| Fotos: Arquivo Pessoal |
| Segundo Fabiana Pimentel Kizaki, que é tia de um paciente que procurou o PS, o local está superlotado e muita gente passou a noite em um banco de concreto |
Diego César Capriolli de Oliveira, de 25 anos, sofreu um acidente de moto na avenida Duque de Caxias, em Bauru, por volta das 7h da última quarta-feira (11). Ele foi levado ao Pronto-Socorro Central (PSC), onde descobriu que apresentava diversas fraturas em uma das mãos e outra na clavícula. Mesmo diante de tal quadro, o jovem passou a noite deitado em um banco de concreto e, só nessa quinta-feira (12) à tarde, conseguiu vaga na internação do Hospital de Base.
A situação preocupante é sentida também por outros pacientes com o PS lotado. Na noite dessa quinta-feira (12), 57 pessoas aguardavam no local uma vaga de internação. Uma delas, inclusive, está há dez dias na espera.
Tia de Diego, a psicóloga Fabiana Pimentel Kizaki, de 46 anos, conta que outras pessoas também passaram a noite em bancos de concreto. "Não havia maca ou cadeira".
Ainda de acordo com Fabiana, após reclamar junto à assistente social da unidade, ontem pela manhã, o rapaz conseguiu uma maca e, à tarde, foi levado à internação. "É muito descaso", analisa a mulher.
Questionado sobre o assunto, o titular da Secretaria Municipal de Saúde, José Eduardo Fogolin, esclarece que, quando um paciente está passando mal e precisa deitar, a orientação é que seja levado a qualquer unidade da rede municipal que tenha macas disponíveis. O transporte é de responsabilidade do próprio município. "Nós vamos averiguar o motivo pelo qual os demais pacientes não estavam em macas", acrescenta.
Em relação ao caso específico de Diego, o secretário afirma que o jovem foi avaliado por dois ortopedistas e realizou exames diagnósticos no PS Central. Inclusive, ele teria sido encaminhado para o tratamento ambulatorial, mas optou por ficar na unidade. "Desta forma, para melhor acolhê-lo, foi novamente examinado e feito o pedido de internação", explica.
JÁ NO INFANTIL...
Na UPA Bela Vista desde o dia 3 de março deste ano, o serviço de pediatria que antes era oferecido pelo PAI também é alvo de reclamações.
A dona de casa Paola Gabriele Barbosa, de 27 anos, levou o seu filho, o pequeno Pedro Henrique Barbosa Silva, de 4, ao local na última terça-feira (10). "Há dez dias, ele foi diagnosticado com pneumonia e já estava terminando o tratamento, mas eu queria que o pediatra o examinasse, para ver se estava tudo certo", justifica.
Paola conta que ficou três horas esperando pelo médico e, sem conseguir atendimento, acabou indo embora. "Está superlotado de criança e adulto. Nem sei se é saudável misturar os públicos na sala de espera, afinal, os pequenos são mais frágeis", preocupa-se.
Sobre a recepção dos adultos associada à infantil, Fogolin diz que não há qualquer orientação ou previsão normativa do Ministério da Saúde ou da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para que haja separação física na sala de espera da UPA, entre os dois atendimentos.
"O risco de contaminação entre pacientes em serviços de saúde é considerável em ambiente hospitalar, onde os pacientes têm patologias definidas e a condição de saúde é mais vulnerável. Este não é o caso da UPA, que é um serviço ambulatorial".
SUPERLOTAÇÃO
Quanto à superlotação de ambos os locais, Fogolin reconhece o problema e atribui ao fato de ser "portas abertas", além da chegada do outono, quando há maior incidência de problemas respiratórios.
O município rebate, ainda, que os hospitais não estão chamando os pacientes para internação e fez contato com as unidades, que dizem estar lotadas e sem leitos.
Estado diz que criação de novos leitos também compete ao município
Em nota, a Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo esclarece que, segundo a diretriz do Sistema Único de Saúde (SUS), compete à rede básica o atendimento a casos de menor complexidade, como os resfriados e problemas respiratórios mais simples. Os casos de maior complexidade, que requerem atendimento especializado, podem ser encaminhados aos serviços de referência, conforme pactuação regional.
"Além disso, a Central de Regulação de Vagas e Ofertas de Serviços de Saúde (Cross) é um sistema online que funciona 24 horas por dia e busca vaga disponível em várias unidades (não apenas nos hospitais estaduais), na região de origem do paciente e, eventualmente, em todo o Estado, conforme o recurso necessário".
Assim, ainda de acordo com a pasta, é possível buscar o atendimento necessário ao paciente, no local mais próximo com disponibilidade e capacidade para atender cada caso. "Tudo é cadastrado pela unidade de origem do paciente, a quem, também, compete viabilizar a transferência de pacientes regulados. A Cross atua em conformidade com as diretrizes do SUS, com base em critérios clínicos, priorizando os casos mais graves e urgentes".
"Vale lembrar que o fortalecimento da rede de assistência à saúde, com a criação de novos leitos, não é uma prerrogativa exclusiva dos governos estaduais. Cabe, também, ao município e ao próprio Ministério da Saúde, esse último, responsável pelo credenciamento dos novos leitos mediante ao aumento do teto financeiro do SUS concedido ao Estado. Bauru, entretanto, optou por não construir hospitais para atender a sua população", finaliza a pasta, em nota.