10 de julho de 2026
Internacional

Ataques atingem 3 alvos em Damasco e Homs; defesa síria derruba 13 mísseis

Estadão Conteúdo e Reuters
| Tempo de leitura: 5 min

Feras Makdesi/Reuters
Artilharia aérea em Damasco

Reprodução Twitter
Foto mostra ataque em Damasco, na Síria

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ordenou na noite desta sexta-feira (13), ataques de precisão a alvos da Síria. A ação militar tem apoio da França e do Reino Unido e tem por objetivo dissuadir o suposto uso de armas químicas pelo regime de Bashar al-Assad.

As forças aéreas e marinhas dos três países lançaram os primeiros ataques por volta das 21h de Washington (22h, no horário de Brasília), durante o pronunciamento do presidente americano Donald Trump na Casa Branca. Os sistemas de Defesa da Síria reagiram, atingindo 13 mísseis em Al Kiswah nos subúrbios de Damasco.

O Pentágono anunciou que três alvos foram atingidos na Síria: um centro de pesquisa e produção de armas químicas e biológocas em Damasco, um armazém de armas químicas em Homs, a leste de Damasco - em que os EUA acreditam que estavam estoques de gás sarin - e uma base na mesma cidade que também teria armas químicas.

"Assad implantou de modo significativo o de armas químicas de modo muito terrível", afirmou o presidente americano. "O uso de armas químicas pela Síria denota crimes monstruosos de Assad. Hoje, os EUA, a Grã-Bretanha e a França vão juntos utilizar o poder justo contra a barbárie e a brutalidade de Assad", disse Trump.

O regime sírio nega o uso de armas químicas, que são proibidas por convenções da ONU.

A autorização dos ataques ocorre uma semana após relatos de ONGs da Síria de um ataque químico a civis na cidade de Douma, reduto rebelde próximo de Damasco. Ao menos 70 pessoas teriam morrido na ação, que é negada pelo presidente Assad.

Trump também pediu ao Irã e à Rússia que deixem de apoiar um regime que causa "assassinato em massa de homens, mulheres e crianças inocentes". Teerã e Moscou são os dois maiores apoiadores do governo Assad.

O presidente americano ressaltou ainda que os ataques ocorrerão "até que o regime sírio deixe de utilizar armas químicas contra civis". "Sustentaremos esta ação tanto quanto for necessário", disse.

Testemunhas relatam explosões em Damasco, capital da Síria

Abdu Zayitun/Reuters
Míssil em Damasco

Damasco, a capital da Síria, foi abalada por explosões que iluminarem os céus na madrugada deste sábado (hora local), minutos após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar ataques aéreos alegando o uso de armas químicas pelo regime de Bashar al-Assad.

Repórteres da Associated Press em Damasco viram sinais de fumaça subindo do leste de Damasco tão logo Trump fez o anúncio em Washington.

A TV estatal da Síria diz que o ataque começou na capital, embora não tenha especificado claramente quais foram os alvos.

A ação aérea, feita pelos EUA, Reino Unido e França, ocorre uma semana depois de relatos de ONGs da Síria de um ataque químico a civis na cidade de Douma, reduto rebelde próximo de Damasco, que teria deixado ao menos 70 mortos.

Sistema de Defesa Sírio teria derrubado 13 mísseis lançados contra a capital síria.

May: Ação na Síria é direcionada e tem por objetivo evitar mais vítimas civis

A primeira-ministra do Reino Unido, Theresa May, informou em comunicado que autorizou as forças armadas britânicas a conduzir uma ação coordenada com França e Estados Unidos com o objetivo de destruir unidades de armas químicas na Síria.

"O regime sírio tem histórico de utilização de armas químicas contra seu próprio povo da maneira mais cruel e abominável", afirmou May, destacando que o suposto ataque ocorrido no sábado (horário local) em Douma, no qual mais de 75 pessoas teriam morrido, "não deveria surpreender a ninguém".

De acordo com May, um conjunto significativo de informações, que inclui o serviço de inteligência, indica que o regime sírio foi responsável por este ataque.

"Esse padrão persistente de comportamento deve ser interrompido - não apenas para proteger pessoas inocentes na Síria das terríveis mortes e baixas causadas por armas químicas, mas também porque não podemos permitir a erosão da norma internacional que impede o uso dessas armas", pontuou a premiê.

A primeira-ministra britânica afirmou que todos os canais diplomáticos foram utilizados, sem sucesso. "Portanto, não há alternativa viável ao uso da força para destruir e impedir o uso de armas químicas pelo regime sírio. Isso não se trata de intervir em uma guerra civil. Isso não é sobre mudança de regime.

Trata-se de um ataque limitado e direcionado que não agrava ainda mais as tensões na região e que faz todo o possível para evitar vítimas civis. E enquanto esta ação é especificamente sobre dissuadir o regime sírio, também enviará um sinal claro para qualquer outra pessoa que acredita que pode usar armas químicas com impunidade", destacou a premiê, que avaliou ser esta uma ação de interesse nacional.

"Não podemos permitir que o uso de armas químicas se normalize - dentro da Síria, nas ruas do Reino Unido ou em qualquer outro lugar do mundo", concluiu.

Ataque americano 'não ficará sem consequências', diz embaixador russo nos EUA

O embaixador russo nos Estados Unidos, Anatoly Antonov, afirmou nesta sexta-feira (13), por meio de comunicado que o ataque americano contra bases sírias "não ficará sem consequências".

"Nossos avisos não foram ouvidos", escreveu Antonov. "Novamente, estamos sendo ameaçados. Nós avisamos que tais ações não ficarão sem consequências".

Na noite desta sexta-feira, o presidente americano Donald Trump anunciou um ataque contra três bases sírias ligadas ao suposto ataque químico que ocorreu em Duma, nos arredores de Damasco, na semana passada. 

Os mísseis americanos miravam um centro de pesquisa em, Damasco, um depósito de supostas armas químicas em Homs, no oeste da Síria e um posto de comando próximo deste depósito.

Antonov afirmou que "toda a responsabilidade" pelas ações seguintes aos ataques será de Washington, Londres e Paris. A França e o Reino Unido se aliaram aos Estados Unidos em uma coalização única para atacar o regime do presidente sírio Bashar Al-Assad.

"Insultar o Presidente da Rússia é inaceitável e inadmissível", escreveu Antonov. "Os Estados Unidos - o detentor do maior arsenal de armas químicas do mundo - não tem direito moral para culpar outros países."