda Montenegro e Drica Moraes. Conheci Lima Duarte, Armando Bogus e Bauru não tinha teatro. Hoje tem, né? Uma pena que Bauru perdeu recentemente a Oficina Cultural. Isso é que não pode acontecer. Cultura é muito importante para um povo. Tive como referências Umberto Magnani e Mayara Magri (entre outros ícones da televisão e do teatro).
JC - Chegou uma hora que precisou ir em busca do sonho, não é?
Emmilio - Sim. Mas ainda tenho muito o que fazer, muito o que produzir... Fui cursar Artes Cênicas na Unicamp, em Campinas, foi como se fosse um chamado. Realmente vale a pena.
JC - Ganhou até prêmios.
Emmilio - Sim, foi quando entrei para o time de "A Máquina Tchekhov" que conta a história de Anton Tchekhov de Matéi Visniec (dramaturgo russo, escritor, médico, considerado um dos maiores contistas de todos os tempos). Ficamos quatro anos em cartaz. Com direção de Clara Carvalho e Denise Weinberg a peça ganhou Prêmio Shell de Iluminação e Direção de melhor espetáculo. Fomos também premiados na primeira edição do Prêmio Zé Renato. Mas veja bem, por Bauru, ganhei até prêmio de melhor ator no Festival de Teatro Amador de Barra Bonita.
JC - Tchekhov az parte de sua vida, né?
Emmilio - Me identifico muito com ele, pela sua contemporaneidade, pelo que fala ao interior do ser humano. Hoje, inclusive, faço parte de um grupo de estudo sobre realismo russo, sob coordenação de Clara Carvalho. Recentemente, fiz uma peça "Tio Ivan", o personagem principal é um médico ambientalista (isso em 1905) e a peça é intimista, nada acontece e, ao mesmo, tempo tudo acontece dentro dos personagens.
JC - A gente vê pelas obras que participou que você trabalha muito a sensibilidade.
Emmilio - Para mim, isso é muito importante. Não dá para ser ator sem sensibilidade, sem confiar na intuição. E sou um ser sensível, signo de Libra, com quatro planetas em Libra, gosto de Tarô, faço minha revolução solar (mapa natal anual) sempre.
JC - E tem a Numerologia...
Emmilio - De fato, um "m" a mais no meu nome. Mas aí também foi para me diferenciar do meu pai, que tem o mesmo nome, tanto que em casa me chamam de Júnior e não sou Júnior (risos). Mas o "m" é forte e comigo a numerologia deu muito certo. E tem a coincidência do número 9 que está sempre muito presente em tudo o que faço. E me persegue mesmo (risos). Tanto que entro no episódio 9 da série "Carcereiros" (ainda sem previsão de estrear em canal aberto, mas que já vai para a segunda temporada em vídeo no canal da Globo), com Rodrigo Lombardi. Faço um delegado. Essa série é bárbara, baseada em uma obra de Drauzio Varella, sobre o Carandiru, que também é médico. Olha aí outra coincidência, Tchekhov também era médico.
JC - Você falou que não torce por nenhum time...
Emmilio - Na verdade, só o futebol não me emociona. É muito midiático, assumiu uma proporção descabida, quase um fanatismo. Mas em compensação, adoro Olimpíadas. Admiro muito os atletas brasileiros, os amadores. Sabe, com eles me identifico. Parecem muito com a vida do artista, que exige muito esforço, superação a cada dia. Batalham muito, sofrem demais, não são reconhecidos. Por isso me identifico, merecem todos os aplausos.
JC - E como está sendo participar de Orgulho e Paixão? Como é o clima das gravações?
Emmilio - O clima está bárbaro. Uma sintonia ótima nas gravações. Sem falar que a produção é esmeradíssima. Quem gosta e quer saber dos primórdios das ferrovias, do café, vai gostar. Thiago é meu sócio, vamos construir uma ferrovia. Ele é grande, sob todos os aspectos. Grande ser humano e enorme. Eu sou alto (1, 79 m e 77 kg) e fico pequeno perto dele (risos). E olha aí, tem essa garra de quem foi atleta também. Fez natação, luta pela boa forma.
JC - Falando nisso, como você mantém a forma?
Emmilio - Para fazer esta novela emagreci cinco quilos. Descobri o treinamento funcional. A gente trabalha em cima do próprio peso, do próprio corpo. É bom demais. E depois, televisão aumenta, engorda. Sem falar que temos todos que nos cuidar.
JC - E a Geografia, onde entra em sua vida?
Emmilio - Em Bauru (risos). Mas é que eu agradeço a uma professora de Geografia, Vanda, que me ensinou a gostar da matéria. Acabei me formando na USC e foi a Geografia que me permitiu me manter fora de casa até conseguir viver da interpretação.
JC - Aliás, você falava disso numa matéria do Jornal da Cidade, em 1991, quando foi a sua despedida das artes bauruenses...
Emmilio - Da fato, falava mesmo. Previ tudo o que iria acontecer e a previsão deu certo. Trilhei o caminho que eu esperava.
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PERFIL
Nome - Emilio de Jesus Moreira (nome de batismo)
Data de nascimento - 21/10/1969
Local - Mirante do Paranapanema
Pais - Emilio Batista Moreira (funcionário público) e Maria Benedita Moreira (dona de casa)
Irmãos - Paulo Fernando Moreira e Ronaldo Batista Moreira (sou o mais velho dos três)
Time do coração - Nenhum, nem ligo para Copa do Mundo, mas gosto de Olimpíadas. E faço Kangoo Jump (atividade física individual)
Filme - 'As Noites de Cabíria' (de Federico Fellini, adoro as obras dele). Esse filme todo mundo deveria ver especialmente pela atriz principal, Giulietta Masina. A personagem dela é uma ode à esperança).
P.S. - O filme é de 1957 e Cabíria é uma jovem romântica e ingênua que se prostitui para sobreviver
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