10 de julho de 2026
Articulistas

Entre a velha e a nova política, a saída é ser honesto

Thereza Collor
| Tempo de leitura: 3 min

Não é um momento fácil para a jovem democracia brasileira. Nunca se confiou tão pouco nos parlamentares, nem houve a percepção de tamanho desalento às vésperas de uma eleição. A política institucional se confundiu com o simples roubo. E as punições recentes parecem se perder no emaranhado de estratégias para deixar tudo como está. Não admira, então, que se fale de uma nova política. Mas o que é esse novo, além de um modismo recauchutado, velho engodo com cara nova para atrair votos que referendem os esquemas de sempre?

Foi assim quando se vendeu a caça aos marajás na primeira eleição democrática desde a ditadura, em 1989, como solução para um Brasil desiludido. Havia 22 candidatos à Presidência. Um deles, especificamente, falava de uma nova política. O resultado foi um esquema de corrupção monstruoso, que eu e meu então marido, Pedro Collor, nos dispusemos a denunciar. Sem medo de ameaças, expusemos aquele falso novo que se travestia de combate aos privilégios para praticar a velha roubalheira de dinheiro público disfarçada de projeto de país.

O primeiro impeachment de nossa história, com ampla aprovação popular, pôs fim àquela aventura. Mas, passadas duas décadas, percebeu-se que a corrupção não foi aplacada. Ao contrário, do mensalão à Lava-Jato, a Justiça se viu obrigada a enfrentar esquemas ainda mais descarados. Um segundo impeachment tirou o PT do poder. O recado foi claro: outro partido, com suas velhas raposas, vendia mais uma vez a ideia do novo - agora travestida de justiça social - para repetir a patifaria com a coisa pública, num nível ainda mais institucionalizado. A população, mais uma vez, disse não.

Surgiu uma luz no fim do túnel. O combate aos corruptos também se institucionalizou, fincou suas raízes no imaginário popular. Graças à Operação Lava Jato e à discussão sobre as medidas anticorrupção que se seguiu, os cidadãos perceberam que é possível, sim, barrar esse modus operandi perverso que assola a nação. Dados recentes da pesquisa Datafolha mostram que só 5% da população aprovam o desempenho de deputados federais e senadores. Mas o que o brasileiro buscará, então, nas urnas? Honestidade. Para 72% dos eleitores, o anseio maior é votar em candidatos honestos. O que não é fácil, já que 79% não se lembram em quem votaram para o Congresso em 2014.

Por isso, a eleição de 2018 se coloca como um momento-chave para o futuro de nossa democracia. Vamos eleger um presidente. Mas não se pode esquecer que é a partir da Câmara e do Senado que a velha política se nutre para manter o que há de mais arcaico: a desonestidade. Para fazer a mudança estrutural da política de que tanto precisamos, é necessário renovar esse Congresso. Separar as velhas raposas travestidas de novidade, ali apenas para manter privilégios, de quem realmente quer arregaçar as mangas e lutar pelo país.

O eleitor deu seu recado: novo é ser realmente honesto e transparente, é cumprir seu papel e sair do mandato com a consciência e as mãos limpas. Algo raro em nossa história, sobretudo a partir de agora, que a Justiça passou a seguir no encalço dos corruptos. Por isso é tão necessário escolher o representante com base no que fez de bom ao país. Puxar pela memória, cobrar os feitos, punir os desmandos com o poder do voto, eleger quem tem a coragem de enfrentar o velho.

A sociedade, na ânsia de enterrar a velha política em prol do novo, precisa ficar atenta. Não é fácil mudar antigos mecanismos. Mas o voto com esperança e sabedoria ainda é a melhor saída. A política, feita com honestidade e transparência, é o meio correto de levar o país para frente. Que o voto nessa honestidade que o brasileiro pede nas pesquisas de opinião seja o novo na próxima legislatura.

A autora, Maria Thereza Pereira de Lyra Collor de Mello Halbreich, conhecida como Thereza Collor, é historiadora. Sua atuação política contra a corrupção é conhecida desde 1992, quando ajudou a denunciar o então cunhado e ex-presidente Fernando Collor, ao lado do marido, Pedro Collor, já falecido.