04 de abril de 2026
Geral

Aranhas aparecem em casas e assustam

Ana Beatriz Garcia
| Tempo de leitura: 4 min

Reprodução
Duas aranhas encontradas na casa de dona Antônia dos Santos Lima, no Parque Bauru

Elas têm oito patas e geram verdadeiro pavor em algumas pessoas. Alvos constantes de "visitas" indesejadas em suas casas, moradores da quadra 2 da rua Silvia Regina Mariano, no Parque Bauru, encontraram duas grandes aranhas ontem. Em outro ponto da cidade, na Vila Nipônica, esse tipo de situação também tem tirado o sono de uma família.

A dona de casa Antônia dos Santos Lima, de 61 anos, está acostumada com pequenas aranhas que aparecem em sua casa, no Parque Bauru, além de outros bichos. "Por causa desse matagal, aqui já apareceu escorpião, cobra, caramujo. Aranha, geralmente, aparece das pequenas. Mas grande desse jeito eu nunca vi. Eram duas, estavam bem na minha cozinha", relata Antônia. Apesar do susto, a dona de casa se arriscou a capturar os aracnídeos e colocá-los em um pote.

Moradores das duas casas vizinhas a de Antônia confirmam a presença indesejada dos aracnídeos. "Sempre aparecem aranhas na minha casa, mas nunca tínhamos visto deste tamanho", diz a Maria José de Souza Costa Matias, de 48 anos.

"Minha esposa está gravida e tenho crianças em casa, estamos cercados por mato alto e, há quinze dias, vi uma aranha já um pouco maior em umas roupas que estavam estendidas em uma cadeira. Isso nos preocupa muito", completa o também vizinho Matias Muniz, de 42 anos.

PREOCUPANTE

Do outro lado da cidade, na Vila Nipônica, a reclamação é a mesma. Com duas crianças pequenas, com 6 e 2 anos, em casa, Maila Meryellen Ferreira Garcia, de 40 anos, toma todos os cuidados para que as aranhas não tenham vez. "Existe um terreno sem manutenção ao lado da nossa casa. Nós fizemos barreiras, comprei venenos para outros insetos que servem de alimentos para as aranhas, também coloquei telas e proteções nas frestas das portas", explica.

Ainda assim, uma grande aranha foi encontrada no banheiro da casa na semana passada. "Minha filha de 6 anos que viu a aranha no banheiro. Ainda bem que a minha mãe estava com ela no momento e cuidou para que nada acontecesse. Mas fiquei muito preocupada, nem consegui dormir. Mesmo deixando minha casa extremamente limpa, ainda sacudo os lençóis das crianças e olho tudo para conferir que não entraram em casa", conta, complementando que a "visita" de escorpiões também não é algo raro.

AVISE

Apesar dos casos, a Vigilância Ambiental diz não ter recebido denúncias oficiais. O órgão ainda orienta que, em caso de encontro de aranhas ou demais animais peçonhentos, as pessoas não tentem a captura e não utilizem substâncias químicas para matar o animal. "Até o momento a Vigilância Ambiental não recebeu nenhuma denúncia. A limpeza periódica em terrenos e a retirada e entulhos e lixos auxilia no combate. Mas o ideal é que a pessoa que vir o animal, entre em contato conosco e protocole o pedido. Uma equipe irá ao local, avaliará, dará orientações aos moradores para assim, tomar as providências necessárias em cada caso", destaca o diretor da Vigilância Ambiental, Mário Ramos.

O telefone do órgão é o (14) 3103-8050 ou (14) 3103-8056 e funciona de segunda à sexta das 8h às 17h.

Reprodução
Aranha lobo encontrada na casa de Maila Meryellen Ferreira Garcia, na Vila Nipônica

Samantha Ciuffa
Antônia Lima diz que o mato alto traz diversos animais peçonhentos para dentro de sua casa; ao lado, as aranhas que foram capturadas ontem

Aceituno Jr.
Manuella e a mãe Maila mostram o local onde a aranha foi encontrada (ao lado)

Tamanho é documento?

Segundo o professor e especialista em toxinologia do Centro de Estudos de Insetos Sociais da Unesp Rio Claro, Mario Sérgio Palma, no caso das aranhas, nem sempre 'tamanho é documento'. "Não é pelo fato de ela ser grande que oferece risco. As caranguejeiras que são grandes são relativamente inofensivas, apesar de terem a aparência muito assustadora. Inclusive, algumas das pequenas estão entre as mais venenosas", frisa.

Ele ainda avalia que a aranha que apareceu na casa de Maila, na Vila Nipônica, corresponde a uma Lycosa, chamada aranha-lobo. "São típicas de gramados abertos, como terrenos desocupados. Apresentam algum risco de acidente, com formação de feridas, que exigem alguma atenção médica".

Por conta da qualidade das imagens, ele não conseguiu precisar quais seriam as aranhas achadas no Parque Bauru.

O especialista explica que, além da relação com terrenos sujos, o surgimento desses animais pode se dar por fatores como a mudança de clima, após o período de chuvas, de acordo com o especialista. "Não é normal aparecerem esses animais dentro de casa, mas áreas com mato alto, sujeiras e lixos facilitam. Durante o dia, elas ficam para fora por conta do calor e, com as temperaturas mais baixas durante à noite, podem vir a buscar abrigo dentro das residências", conclui.

E o mato alto?

Em relação a denúncias de mato alto, elas podem ser feitas no Poupatempo, localizado na avenida Nações Unidas, 4-44, no Centro, em Bauru. O atendimento ocorre de segunda à sexta-feira, das 8h às 17h, e aos sábados, das 8h às 13h. Outra opção é ir até a Seção de Controle de Zoonoses da Secretaria Municipal de Saúde, que fica quadra 2 da rua Henrique Hunziker, na região do Jardim Redentor, e funciona de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h. Mais informações pelo telefone (14) 3103-8050.