09 de julho de 2026
Articulistas

Figurinhas pelo caminho

João Pedro Feza
| Tempo de leitura: 2 min

Não há como não ter simpatia diante da febre das figurinhas. Pode-se até reclamar de preço, mas o negócio literalmente cola. Não é de hoje. De repente, gente que você nem imagina está colecionando. A preocupação suprema é trocar logo o Luka Modric e o Albin Ekdal, que insistem em sair em repetição. No "meu tempo" era ainda mais difícil.

Cheguei a ter álbum cujos cromos não eram autocolantes como os da Copa. Ou você gastava com cola ou tinha de fabricar a sua (água, farinha de trigo e vinagre e, de quando em vez, empelotava).

O primeiro álbum de lembrança mais imediata é o da Turma do Paulistinha ("Deus, estou envelhecendo!"). Parece que foi uma estratégia do governo de incentivar o giro de notas fiscais e cupons de compra que, assim, eram trocados por álbuns e figurinhas até que a pessoa pudesse concorrer a prêmios. Nem lembro direito como funcionava o mecanismo em 1980. O pai é que se virava. A gente só colava. Eram desenhos do tal Paulistinha, um garoto, e sua turma em cenas de cidades e brincadeiras diferentes.

Também tive, na mesma época, o espetacular álbum de "Superman - O Filme" que, assim, página a página, contava a história toda que brilhou nos cinemas. Até hoje tem gente vendendo figurinhas disso por aí. Esse álbum, que custava valiosos Cr$ 3,00 eu ainda quero ter novamente. Pena que a gente cresce e perde as coisas.

Nunca completei um álbum. Mas também teve o da Copa de 1982. Vinte e quatro equipes e aquele festival de cores e uniformes. Álbum de Copa é sucesso garantido. Nesse da Copa 2018, cada cromo tem altura e peso do jogador, além do clube de origem.

Pode-se até torcer o nariz para o caráter mercantilista da coisa, mas é um alívio - em uma era tão exageradamente virtual - que a gente ainda possa colar figurinhas com os filhos ou amigos. Mais um álbum que não vou completar, mas que cumpre seu papel de divertir e informar. Certas coisas, como a extravagante camisa da Croácia de Modric, não mudam. E não sei vocês têm, mas o cromo dourado com o brasão da Espanha é lindo!

Sugestão: podia até ter um álbum com clássicos personagens da nossa corrupção política. Já pensou jogar bafo batendo a palma da mão bem forte na cara dos figuras? E colando e batendo de novo para colar melhor. E fechando as páginas numa batida seca: pá! Que beleza contra o estresse. Quase tão bom quanto tirar o Neymar.

O autor é editor do JC.