09 de julho de 2026
Articulistas

Eu escolhi não bater

Leandro Nigre
| Tempo de leitura: 3 min

Há quem diga que uma palmada resolve. Devo concordar! Eu já bati. Na verdade, amedronta, castiga, apavora, assombra, assusta, atemoriza, intimida, garante o respeito por meio do medo. De um lado, o adulto abusando de sua força física infinitamente superior, e do outro, a criança à espera de ser disciplinada, requisitando limites, orientação, um ser humano em construção, em busca de conhecer o que pode ou não fazer!

Quebrar o ciclo da violência para educar é um dos principais desafios desta geração de pais. Historicamente, as agressões físicas e psicológicas foram empregadas para correção, para impor autoridade. Depois delas, um olhar sério, muitas vezes, bastava para nos colocar no eixo. Quem bate, provavelmente, apanhou um dia e não viveu a experiência de apenas uma palmada. Levou surra, sentiu na pele o peso do erro, da afronta, da desobediência. Foi assim que aprendeu, é a metodologia agressora que "funcionou" e que serve como parâmetro. Ah, que tempo bom para nos desprendermos de tamanha ignorância.

Chinelo, cinto, vara, fio de ferro de passar, cabo de vassoura Não foi só uma palmadinha que muitos enfrentaram. Os objetos já usados na prática tornariam esta lista quilométrica. A violência começa com a palmada e se amplia à medida que a "malcriação" aumenta. Vira espancamento. Quanta oportunidade de diálogo desperdiçada, permutada em tapas, tentativas de opinar encaradas como desrespeito da prole. "Criança não responde, não fala, não retruca, não pode expor suas ideias". Balela. São vítimas da exaustão dos pais, que cansados de falar, explicar, direcionar, partem para a agressão. Até quando?

Se a educação dos filhos não tem dado trabalho por aí pode ser indícios de que alguma coisa esteja fora do eixo. Criar e disciplinar crianças é cansativo, exige paciência, amor, carinho, respeito pela opinião alheia, direcionamento, ordem, voz imponente, muitas vezes, mas nunca a agressão. E cá entre nós, isso está longe de fazer qualquer apologia à superproteção ou mesmo à negligência.

Há sempre um adulto nesta história. Nenhuma criança precisa de tabefe para aprender algo. Diálogo incansável, controle das birras e explosões emocionais com carinho, entendimento, paciência O modelo moral e ético é aquele que se absorve no meio de convivência. Os pequenos apresentam dificuldades de compreensão de seus sentimentos, frustrações e impedimentos. Mesmo que ainda este descontrole venha acompanhado de choro, esperneio, tapas, chutes, mordidas Calma, ensine!

Trabalhe preventivamente, planeje ações diante de possíveis ocorrências, apresente regras, monitore, saia de cena quando preciso, tome fôlego, respire, mas não bata. Oferte-lhes valores, não ceife o senso crítico, a posição contrária, mas tente deixar clara a consequência dos atos. Tem criança clamando para ser ouvida. Ei, vamos acordar! Acolher esta demanda compõe o legado da paternidade e maternidade.

Pai e mãe precisam estabelecer a mesma linguagem, uma comunicação positiva, viver um bom clima conjugal, falar de forma segura, firme, precisa, não deixar dúvidas do posicionamento e estar prontos para sustentá-lo diante de um debate. Não seja nocivo, não grite, não xingue, não cale, não prenda sentimentos, não busque a resolução de problemas com a agressão. Fazer escolhas é difícil até na fase adulta! Faça a sua. É possível ser assertivo.

Limite e amor no mesmo peso são condutores de saúde emocional!

O autor é pai, jornalista, especialista em Mídias Digitais, editor-chefe de O Imparcial e idealizador do projeto Papai Educa http://www.papaieduca.com.br. Contato: papaieduca@gmail.com