Reino Unido - Uma série de crimes registrados durante a última semana, especialmente na noite de quinta-feira (5), deixou ao menos dois mortos e sete pessoas feridas e acendeu um alerta sobre o crescimento da violência em Londres.
Em uma cidade que costuma se projetar como uma das metrópoles mais seguras do mundo, e onde quase não há incidentes com armas de fogo, a alta de crimes tem criado preocupação. A onda pressiona a polícia e gera críticas contra o governo da primeira-ministra Theresa May.
"Houve uma clara mudança no estado de espírito da cidade. Não diria que as pessoas estão com medo, não é nada parecido com o Brasil, mas todo mundo está mais em alerta", diz o consultor de política e direito Ben Sadek, 27 anos.
Nascido no subúrbio de Londres, Sadek vive no norte da capital inglesa, mas passou duas temporadas na favela da Rocinha, no Rio (2013 e 2015), para fazer pesquisas.
Apesar de o governo inglês já estar atento a ataques a faca, em alta desde o ano passado e que ocorrem em média 15 vezes por dia em Londres, a quinta-feira chamou a atenção por causa do intervalo curto entre os episódios. Em 95 minutos, seis esfaqueamentos foram registrados.
A maior parte dos casos envolve ataques a faca, mas nesta semana a crise se agravou com tiroteios em que dois adolescentes morreram. A piora do quadro levou a polícia a convocar para reunião de emergência com líderes comunitários.
Enquanto isso, 40 parlamentares trabalhistas acusaram May de ignorar o problema e exigiram que ela intervenha pessoalmente contra a violência. Os políticos da oposição dizem que cortes no financiamento da polícia podem estar relacionados ao aumento da criminalidade.
Ainda assim, a chefe da polícia londrina, Cressida Dick, negou que as forças de segurança tenham perdido o controle da situação.
Com a alta nos índices de violência, a taxa de homicídios de Londres em fevereiro e março deste ano foi maior que a de Nova York pela primeira vez na história moderna --as duas têm populações de tamanho semelhante.
Houve 15 assassinatos em Londres em fevereiro contra 14 em Nova York, segundo o Serviço de Polícia Metropolitana de Londres e o Departamento de Polícia de Nova York. Em março, 22 assassinatos foram investigados na capital inglesa, contra 21 na maior cidade americana.
O Ministério do Interior do Reino Unido disse que estuda propor novas leis para restringir ainda mais as armas perigosas, incluindo na legislação a interdição de que lojas online entreguem facas a endereços residenciais, por exemplo.