Embora não tenha sido catalogado qualquer caso suspeito de Influenza A ou B em Bauru, neste ano, 13 Estados brasileiros registraram 57 ocorrências de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS, na sigla em inglês), causada, principalmente, pelo H3N2, resultando em dez mortes. Este subtipo da doença também infectou 47 mil pessoas nos EUA. Tais ocorrências vêm causando alarde no município e muita gente já procura pela imunização na rede particular (leia mais abaixo). Já na pública, a campanha deverá começar no dia 23 de abril e terminar em 1 de junho.
Segundo o enfermeiro e diretor do Departamento de Vigilância Epidemiológica da Secretaria Municipal de Saúde, Ezequiel Santos, o Dia D está marcado para 12 de maio, mas o Ministério da Saúde poderá alterar as datas. Geralmente, a cidade recebe 130 mil doses para imunizar, de graça, apenas o público-alvo da inciativa (veja quadro ao lado).
Questionada sobre o assunto, a assessoria de comunicação do Ministério da Saúde informa que já autorizou o envio dos lotes da vacina para que os Estados possam distribuir aos municípios.
Caso já tenham chegado, as cidades não precisam esperar pela data do início da campanha para realizar a imunização.
Porém, as doses ainda não chegaram a Bauru e a expectativa é de que o município siga o cronograma do governo federal, como revela a assessoria de imprensa da Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo. Também de acordo com a pasta, ainda não há informações mais detalhadas sobre a forma pela qual a campanha será conduzida.
Já o diretor do Departamento de Vigilância Epidemiológica adianta que a meta da iniciativa deste ano deverá ser a mesma de 2017, ou seja, vacinar 90% de cada segmento do público-alvo. No ano anterior, de maneira geral, Bauru imunizou 92% destas pessoas, mas não atingiu a meta ao separar os respectivos grupos.
PODE TER SURTO?
Ezequiel alega que existe, sim, a possibilidade de surto da doença em Bauru, já que esta é silenciosa e o inverno, quando há maior propensão à contaminação, ainda não chegou.
"Por outro lado, a nossa cobertura vacinal evitará, ao máximo, que isso aconteça", reforça.
Além disso, o enfermeiro acredita que, assim como no ano anterior, haverá predominância do subtipo H3N2 e da Influenza B no município. Portanto, a imunização é mais do que necessária para o público-alvo, considerado suscetível a desenvolver a forma grave da doença, que leva à morte.
Logo, se o Ministério da Saúde mantiver a data programada, a partir do próximo dia 23, todas as Unidades Básicas de Saúde (UBS) estarão imunizando o público-alvo. Outros pontos, como a Associação dos Aposentados, farão o mesmo.
Em relação aos pacientes acamados, o município solicita que a família faça o seu cadastro em qualquer UBS, passando o nome, o cartão do Sistema Único de Saúde (SUS), o endereço e o tipo da deficiência. A ideia é ir até eles, em data a ser definida.
| Malavolta Jr. |
| Elis Vilela diz que 300 doses das 900 que chegaram já foram utilizadas |
NÚMEROS
Desde o início deste ano até o momento, a Secretaria Municipal da Saúde não registrou qualquer caso suspeito de Influenza A ou B. Em 2017, porém, foram catalogadas quatro ocorrências de H3N2 e uma de Influenza B. Não houve óbitos.
MEDO DE SURTO FAZ AUMENTAR A PROCURA PELA IMUNIZAÇÃO EM CLÍNICAS
Muita gente vem procurando a rede privada para se imunizar contra a Influenza. Segundo a enfermeira do CDA Medicina Diagnóstica, Aryanna Samie Kurata Marin, do estoque de 500 doses, 100 já foram aplicadas desde que os lotes chegaram à clínica, na quarta-feira retrasada. "O surto dos EUA fez com que a demanda aumentasse", justifica.
Já a enfermeira da Biolab, Elias Vilela, frisa que, além do pessoal "assustado" com o surto dos EUA, muitos clientes procuraram pela vacina, porque costumam fazê-lo nesta época do ano. De um total de 900 doses, o laboratório utilizou 300.
Em ambos os casos, a vacinação ocorrerá enquanto durarem os estoques. Cada dose do produto custa entre R$ 80,00 e R$ 120,00.
'DENTRO DA NORMALIDADE'
De acordo com o infectologista Fernando Monti, os 47 mil casos registrados nos EUA ainda não podem ser considerados surto da doença. "Agora, se houvesse grande quantidade de óbitos, poderíamos falar em surto. Logo, creio que tudo esteja dentro da normalidade tanto nos EUA quanto no Brasil", comenta.
Monti acrescenta, ainda, que os principais sintomas da gripe são febre alta, tosse, coriza e dor de garganta. Porém, em alguns casos, chega a evoluir para a SARS, que leva à morte. "Não existe um subtipo que seja mais grave que o outro, mas a população mais suscetível, que é o público-alvo da campanha da rede pública, pode ir à óbito", explica.
Portanto, a recomendação é de que estes grupos busquem ser vacinados. De forma geral, a orientação é lavar as mãos frequentemente e fazer a higiene nasal de maneira protegida, com lenços descartáveis, por exemplo.