| Samantha Ciuffa |
| Tenente Eduardo Costa e tenente-coronel Miguel Minozzi (ao fundo, cabos Marcos Vaz e Alexandre Silva) mostram tecnologia de atendimento que será levada para o Copom |
Até o final deste mês, o Centro de Operações do Corpo de Bombeiros (Cobom - 193) passa a atender no mesmo local onde funciona o Centro Operacional da Polícia Militar (Copom - 190), em Bauru. A mudança faz parte de uma política adotada pelo governo do Estado de centralizar todas as chamadas de emergência em um único local. Há, também, planos de concentrar o Samu no mesmo ambiente, como já ocorrem em outras cidades.
A unificação dos serviços de emergências busca simplificar seu acionamento pela população, geralmente mais habituada em ligar para o 190, e otimizar o suporte para evitar, por exemplo, a duplicidade de atendimento por órgãos diferentes e até mesmo a falta de assistência, em alguns casos. Um decreto estadual define, inclusive, os tipos de ocorrências que competem a cada unidade (leia mais ao lado).
Para Bauru, como por enquanto o Samu ainda não fará parte da integração, ter equipe dos bombeiros na mesma sala onde a PM recebe ligações pelo 190 evitará erros de encaminhamento das viaturas para atendimento de emergências.
"Cerca de 80% da demanda são casos clínicos, atendidos pelo Samu. Muitas vezes, o morador liga no 190, que acaba passando para nós a ocorrência. Sem a troca de informações, ambos podem mandar veículos para atender o mesmo ferido. Com a nossa equipe integrada, esse tipo de falha deixará de existir", explica o comandante do 12.º Grupamento de Bombeiros de Bauru, o tenente-coronel Miguel Ângelo Minozzi.
BAURU E AGUDOS
Inicialmente, o serviço integrado atenderá Bauru e Agudos. O objetivo é trazer, posteriormente, os outros 67 municípios da região abrangidos pelo 12.º GB, informa o tenente Eduardo de Souza Costa. O oficial destaca que, embora o atendimento físico passe a ser no Copom, os bombeiros continuam recebendo ligações pelo 193. "A ideia é, futuramente, deixar como já ocorre no Estados Unidos e na Europa, em que a pessoa liga para somente um número", adianta.
Souza reitera que, com a mudança, a tomada de decisão diante de uma ocorrência será mais ágil e, consequentemente, o tempo de deslocação e atendimento deve reduzir pela metade ou mais. "Com os órgãos em locais distintos, a comunicação é feita através de rádio ou telefone e acaba tendo um 'delay' (atraso) na transmissão da informação".
"Quando há um acidente de trânsito grave, por exemplo, é necessário deslocamento de equipes dos bombeiros, Samu, Polícia Militar, GOT (Grupo de Operações de Trânsito). Todas as unidades precisam interagir e tomar decisões rápidas. Se tiverem integradas em um mesmo ambiente, o serviço será muito mais rápido e eficaz", completa o tenente.
As adaptações, como instalação de novas placas telefônicas e de computadores no Copom, estão em andamento. No novo ambiente, irão atuar quatro equipes com três bombeiros, revezando os turnos. A estimativa é que a integração ocorra em torno de 15 dias.
SAMU
Coordenador do Samu e diretor do Departamento de Urgência do município, Rafael Arruda Alves disse que a discussão sobre a transição do atendimento para o Copom está "paralisada, por enquanto". "Entendemos que a integralidade deva ocorrer só depois que os bombeiros estiverem estabelecidos lá. Na última conversa que tivemos, decidimos que seriam feitos, primeiro, os ajustes dos bombeiros e, estando tudo certo, o Samu também iria", explica, sem, contudo, estipular data.
DECRETO
O Decreto 58.931/2013, do Governo do Estado, define as atribuições de atendimento para as unidades de emergência. Aos bombeiros, por exemplo, cabem atender acidentes de trânsito com vítimas; acidentes traumáticos pessoais e do trabalho; acidentes com lesões corporais traumáticas; afogamentos; tentativa de homicídio; lesão grave; tentativa de suicídio; e acidentes envolvendo choque elétrico ou queimaduras.
Ao Samu, competem os casos clínicos em geral; partos de emergência; intoxicações e casos psiquiátricos.