09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

O 31 de Março na vida brasileira

João Francisco Tidei Lima, professor aposentado
| Tempo de leitura: 2 min

Este 31 de março somou 54 anos desde o Golpe Civil-Militar que instalou durante 20 anos uma ditadura no Brasil. Como analisa o historiador uruguaio René Armand Dreifuss no seu livro "1964; A Conquista do Estado, Ação Política, Poder e Golpe de Classe". Naquele 1964, o Brasil, população de 70 milhões de habitantes, depois do período desenvolvimentista do governo Juscelino Kubitschek, crescimento anual de quase 8%, expunha gritantes desequilíbrios sociais, exigindo as chamadas reformas de base, no campo e na cidade, muitas delas pendentes até hoje.

Diante desse quadro, no entender da socióloga Maria Victória de Mesquita Benevides, o governo do presidente João Goulart "seria polarizador da mais intensa mobilização social e política da história brasileira contemporânea". A discussão se instalava, como nunca, em todos os segmentos, sem exceção, da sociedade brasileira.

Não esqueço do 13 de março de 1964, dia do chamado Comício das Reformas, de João Goulart, presença de 300 mil pessoas em praça pública do Rio de Janeiro. As elites econômicas urbanas e rurais já vinham conspirando, articuladas com comandos das Forças Armadas. No dia 31 de março o desencadeamento do Golpe, depondo o presidente João Goulart, com apoio aberto dos Estados Unidos.

Na sequência, os presidentes militares e os chamados Atos Institucionais, um deles o AI-5 de 1968, que deixaria um saldo de presos, mortos e torturados, milhares de exilados e censura implacável dos noticiosos de rádio e televisão, além de jornais e revistas, proibição ou mutilação de cerca de 500 filmes, 450 peças de teatro, 200 livros, mais de quinhentas letras musicais, cenas de telenovelas ou telenovelas completas. Vinte anos de Ditadura Civil-Militar...

Ditadura nunca mais! Mas este subcontinente, com 14 milhões de desempregados, campeão mundial de acidentes automobilísticos, muitas ferrovias desativadas, continua reclamando por reformas de base discutidas naqueles idos de 1964: reforma agrária, programas habitacionais, projetos contemplando saúde, educação, transportes, segurança etc.

Uma expectativa que precisa evoluir para urgente mobilização e cobrança dos agentes político-partidários em todos os níveis.