10 de julho de 2026
Articulistas

Leitura, um hábito a ser estimulado

Rossana Teresa Curioni Mergulhão
| Tempo de leitura: 3 min

O dia 2 de abril, segundo o calendário mundial de datas comemorativas, é reservado ao "Dia Internacional do Livro Infantil", data que também é lembrada no calendário brasileiro. Dia 18 de abril comemoramos o "Dia Nacional do Livro Infantil". As datas comemorativas me permitem refletir sobre temas que, muito embora sejam relevantíssimos, nem sempre dispensamos a atenção necessária.

Preocupados com assuntos do cotidiano, dispersos com whatsapp, facebook, instagram e outras tecnologias, escândalos, prisões, liberdades, corrupção, acusação, defesa, endividamento, superendividamento, temos negligenciado em pontos relevantes. Chamaram minha atenção as datas acima no sentido da pouca importância que damos à leitura, ressalvadas as exceções, sempre!...

Há dias atrás a educação brasileira e, no contexto, a nossa deficiência na leitura, foi objeto de notícia, ante aos números, em estudos internacionais.

Segundo os dados divulgados, os estudantes brasileiros podem demorar mais de 260 anos para atingir a proficiência em leitura dos alunos dos países ricos. Em matemática, a previsão é de que os brasileiros levarão 75 anos para atingir a pontuação média registrada nos países desenvolvidos. As estimativas são de um relatório sobre a crise da aprendizagem, produzido pelo Banco Mundial, com dados do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa), prova coordenada pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), aplicada a cada três anos, entre 35 membros da OCDE e 35 parceiros, incluindo o Brasil. Entre outros itens ela avalia o conhecimento dos alunos em ciências, leitura e matemática.

Para que a aprendizagem cumpra a promessa de eliminar a pobreza e criar oportunidades para todos, o Banco Mundial aponta três recomendações de políticas públicas: 1 - Avaliação da aprendizagem. Segundo o estudo, só metade dos países em desenvolvimento tem dispositivos para medir a aprendizagem no final do ensino fundamental e das primeiras séries do médio; 2 - Fazer as escolas trabalharem para todas as crianças. O relatório propõe desde oferecer nutrição adequada até a utilização da tecnologia que ajudem os professores a ensinar; 3 - Mobilizar todas as pessoas interessadas na aprendizagem, como a comunidade.

O relatório aponta casos de países que investiram em estratégias de aprendizagem e tiveram sucesso em avaliações internacionais. Um exemplo citado é a Coreia do Sul, país que foi assolado pela guerra e tinha taxas de alfabetização muito baixas em 1950, mas conseguiu universalizar o acesso de matrículas em 1995 e atingir altos índices em rankings de aprendizagem. Os dados são de um relatório divulgado no dia 28/02/2018 pelo Banco Mundial.

O leitor pode estar perguntando: que relação tem as datas acima e os números? Talvez nada e tudo... A leitura é hábito e penso que o melhor momento, embora não necessariamente o único, a infância seja uma etapa importante para se disseminar esse saudável hábito - a leitura.

O relatório mencionado aponta que em países como o Quênia, Tanzânia e Uganda, quando se pediu aos alunos do 3º ano do ensino fundamental que lessem em inglês ou kiswahili uma frase simples como "o nome do cão é Filhote", 75% deles não compreenderam seu significado. Na zona rural da Índia, cerca de 75% dos alunos do mesmo ano não foram capazes de fazer uma subtração de dois dígitos.

Será que essa realidade é só do Quênia, Tanzania e Uganda? Infelizmente, não! E como se muda? A par de outras estratégias de ensino, também a partir da leitura, através da qual podemos melhorar o funcionamento do cérebro, estimular a criatividade, incitar o senso crítico, dentre outros tantos benefícios.

Fazendo agora, uma última ligação... em ano eleitoral, o senso crítico é primordial. Sem ele, um dos maiores direitos que possuímos como cidadão, o voto, torna-se letra morta, pérola dada a porcos...

A quem interessa uma nação com senso crítico? Que possamos acelerar o processo e não demoremos 260 anos para atingir níveis de países "desenvolvidos"; que não demoremos um só minuto para incentivar a leitura... O tempo urge!

A autora é juíza de Direito, mestre em Direito. Pós graduada em Antropologia. Docente no ensino superior.