11 de julho de 2026
Geral

Até 22, jovens! Depois são velhos! Por Alberto Consolaro


| Tempo de leitura: 3 min

Visão de mundo e opiniões são forjadas em nossas mentes pelos pais, irmãos e quem mais nos cerca nas duas primeiras décadas de vida. A música "Como nossos pais" é cruel: no fundo, somos iguaizinhos aos nossos pais, inclusive no tipo de ligação com o vil metal. Esta música deveria ser recantada como rock ou funk: iria viralizar!

Einstein dizia aos jovens para não ler muito, pois se perderia criatividade. Quem estuda muito fica bitolado e sem originalidade. Aquele de mente aberta, receptivo às forças universais, devaneios, sonhos e loucuras da imaginação serão os realizadores dos avanços se persistirem sem influenciar-se pela maioria. A juventude termina ao redor dos 22 anos!

A ciência ficou engessada pelo Discurso do Método criado por Descartes em 1637. Na ciência criou-se uma forma fechada de progressão na carreira das universidades e institutos. É tudo muito rígido e regulado, sem espaços para ousadias, repentes ou "insights"; loucuras juvenis, nem pensar! Até discussões e divergências são engessadas, tudo muito cheio de não pode. A repressão comanda o comportamento. Saiu da casinha, cortam-se as asinhas! Se um jovem der sinais de pequenas rebeldias, inovações, insights, poesias e sonhos, pode esquecer: não será contratado!

Ser contratado significa ter o título de doutor ou, em outras palavras, ser uma pessoa formatada, reprimida com manias e vícios para não provocar grandes renovações e revoluções onde irá trabalhar! Até obter este título são no mínimo 5 anos de "adequação". As instituições são muito velhas, fechadas e não se permitem mudar invocando regras feitas por elas! É muito protocolo, formulário e relatório! Os que fazem iniciação científica, mestrado e doutorado acabam se enquadrando ou acomodando!

COISA DE JOVEM

Os jovens mais ousados e tenazes saem, ou nem entram, nesse sistema descrito! Vão criar apps, empresas de tecnologias, incubadoras, clínicas e empresas de serviços inovadores. Por isto as agências financiadoras de pesquisas estão reduzindo sua importância e algumas são desmontadas por governos ultraconservadores de direita, como faz Trump nos EUA.

Esta rigidez protocolar torna lenta e pouco produtiva a ciência diante do ritmo atual do evoluir, levando-a a perder lugar para o conjunto de ações conhecido como tecnologia e inovação. Não importa mais publicar, o importante é criar patentes e marcas registradas. O conhecimento novo deve ser registrado no lugar de publicado, para se permitir usá-lo mediante pagamento de dinheiro ou "royalties" com rendimento pessoal, empresarial e para o país. O novo e registrado rende rápido e se chama tecnologia e inovação!

Na ciência, o novo deve ser publicado em revistas científicas e demora, e quando sai, não rende nada, pois não se pode patentear o que foi publicado. Um conhecimento novo só pode ser "alugado, permitido ou autorizado" se for patenteado, mas não pode ter sido publicado. O bom pesquisador, universidade e instituto, hoje, não é mais aquele que publica muito, mas o que mais obtém patentes e marcas.

O QUE É VELHO?

Várias publicações apresentaram critérios para se considerar uma pessoa velha e ditaram: "Velha é aquela pessoa que se reconhece velha, independe da idade"! Na teoria é bonito, mas na biologia não é bem assim. Envelhecimento começa ao redor dos 22 anos. A vida foi programada para se ir até 30 anos. A qualidade de vida e a medicina nos fazem ir além, mas corpo e mente vão se degradando, pois as carnes e músculos se reduzem dando início à Sarcopenia.

Se quisermos ser criativos, resilientes, tolerantes e generosos que aprendamos até 22 anos e com nossos pais. Por isto tantos "jovens" com mais de 22 anos são tão grosseiros, julgadores, intolerantes, radicais e intransigentes senhores de si. Na verdade, são velhos que não aprenderam quando eram jovens, ou seja, quando ainda tinham até 22 anos. Agora é difícil mudar.

Podemos envelhecer com sabedoria, inteligência e conscientes disto! O melhoramento social sofre muita resistência às mudanças por que os velhos, que se posam de "jovens" com seus mais de 22 anos, estão armados até os dentes dizendo: podem mudar, mas não mexam com meu queijo!

É o subconsciente.

Alberto Consolaro é professor titular da USP - Bauru. Escreve todas as terças-feiras no JC.